segunda-feira, 23 de junho de 2014

Exercícios - Parte 2 do Trabalho

Turma,
essa é a 2a parte do trabalho.
Data de entrega: 27/06 (sexta feira).
Quem não entregar no dia 27 ficará sem a nota da segunda parte do trabalho.
Não receberei trabalhos feitos em folha de caderno!!!!!!!!!!!
Para agilizar, quem quiser pode imprimir as perguntas e escrever as respostas
Respostas iguais em trabalhos diferentes serão anuladas.
Muitos alunos não estão com o caderno completo, verificarei amanhã novamente. Caso continue incompleto, não receberão a pontuação completa.
O blog está atualizado com os 2 capítulos da prova. Utilize-os para resolver as questões, pare de olhar na internet. 
Não é permitido copiar trechos do blog para responder as perguntas. Descontarei ponto de quem fizer isso, o objetivo é responder com as próprias palavras.

Atenção
.
ANULEI 4 trabalhos porque as respostas estavam idênticas. Eu avisei que não aceitaria isso nesse trabalho. A ideia é que você exercite a escrita e a interpretação da pergunta, copiar do colega não atende ao objetivo que eu quero com esse trabalho.

Estou sendo muito rigoroso na correção. Façam com calma e atenção.

Composição da nota do trabalho
4,0 - Exercícios
4,0 - Exercícios (parte 2)
2,0 - Caderno completo

Exercícios.
1) Cite e explique três medidas da Assembleia Nacional Constituinte. 


2) Considera-se que a Tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789 marca o início da Revolução Francesa e também da História Contemporânea. Por que os revolucionários destruíram a Bastilha?


3) A Convenção, liderada por Robespierre, ficou conhecido por um outro nome. Responda que nome é esse e por quê?


4) Cite três medidas tomadas na Convenção.


5) Com relação ao Bloqueio Continental responda qual era o objetivo de Napoleão com essa medida e qual foi sua consequência para Portugal.


6) Como podemos caracterizar a crise do Antigo Regime? (ou das monarquias absolutistas)


7) Cite e explique dois princípios estabelecidos pelo Congresso de Viena.


8) Como Napoleão chegou ao poder e quais as características do seu governo?


domingo, 22 de junho de 2014

Capítulo 9 - Período Napoleônico (1799-1815)

Turma,
com esse capítulo nos fechamos a nossa matéria da AVII.
Capítulo 8 - Revolução Francesa
Capítulo 9 - Período Napoleônico

Gostaria de avisá-los que poderíamos falar muito mais sobre Napoleão e o período que ele esteve no poder, porém não temos tempo. Por isso, coloquei o que era mais importante e o que vocês precisarão nas provas. Além disso, vocês estudarão isso tudo novamente e com mais detalhes, por isso não fico tão preocupado.
Vamos lá.

O governo de Napoleão Bonaparte tem início em 1799 com um golpe de Estado chamado "Golpe do 18 Brumário" contra o governo girondino. Com isso, inicia-se o Consulado.

