segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Unid. 8 - Cap. 1 e 2 - Do Império à República

Neste capítulo abordamos os motivos que levaram à queda da Monarquia e a substituição pela República.
Um dos motivos foi a Guerra do Paraguai (1864-1870). O início do conflito, envolvendo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai foi motivado por uma grande disputa pelo controle da região da bacia do Prata, a região platina. O Brasil, por exemplo, desejava garantir o acesso ao seus territórios no interior, mais acessíveis por navegação pelo rio da Prata. O Paraguai, por outro lado, desejava obter uma saída por mar. Havia também a disputa entre Brasil e Uruguai por territórios férteis e dedicados à pastagem no sul do país. Muitos são os motivos para a eclosão do conflito. 
O que nos importa é lembrar que após o ataque paraguaio, o Brasil e a Argentina, formou-se rapidamente a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) para lutar contra o Paraguai. A guerra se prolongaria até 1870 e seria vencida pela coligação de países, com a liderança do Brasil. Porém, a vitória trouxe grandes consequências. Uma delas foi o aumento da dívida externa do país com a Inglaterra porque o governo brasileiro precisou de diversos empréstimos para cobrir os gastos com o conflito. Além disso, a Coroa imperial não cumpriu com promessas feitas ao Exército como indenizações para os feridos na guerra e para órfãos e viúvas, a doação de terras e melhores salários. Fato que criou um distanciamento entre o Exército e a Coroa. Não bastasse isso, a liberdade de escravos obtida a partir da participação no conflito criou uma grande contradição porque alguns negros serviam para lutar pelo país, mas ainda assim existia a escravidão que impedia considerar essas pessoas como cidadãs.
Nesse mesmo contexto ganhou força a campanha abolicionista e o movimento republicano. O questionamento à escravidão teve seus primeiros sinais em 1850 após a aprovação da Lei Eusébio de Queiroz. Afinal, não era possível trazer novos escravos, mas o uso do trabalho escravo era permitida. Nos anos 1860 ganhou força a resistência escrava e também a atuação de clubes abolicionistas que se organizaram para a compra de liberdade de escravos e espalhar ideias pelo fim da escravidão através de jornais, charges e manifestações.
A abolição viria de modo lento e gradual. Porque foram necessárias várias leis até a abolição completa do trabalho escravo. Em 1871 foi aprovada a Lei do Ventre Livre. Estabelecia que todos filhos e filhas de escravas nasceriam livres, mas cabia ao senhor libertá-los após os 7 anos ou se o manteria até os 21 anos trabalhando para ele como forma de indenização.
Em 1885 foi aprovada a Lei dos Sexagenários. Estabelecia a liberdade para todos os escravos com mais de 60 anos, mas estes seriam obrigados a trabalhar mais 3 ou 5 anos para seu senhor como forma de indenização. 
Somente em 1888 foi aprovada a Lei Áurea que estabelecia a liberdade de todos os escravos e não indenizava os proprietários. É importante lembrar que, embora o fim da escravidão tenha sido conduzido pelo próprio governo e fosse um desejo pessoal de D. Pedro II e da princesa Isabel, deve-se reforçar a ideia que a abolição também foi obra dos constantes atos de resistência dos escravos e da campanha abolicionista cada vez mais intensa na década de 1880. Com a assinatura da lei a Coroa perdeu uma importante base de apoio político, aqueles fazendeiros ainda agarrados e dependentes do trabalho escravo, muitos deles abraçaram o republicanismo.

O Republicanismo ganhou força e adeptos a partir de 1870. O "Manifesto Republicano" lançado no mesmo ano criticava o poder Moderador e a vitaliciedade do Senado e defendia a implantação de uma Republica democrática, representativa e do federalismo
O federalismo estabelece a maior liberdade para os estados criarem suas próprias leis e criarem seus próprios impostos. (A Monarquia não aceitava essa ideia). O movimento cresceu muito, principalmente em São Paulo, com amplo apoio da burguesia cafeicultora do Oeste paulista. A implantação da República recebeu o apoio também da classe média, representados por professores, advogados, médicos, dentre outros grupos. Houve também aqueles denominados de "republicanos de 14 de maio", indivíduos que passaram a defender o republicanismo após a assinatura de Lei Áurea.