V- Consulado

     Napoleão reorganiza o Executivo e o governo passaria a ser gerido por 3 cônsules, sendo que ele seria o Primeiro-Cônsul (claro!). Porém, Napoleão tomou outras medidas que buscavam melhorar a economia da França, como a criação do Bando Francês, responsável pela emissão de dinheiro e arrecadação de impostos, a recuperação da infra-estrutura do país para recuperar a atividade comercial. Além disso, Napoleão conseguiu uma trégua com a Inglaterra e as Coligações absolutistas que ficou conhecida como Paz de Amiens (1802). Foi criado também o Código Civil em 1804, trata-se de um conjunto de leis que organizam as relações entre as pessoas em sociedade e que, mais um vez, reforça a igualdade das leis, a igualdade civil, a liberdade individual e religiosa e o direito à propriedade. (No livro de vocês tem um box sobre isso, vale dar uma olhada).
    Porém, não podemos esquecer que Napoleão ao mesmo tempo pretendia dominar toda a Europa, pode-se dizer que foi nesse momento que os ideais da Revolução Francesa atingiu diversas regiões com mais força porque a cada nova conquista, a cada rei derrubado, essas ideias eram espalhadas entre a população diretamente pelos franceses, talvez até mesmo pelo próprio exército francês. (Por que não? As ideias revolucionárias circulavam muito na sociedade francesa, elas eram conhecidas e discutidas por diferentes setores da sociedade.). Com isso, Napoleão formou uma espécie de Império.
     Um Império que não conseguiu incluir a Inglaterra. Tentativas não faltaram. O problema era o seguinte: a Inglaterra é uma ilha e os ingleses além de serem a maior potência mundial, eles também tinham a maior marinha do mundo na época. (Não se esqueçam da Revolução Industrial: novas tecnologias também serão utilizadas nas batalhas e nos armamentos e os ingleses saíram na frente nessa corrida industrial.) A última tentativa francesa foi na Batalha de Trafalgar, em 1805, (batalha naval) na qual a marinha francesa foi praticamente destruída. Excelente militar que era Napoleão percebeu a nítida dificuldade de submeter os ingleses, por isso, pouco tempo depois estabeleceu o Bloqueio Continental (1806).
     O Bloquei Continental estabelecia a proibição entre a Europa continental e a Inglaterra. Napoleão tinha dois objetivos com isso. Um deles era desenvolver as manufaturas francesas que não conseguiam competir com os produtos ingleses e, com isso, evoluir na sua revolução industrial. Por outro lado, a França pretendia privar alguns recursos comerciais dos ingleses. Lembrem-se que a Inglaterra estava envolvida nas formações da Coligações contra a França revolucionária.

Portugal e o Bloqueio Continental
O contexto europeu explica a vinda da Família Real portuguesa para a principal colônia, o Brasil. Portugal tinha uma relação comercial de muitos anos com a Inglaterra e, no século XVIII, os portugueses eram extremamente dependentes dos ingleses. (e muito endividados também!). Do outro lado, estava Napoleão com o maior exército formado até aquele momento da História e com o principal estrategista. O que fazer? Portugal literalmente enrolou ingleses e franceses até onde pode. Optar pela França e aceitar o Bloqueio Continental era o mesmo que deixar as colônias desprotegidas (leia-se: Brasil). Porém, optar pela Inglaterra era o mesmo que ser invadido pela França e ser derrubado do poder. A decisão de Portugal só foi tomada no apagar das luzes de 1807 e quando Napoleão já tinha perdido a paciência e marchava em direção à capital Lisboa. Ficou acertado que a Marinha inglesa escoltaria a família real portuguesa para o Brasil. Essa TRANSFERÊNCIA, NÃO É FUGA DO REI, já estava sendo discutida há algum tempo, por isso que foi possível organizar uma viagem tão grande em tão pouco tempo. A Família Real traz todos os seus criados (ou empregados) e os parentes que viviam na Corte e, com cada um deles, vinha uma diversidade de objetos absurda. Por exemplo, o rei trouxe toda a sua biblioteca!!! (esses livros fazem parte hoje da Biblioteca Nacional).


Um livro foi muito vendido não faz muito tempo sobre esse assunto, chamado 1808 de Laurentino Gomes. É melhor não ler. Ali é apresentada uma visão de História muito rasa, simplista e ultrapassada. Quando vi os livros consultados percebi que o autor usou obras da História já ultrapassadas e que nós historiadores não usamos mais. Novos livros com explicações mais sofisticadas e mais complexas já foram escritos e explicam melhor esse acontecimento que pertence tanto à história europeia quanto à nossa própria história. Além disso, o autor (Laurentino Gomes) não é historiador e não teve a preocupação de fazer uma pesquisa mais cuidadosa e também não se preocupou com a sua escrita, pois ela está cheia de juízos de valor. Por exemplo, ele reforça a ideia de "rei fujão", algo que atualmente um historiador  não poder fazer JAMAIS e, além disso, não consegue perceber a mentalidade da época, nem perceber o que estava em jogo naquela situação. Enfim, faltou leitura e pesquisa consistente para esse livro.


Com a transferência da Corte, o príncipe regente D. João VI, perde o reino mas não perde a coroa (nem a cabeça!). O que isso quer dizer? O reino de Portugal poderia ser recuperado depois e, mesmo com a saída de Portugal, ainda assim ele era o regente do reino e não corria riscos de vida. Por fim, se Napoleão pretendia enfraquecer Portugal ou Inglaterra, ele obteve justamente o efeito contrário. Pois, com a vinda da Família Real a aliança entre Brasil, Portugal e Inglaterra se fortaleceu muito.

Retomando
     Uma vez dominada toda a Europa, faltava a Rússia. Aliás, mais um que desafiou o Bloqueio Continental. Napoleão reuniu simplesmente 420.000 soldados para invadir a Rússia (número assombroso para a época). Porém, o experiente militar francês ignorou o inverno russo e encontrou dificuldades na Rússia com a tática da "terra arrasada" empregada pelos russos. O exército russo pouco resistia ao exército napoleônico e recuou até a capital, mas a cada cidade perdida, os próprios russos destruíam tudo. Casas de poderiam servir de alojamento para os franceses, estragavam a comida deixada para trás, contaminavam a água nos poços. Tudo para dificultar o abastecimento do enorme exército francês. Ao chegar na capital, o exército russo combateu o exército francês já cansado da longa viagem, com dificuldade de abastecimento e sofrendo com as baixíssimas temperaturas do inverno russo. Com isso, o exército francês foi empurrado para fora da Rússia e sofreu a sua maior derrota.
     Com o exército enfraquecido, é formada mais uma Coligação contra a França e, finalmente, conseguem derrotar os franceses. Napoleão é enviado exilado para Elba, no sul da França e Luís XVIII, irmão de Luís XVI (o rei decapitado na 2a fase da revolução) é posto no poder. Napoleão consegue fugir da ilha de Elba e se direciona para Paris. Um exército foi destacado para prendê-lo novamente, porém, os enviados passaram para o lado de Bonaparte. Ao se aproximar de Paris, o rei Luís XVIII foge da cidade e, com isso tem início o Governo de 100 Dias de Napoleão (1815) (porque durou 100 dias esse novo governo).
A derrota definitiva de Napoleão aconteceu na Batalha de Waterloo e, com isso, ele é enviado novamente para o exílio, mas a ilha de Santa Helena, no meio do Atlântico (para evitar fugas!)

Congresso de Viena (1815)
Foi um Congresso realizado entre as monarquias absolutistas, na cidade de Viena, na Áustria, com o objetivo de reagir às ideias liberais francesas e, com isso, restaurar o Antigo Regime (=aquilo que existia antes da Revolução Francesa ficou conhecido como Antigo Regime. Foi o que estudamos no capítulo 1.) Quais foram as decisões desse congresso?

Princípio da Legitimidade: estabelecia que os reis (ou a sua dinastia) derrubados do poder pelo avanço francês deveriam voltar ao poder
Princípio da Restauração: a divisão política da Europa, quer dizer, as fronteiras entre os países, voltaria ao que era antes da Revolução Francesa.
Princípio do Equilíbrio Europeu: manutenção do Absolutismo como a melhor forma de governo

formação da Santa Aliança: pacto militar entre os países absolutistas para reprimir movimentos liberais, ou seja, movimentos que tivessem influência dos ideias da Revolução Francesa.


Ufa. Acabou.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Capítulo 8 - Revolução Francesa

Turma,
essa é a primeira parte da matéria da AVII.