A Guerra do Paraguai e o distanciamento do Exército, o Movimento Republicano e a abolição da escravidão são três importantes fatores que explicam o porque de um golpe realizado pelo próprio Exército em 15 de novembro de 1889 que derrubou a monarquia e a implantou a República não ter mobilizado ninguém por D. Pedro II.

Unidade 8 - cap. 1 - A economia cafeeira e a mão de obra

Olá,
escrevei sobre o cap. 1, como o título adianta.
Lembrem que o conteúdo da prova é toda a unidade 8, com os capítulos 1, 2 e 3. Como mostrei para vocês no Facebook, a avaliação está mais concentrada no cap. 1 e 2. Colocarei o cap. 2 aqui nesse post mesmo. Ok?

Vamos lá!

A economia cafeeira teve início ainda no século XVIII, mas se desenvolveria plenamente apenas no século XIX muito influenciada pelo crescente consumo do produto e, consequente aumento nos preços, nos Estados Unidos e na Europa. A plantação foi iniciada, principalmente, no Vale do Paraíba (RJ), região de terras extensas com solo e clima favoráveis. Surge ao mesmo tempo uma nova elite e classe política no Brasil, os barões de cafés. Utilizava-se, sobretudo, a mão de obra escrava nos cafezais, fato que deu novo impulso para o tráfico de escravos para o Rio de Janeiro.
A região do Oeste Paulista, região que abrange cidades como Piracicaba, Jundiaí, Campinas, dentre outras, também foi uma zona de expansão do café após 1840 e tornou-se a principal região produtora em razão da acentuada decadência da produção no Rio de Janeiro, no Vale do Paraíba, por causa da dificuldade de obter escravos após a Lei Eusébio de Queiroz de 1850 (proibia a a entrada de novos escravos no Brasil), o uso intensivo do solo e a falta de investimentos para melhoria técnica. 

Também foi constata presença de mão de obra escrava no Oeste paulista. Porém, ao mesmo tempo, a região recebia cada vez mais imigrantes ao longo do século XIX para trabalhar como mão de obra livre e recebendo salário. Existiram dois modelos que recebiam os imigrantes, o sistema de parceria e anos depois o sistema de colonato. O que nos interessa no momento é que a atividade econômica cafeeira introduziu uma nova relação de trabalho no Brasil, ou seja, a assalariada e livre.

Além de incentivar a imigração e introduzir um novo conceito de mão de obra a cafeicultura influenciou também na industrialização e urbanização do país. Porque a riqueza gerada pelo café passou a ser utilizada em diversos setores da economia e na mudança nos espaços urbanos. É dessa época a criação de diversas ferrovias para ligar as áreas produtoras de café no Rio de Janeiro ou São Paulo os portos de cada província. Nesse contexto, diversos bancos chegaram ao país, muitos deles ingleses, e empresários realizaram diversos empreendimentos para a modernização e urbanização do Brasil, principalmente no Sudeste, que tornou-se a região mais importante economicamente. A partir de 1850, investimentos estrangeiros e nacionais foram aplicados para a iluminação pública à gás, a implantação de bondes, do telégrafo e a própria abertura de novos bancos podem ser exemplos de desenvolvimento de algumas cidades brasileira.
Apesar do crescimento econômico e urbano, o Brasil continuou um país de economia agrária e exportadora, na qual a maioria da população continuava trabalhando no meio rural.

Em 1850 foram aprovadas duas leis que marcaram a sociedade daquela época. Uma delas foi a Lei de Terras. Estabelecia que a ocupação do terrenos pertencentes à Coroa seria permitido somente através da compra, dificultando assim, o acesso para a grande parte da população. Até essa data o acesso à terra acontecia por ocupação ou por doação da Coroa. Essa lei foi aprovada porque a elite agrária do país via com temor o crescente número de libertos (ex-escravos) e de imigrantes que podiam escapar ao seu controle caso ocupassem novas terras e não dependessem dos grandes senhores.
É de 1850 também a lei que proíbe a entrada de novos escravos no país: a Lei Eusébio de Queiroz. Trazer escravos após essa data era cada vez mais perigoso e arriscado, pois a Marinha britânico atuava fortemente no Atlântico interceptando navios negreiros e retornando os escravizados para o continente africano.