Contexto da Revolução Francesa

     A França encontrava-se numa situação de crise econômica e de aumentos de impostos, ambos causados pelos conflitos nos quais o país se envolveu como a Guerra dos Sete Anos e o apoio à independência dos Estados Unidos. Além disso, o país mergulhou em uma grave crise agrícola por causa de uma forte seca, fato que gerou escassez de alimentos e aumento dos preços. Para tentar solucionar os problemas do país, o rei Luís XVI reuniu depois de muito e muitos anos os Estados Gerais.
     Os Estados Gerais eram divididos em três Estados. O 1° Estado reunia apenas o clero (os religiosos), o 2° Estado era representado pelos nobres. Por fim, o 3° Estado era composto pela burguesia e pelo povo. Se os Estado Gerais foram reunidos para discutir e tentar solucionar os problemas franceses tudo deu errado e seu efeito foi justamente o contrário. As discussões entre os Estados se acirraram quando o 3° Estado sugeriu que as votações fossem feitas de "por cabeça" (individualmente) e não por votações fechadas por Estado. O 3° Estado faz essa proposta porque era muito mais numeroso do que o 1° e 2° Estado, inclusive, componentes desses dois Estados apoiaram propostas do 3° Estado.
Diante do grande impasse existente o rei Luís XVI ameaça fechar os Estados Gerais. Este fato foi o suficiente para o 3° Estado se retirar dos Estados Gerais e realizar o Juramento da Péla (= elaborar uma Constituição para a França). Com isso, tem início a primeira fase da Revolução Francesa

I) Assembleia Nacional Constituinte

- declara o fim dos privilégio de nobres e cleros. = por exemplo, todos os grupos deveriam pagar impostos. Algo que não acontecia antes da Revolução.
- igualdade perante a lei = as leis são iguais para todos. Antes da Revolução, não era assim que acontecia. 
- fim da servidão camponesa
- direito à propriedade privada

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
- confirma as decisões anteriores e permite a liberdade política e religiosa.

Grande Medo: foi uma ação popular de revolta de destruição de colheitas e assassinato de nobres.

14 de Julho de 1789: Queda da Bastilha
Demarca o início da Revolução Francesa. A população destrói a Bastilha porque aquela construção era um símbolo do Absolutismo (ou do Antigo Regime). Muito coerente para uma Revolução que mudou o modo como os dirigentes governavam. A Revolução Francesa é o primeiro passo para dar fim às monarquias absolutistas da Europa.

Constituição de 1791
- cria a monarquia constitucional na França. (Igual ao que ocorreu na Inglaterra com a Revolução Gloriosa em 1688. Agora havia uma Constituição que limitava o poder do rei).
- aplica a divisão dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
- estabelece o voto censitário
O voto censitário é uma contradição da Revolução Francesa. Apesar de defender a aplicação de novas ideias (as ideias liberais) as participações em votações não era para todas as pessoas. O voto censitário estabelece que para participar das votações era preciso comprovar renda. (em outras palavras: precisar ter dinheiro)
- estabelece o Estado laico: A partir desse momento a França não tem mais uma religião oficial e passa a permitir a prática de outras religiões).

II) Monarquia Constitucional
Essa é a 2a fase da Revolução. Partir desse momento as poderosas monarquias absolutistas como Espanha, Prússia e Áustria reagem à Revolução Francesa porque esse movimento traz ideias que buscam limitar ou abolir essas monarquias. Porém, essa breve fase chega ao fim com a reação popular contra o rei Luís XVI, que o degola, sob a acusação de apoiar os exércitos das coligações absolutistas. Com isso, tem início a terceira fase da Revolução.

III) Convenção (República / Jacobinos)
Grupos políticos desse período

girondinos: identificados com a rica burguesia e de posicionamento liberal.
jacobinos (ou montanheses): identificados com a pequena burguesia e com os sans-culottes (os populares) são democratas radicais. Por exemplo, defendiam o voto masculino amplo (para todos os homens, mulheres não!). 
pântanos: representavam a maioria na Assembleia e eram de centro.

A Convenção também é denominado de "O Terror" ou "Jacobinistas" por ser o período de radicalização da revolução. É nesse período que é criada a Lei do Máximo que estabelecia o congelamento dos preços para evitar a alta. Além disso, fica estabelecido o fim da escravidão nas colônias francesas, o ensino público obrigatório e o voto universal (ou quase universal). Porém, o problema desse período foram as intensas perseguições políticas realizadas pelos jacobinos no poder. Para julgar os supostos contra-revolucionários, que na verdade, muitas vezes pedia moderação às perseguições e prisões políticas desse período foi criado o Comitê de Salvação Pública. 
Essas perseguições que geram o ponto fraco do período jacobinista e criou condições para que a alta burguesia (os girondinos) dessem o golpe do 9 Termidor, retirando os radicais do poder e dando início ao Diretório.

IV) Diretório
O Diretório foi um curto período, porém conturbado, pois vários setores da políticas tentavam dar golpes e contra golpes dentro do governo. As medidas tomadas pelos girondinos foram extremamente impopulares, como o fim da Lei do Máximo e o retorno do voto censitário. Ambas geram grande insatisfação na população e várias reivindicações são feitas em Paris contra essas novas medidas. É nesse momento que surge um novo personagem surge nesse contexto: Napoleão Bonaparte. O militar francês ganhava cada vez mais prestígio e poder dentro do governo por ser um excelente estrategista militar e ganhar várias batalhas contra as Coligações absolutistas. Por causa desses fatores e do amplo questionamento aos girondino, Napoleão e alguns políticos conferem o golpe contra o governo do 18 Brumário e iniciam o período napoleônico e a quinta e última fase da Revolução.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Turma,
esse parte do trabalho bimestral. 
Coloquem em uma folha separada e me entreguem na semana que vem.
Atenção nas respostas. Eles precisam ser completas e não podem ser copiadas.
Semana que vêm teremos mais questões.
Anotem as dúvidas que surgirem na folha para fazermos a revisão em torno delas na época da AVII.


1) Cite dois fatores do contexto francês que contribuíram para o início da Revolução Francesa.

2) Aponte três medidas adotadas pela Assembleia Nacional Constituinte.
  
3) O que foi a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”?

4) Explicite (cite e explique) duas determinações da Constituição de 1791.

Sobre o período da Convenção, responda:

5) Como ficou conhecido esse período?

6) Quais eram os grupos políticos existentes nesse contexto?

7)  Cite e explique o que foi a Lei do Máximo estabelecida no período jacobino.

8) Escreva em linhas gerais o que foi a Revolução Francesa.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Capítulo 7: "A Independência dos Estados Unidos" (1776)

Turma,
com esse post fechamos a matéria para a AVI
Data: 03/06
Conteúdo: Capítulo 6: "América portuguesa"
                 Capítulo 7: "Independência dos Estados Unidos"

Independência dos Estados Unidos

     Independente de gostarmos dos Estados Unidos ou não, precisamos reconhecer que esse fato histórico foi um dos mais importantes da história mundial. Afinal, estamos falando da primeira colônia do mundo que alcança a independência. Esse feito serviria de exemplo para as demais colônias americanas a buscarem a sua independência de Portugal, Espanha, Holanda ou Inglaterra.
     No distante capítulo 4, estudamos o início da ocupação da América do Norte e vimos que no início da colonização existiam apenas 13 colônias localizadas na região leste do que viria a ser os Estados Unidos. A ocupação e criação dessas colônias foi marcada por grande liberdade política e econômica e pouca interferência da Inglaterra. Porém, fatos ocorridos na Europa mudarão a política inglesa com relação à sua colônia. 
     A Inglaterra vivia a Revolução Industrial e passava também pela Guerra dos Sete Anos (1756-1763). Esses 2 fatos alteram a relação que os ingleses tinham com os colonos. Por causa da guerra diferentes impostos foram criados para financiar o conflito. Porém, muitos colonos questionavam a criação dessas novas taxas. Seus questionamentos partiam do fato de que eles não estavam presentes, nem foram ouvidos na aprovação e criação desses tributos. O argumento dos colonos era baseada numa antiga tradição do Parlamento inglês onde cada membro tinha direito a um voto. ("um homem, um voto")
      De início, não havia consenso sobre a separação da Inglaterra e no Primeiro Congresso Continental da Filadélfia (1774) não houve menção de separação na Declaração de Direitos enviada ao rei inglês. Pouco efeito surtiu.
   Em 1775, foi reunido o II Congresso Continental da Filadélfia onde haveria a Declaração de Independência em 4 de julho de 1776, escrita por Thomas Jefferson e contendo claras influências do Iluminismo. Aliás, as ideias de John Locke e dos filósofos franceses eram muito conhecidas na colônia inglesa.
    A independência das 13 colônias jogou colonos e ingleses em um longo conflito na América, o que retardaria a redação da Constituição americana, o que aconteceria apenas em 1787. A Constituição também traria influências claras dos ideias iluministas, como a criação de uma república federalista e presidencialista. Quer dizer, as colônias tornaram estados e tinham amplas liberdades para criar leis e impostos, desde que ambos não criassem uma contradição com a Constituição americana (federalismo). Além disso, haveria a eleição para presidente através do voto (presidencialismo) e divisão dos três poderes em Judiciário, Executivo e Legislativo.
      É nesse ponto, contudo, que vemos os limites da Independência (ou Revolução Americana). Ficou estabelecido que o voto não era universal (para todos), criou-se uma restrição para a participação política através do voto censitário. Por causa dele, todos que desejassem votar deveriam antes comprovar renda. (Cuidado: não é a mesma coisa que comprar o direito de votar. A ideia é comprovar que posse recursos.) Com isso, ficavam excluídas parcelas consideráveis da população, como pobres e negros. Aliás, os colonos que lutavam sempre tiveram muito cuidado na condução do processo de luta pela independência para que não houvesse a confusão entre liberdade política e liberdade ampla e irrestrita para todos, para que os escravos se mobilizassem amplamente para dar sim ao escravismo americano.


É isso!

sábado, 17 de maio de 2014

Capítulo 6: "América Portuguesa"

Turma,
começarei a atualizar com o capítulo 6, com o tempo completarei o post com o resto do enorme conteúdo.
Assuntos do capítulo:
1) União Ibérica
2) Brasil Holandês
3) Escravidão
4) Expansão territorial
5) Mineração

União Ibérica (1580-1640)

      A União Ibérica é identificada pelo período que marcou a união entre os dois reinos que forma a Península Ibérica: Portugal e Espanha. Esse período que durou 60 anos foi possível somente porque o rei português, D. Sebastião morreu em batalha no Marrocos sem deixar herdeiros em 1578. Seu corpo nunca foi encontrado. Além disso, as famílias nobres tinham o costume de casar entre si, inclusive a ligação entre a nobreza portuguesa e espanhola vêm de longa data, desde a formação de Portugal como país, no século XIV. Porém, esse episódio da história europeia teve grandes consequências na América. A partir do momento que Portugal passou a ser governada pelo rei espanhol Filipe II, todas as colônias portuguesas tornaram-se possessões espanhola. 
    Havia também naquele contexto um grande combate religioso entre católicos e protestantes. O protestantismo encontrou grande espaço nas regiões da Alemanha, Bélgica e Holanda todas elas regiões controladas (ou parcialmente) pela Espanha. Seguindo a tradição ibérica, Filipe II não tinha qualquer tipo de tolerância com o protestantismo e, por isso, tentou impor a religião católica em todos os domínios. Essa atitude, no entanto, criou um sério e longo conflito com os holandeses, cada vez mais adeptos do calvinismo. E o que isso tudo tem a ver com a América portuguesa?

Bem, os holandeses estavam envolvidos com o comércio de açúcar na Europa há alguns anos e a colônia portuguesa, o Brasil, dava indícios claros de amplo desenvolvimento na produção de açúcar, um dos produtos mais valiosos para época. Os holandeses viram no Brasil uma grande oportunidade para realizar negócios bastantes rentáveis e não se esqueçam, Portugal agora fazia parte da inimiga Espanha. (Espanha e Holanda estavam em guerra desde 1568). Por que não dominar diretamente o centro de produção de açúcar?

(Curiosidade: na verdade, a Holanda se chama Províncias Unidas dos Países Baixos. Contudo, costuma-se chamar o país simplesmente de Holanda porque essa província sempre foi a mais importante política e economicamente.) 

Foi isso que os holandeses tentaram fazer em 1624, na Bahia, mas o sucesso foi temporário e acabaram expulsos. Porém, haveria uma nova tentativa em 1630 e nesse momento, os holandeses vieram para o Brasil e ficaram por um bom tempo.

Brasil Holandês (1630-1654)
Durante esses 24 anos, o nordeste brasileiro esteve sobre domínio holandês. Essa ocupação é dividia em 3 partes.
1a fase: 1630-1637: conflitos de ocupação no Nordeste
2a fase: 1637-1645: domínio consolidado. Mesmo período do governo de Maurício de Nassau.
3a fase: 1645-1654: conflito para expulsão dos holandeses pelos lusos-brasileiros.

      Após a ocupação definitiva dos holandeses no nordeste - que talvez seria muito dificultada sem a ajuda dos índios - era preciso retomar a produção de açúcar, muito prejudicada pelos 7 anos de conflito. A Companhia das Índias Ocidentais (ou WIC = West-Indische Compagnie) financiou a reconstrução e recuperação de vários engenhos e a compra de escravos tanto para holandeses, como para os luso-brasileiros que decidiram permanecer no nordeste. (Sim, mesmo sendo de uma religião diferente, os holandeses não viram nenhum problema em manter o trabalho escravo).
      O Brasil holandês é um período único na história da nossa colonização porque houve alguma liberdade religiosa com o catolicismo (mesmo havendo uma guerra entre Holanda [calvinista] e a Espanha [católica] na Europa por motivos religiosos). Os holandeses permitiram a criação de uma sinagoga (templo religioso dos judeus) em Recife, algo inimaginável antes ou depois da dominação holandesa. Maurício de Nassau, governante enviado pela WIC, realizou uma série melhorias urbanas em Recife e, inclusive, Nassau tinha grande habilidade para se relacionar com holandeses e luso-brasileiro, sendo muito querido por ambos.

     Apesar da aparente tranquilidade, a situação mudou drasticamente nos início dos anos de 1640. O açúcar dava seus primeiros sinais de crise, a Holanda estava envolvida em conflitos com a Inglaterra e por isso, dava menos atenção aos assuntos do Brasil Holandês. Além disso, em 1640, Portugal voltou a ser independente da Espanha e imediatamente inicia o diálogo com a Holanda para a devolução do nordeste brasileiro. Por causa do embate Inglaterra-Holanda e da menor rentabilidade do açúcar, a WIC, resolveu cobrar os empréstimos feitos aos senhores de engenho. Para completar, Maurício de Nassau foi chamado de volta para a Holanda.
Nassau era visto como alguém que defenderia os interesses daqueles envolvidos na produção do açúcar. De fato, Nassau tentou negociar com a WIC a cobrança das dívidas e os próprios senhores de engenho pediam para que ele não partisse do Brasil. Nada surtiu efeito.
     Vários senhores de engenho estavam extremamente endividados e nem que perdessem todas as suas propriedades eles conseguiriam pagar tudo que deviam. O início da guerra da expulsão dos holandeses é explicada em parte, por motivos econômicos, ou seja, pelas enormes dívidas dos senhores de engenho com a WIC.

Resistência Escrava
O contexto do Brasil nessa época favoreceu a fuga de escravos porque as atenções estavam voltadas para o conflito entre holandeses e luso-brasileiros. (Contudo, a fuga de escravos foi muito comum ao longo de toda a existência da escravidão). Além da fuga existiam outros meios de expressar resistência ao trabalho escravo como a negação ao trabalho, o confronto com o senhor ou o feitor ou atos extremos como o suicídio.
É muito comum ressaltar a história do Quilombo de Palmares como um centro de resistência à escravidão no período colonial. Em Palmares eram acolhidos, índios e brancos e acredita-se que toda a produção era feita e consumida no local, havendo também a caça e a criação de animais. Zumbi ficou conhecido como um dos líderes de resistência.
(Estudos recentes encontraram indícios da existência de escravos dentro do Quilombo, contradizendo a versão estudada em muitos livros didáticos e amplamente divulgada em toda a sociedade quando o assunto é Quilombo de Palmares.)

Expansão Territorial e Econômica da colônia
A expansão da colônia (ou interiorização) é uma consequência da União Ibérica. A partir do momento que Portugal faz parte da Espanha, o Tratado de Tordesilhas perde o seu sentido. (Porém, não se esqueçam que delimitar onde começava e terminava os domínios de cada país era extremamente difícil.)
O movimento bandeirante e das entradas tem grande responsabilidade por essa interiorização. Ambas tinham o objetivo de conhecer o território do interior e ocupá-lo (além de procurar OURO). No entanto, elas tinham organizações diferentes.
Entradas: organizadas e pagas pelo reino
Bandeirantes: organizadas por particulares. De maneira autônoma.

Uma das consequência do movimento bandeirante foi o conflito com os jesuítas. A ordem religiosa Companhia de Jesus (dos jesuítas) realizava o trabalho de aldeamento dos índios e, nesses locais, eles tinha contato com o catolicismo e eram convertidos. Contudo, à medida que se interiorizava na colônia tornava-se mais difícil obter recursos e escravos vindos das regiões litorâneas e, por isso, era desejo dos bandeirantes escravizar os índios, algo proibido pela coroa portuguesa. Ocorreram vários conflitos entre bandeirantes e jesuítas ao longo da história colonial do Brasil.

Mineração

A partir da descoberta do ouro na região de Minas Gerais , a coroa portuguesa tentou criar meios de controlar a exploração do metal e garantir rendimentos através das Intendência das Minas e da Casa de Fundição. As Intendências visavam cuidar dos negócios da mineração e Casa de Fundição transformava o ouro em pó ou pepita em barra e, ao mesmo tempo, era recolhido o quinto. A coroa ficava com 20% de todo o ouro entregue para a fundição.

A mineração trouxe algumas novidades para a colônia.
- transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro (1763 - século XVIII)
O que pode ser entendida como um deslocamento da importância política e econômica do Nordeste para o Sudeste.
- aumento da produção de alimentos na região das minas e surgimento de novas áreas de comércio
- maior desenvolvimento da pecuária - favorece a interiorização pelo território da colônia.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Capítulo 5: "A África e o tráfico negreiro"

    Aconselho a leitura completa desse capítulo. Ele é longo e tem muitas informações, mas ajudará vocês entenderem o que vou escrever sobre ele. O capítulo complemente o post. Peço isso porque não terei tempo de escrever tudo.
A escravidão sempre existiu no continente africano, logo não se trata de algo inventado pelos europeus a partir do contato travado com os africanos através da Expansão Marítima para atender aos seus interesses. O modo mais comum de fazer escravos era através dos conflitos tribais, pois os vencedores desses conflitos tinham o direito de escravizar os derrotados.

Portugueses na África
Ao longo da expansão marítima, no século XV, os portugueses estavam interessados em trocar especiarias, ouro e escravos com os africanos. Muito antes de colonizarem o Brasil, os portugueses já compravam escravos para Lisboa e para as ilhas do Atlântico, onjá havia produção de açúcar.
Os portugueses se concentraram na região Congo-Angola. Em geral, os escravos dessa região eram trazidos para o Rio de Janeiro. Por outro lado, na Bahia, os escravos eram provenientes da região onde hoje é a Nigéria.

Escravidão como negócio
Para que o comércio fosse possível era necessário que os próprio africanos e seus governantes estivessem envolvidos na atividade comercial de venda de escravos. Os cativos eram levados em caravanas ao longo de rotas comerciais no interior do território pelos próprios africanos até o litoral para depois serem embarcados para a América ou mesmo Europa. Os europeus não entraram no continente africano por desconhecimento do território e por causa das doenças. 

A venda de escravos para europeus explica, em parte, a formação dos reinos africanos, formados através dos recursos provenientes do comércio, como ouro ou mesmo dinheiro, embora fosse comum também a troca de mercadorias por escravos. Essa prática comercial era interessante para os chefes africanos porque havia interesse por parte deles de obterem produtos que no seu território indicariam distinção social e poder diante dos demais que disputassem o controle do reino. Esse relacionamento com os europeus ajudou a fortalecer os chefes e os reinos que governavam. Além disso, havia também o interesse em formar reinos na tentativa de evitar uma possível escravização que poderia atingir a todos.