sábado, 22 de novembro de 2014

Cap. 17 - Estados Unidos no século XIX

Olá,
com esse post completamos a matéria da av2.

Sobre os Estados Unidos no século XIX temos 2 assuntos para tratar: a "Marcha para o Oeste" e a "Guerra Civil".

A "Marcha para o Oeste" trata da expansão territorial dos Estados Unidos para a região Oeste da América do Norte. Os novos territórios foram obtidos por compra, guerras ou acordos diplomáticos. A Flórida, por exemplo, foi comprada da Espanha, o Alasca passou para os EUA através de um acordo com a Rússia e o Texas foi obtido por conflitos com o México.

E por que ir para o Oeste?
O governo dos Estados Unidos incentivou o deslocamento das pessoas porque era um meio de resolver o desemprego e concentração da população no leste porque havia a possibilidade de obter terras e achar ouro. Muitas vezes esse avanço e ocupação do interior do território foi feito sobre os índios e, assim como no Brasil, vários indígenas foram exterminados para garantir o domínio da região.

Essa expansão nos leva ao outro assunto: a guerra civil.

A partir da expansão territorial surgiu o debate se a escravidão seria aceita ou não nos novos territórios e ao mesmo tempo o país passava por eleições presidenciais nos Estados Unidos. A região Norte do que foi as 13 colônias tornou-se uma região mais rica, industrializada, ligada por ferrovias e com intensas trocas comerciais e por isso, eram contrários a expansão da escravidão. O sul por outro lado era uma região mais agrária com uma forte produção de algodão e forte uso do trabalho escravo. 
Devemos lembrar também que o movimento abolicionista nos Estados Unidos estavam em ampla campanha para o fim da escravidão. Para intensificar tensionar mais a situação Abraham Lincoln vence as eleições para presidente. Linconln era um político contrário ao avanço da escravidão para os novos estados que passaram para domínio dos Estados Unidos.

Os estados do Sul reagiram diante dessa situação na qual o próprio presidente do país era contra a expansão da escravidão e se separam do governo federal e formaram a Confederação de Estados da América. Assim, teve início a Guerra Civil ou a Guerra de Secessão. 

A Guerra Civil (1861-1865) foi um conflito travado entre os estados do Norte (União) e Sul (Confederados) dos Estados Unidos para decidir sobre o futuro da escravidão no país e foi marcado por diversos conflitos. Com o tempo os exércitos do Norte mostraram mais força do que o dos Confederados e à medida que as forças da União avançavam pelo sul, aboliam a escravidão nesses territórios. O Norte tinha mais condições de manter essa luta do que o Sul por ser uma região mais rica e industrializada, por isso, o norte tinham mais recursos para se manter nesse conflito e o sul, aos poucos foi derrotado.
Com o fim do conflito a Constituição dos Estados Unidos de 1776 passou duas transformações. A primeira foi a 13a Emenda que estabelecia o fim da escravidão em todo território dos Estados Unidos e a 14a Emenda que estabelecia a a ampliação dos direitos civis para os negros, como o direito ao voto. 
Apesar da vitória do Norte e o fim da escravidão não podemos pensar que o racismo e discriminação foi extinta automaticamente. Aliás, até hoje os EUA vivem problemas raciais e sociais. É desse contexto o surgimento da Ku Klux Klan, uma organização racista criada para perseguir e matar negros.

Capítulo 16: Período Regencial (1831-1840)

Olá pessoal,
como já diz o título esse post é sobre o Período Regencial.

Vimos que o I Reinado chega ao fim a partir da abdicação do trono de d.Pedro I e sua consequente partida para a Portugal. Seu filho, porém, contava com apenas 5 anos de idade e obviamente não poderia governar o país. Quem faria isso então? A Constituição de 1824 estabelecia que uma regência governaria o Brasil em nome do imperador enquanto o príncipe fosse menor de idade. Veremos que nesses anos a discussão entre centralização e descentralização da administração do país ganhará ainda mais força. (Lembrem-se que a interferência de d.Pedro I em assuntos provinciais causou descontentamento nas províncias)

E quais as correntes políticas podemos identificar nesse momento? Haviam três.
liberais moderados: eram proprietários de terras e escravos, defendiam a manutenção do voto censitário e eram contrários ao retorno de d. Pedro I.
liberais radicais: defendiam a descentralização através da criação da república e do federalismo e a abolição gradual da escravidão.
restauradores: se havia aqueles contrários ao retorno de d. Pedro, havia quem fosse a favor. Esses são os restauradores. Porém, essa corrente não existiu muito tempo porque o primeiro imperador morreu em 1834.

Período Liberal
O período liberal é marcado por algumas mudanças em certos assuntos. Por exemplo, nesse período foi formada a Guarda Nacional. Tratava-se de uma força auxiliar ao Exército, mal organizado e mal pago e baseava-se em armar cidadãos considerados confiáveis para lutar em revoltas e com isso, defender os proprietários de terras e escravos.
É desse período também uma mudança significativa: Ato Adicional de 1834.
Tratou-se de uma adição à Constituição de 1824 e estabelecia que as as Assembleias Provinciais ganhariam maior autonomia e poderiam decidir sobre a aprovação ou não leis, cobrança de impostos e contratação e demissão de funcionários. O ato estabelecia também que a regência passaria a ser Una e não Trina e o poder Moderador e o Conselho de Estado não seria utilizados pelo regente.

Ato Adicional em tópicos:
- estabelecia maior autonomia para as províncias
- mudança da regência trina para a una
- o poder Moderador e o Conselho de Estado não seriam utilizados.


Revoltas Regenciais
A maior liberdade para as províncias gerou consequências nessas regiões porque as elites locais passaram a disputar o poder e algumas delas ameaçaram seriamente o mapa do Brasil como conhecemos hoje. Devemos destacar também que algumas dessas revoltas refletiam as dificuldades da vida cotidiana e da realidade local. 

1) Cabanagem (Pará - 1833-1837)
Houve a explosão dessa revolta a partir de divergências entre os dirigentes locais sobre a nomeação do presidente de província e contou com a participação de índios, escravos e mestiços. Os revoltosos chegaram a declarar a separação do Brasil, o que não demorou muito para ser desfeito, pela forte repressão das tropas imperiais.

2) Revolta dos Malês (Bahia - 1835)
Essa revolta foi um fato interessante na nossa história. Trata-se de um levante de escravos muçulmanos. Lembrem-se do Haiti e do pavor - chamado de haitianismo - entre a elite colonial brasileira com relação a um movimento parecido no país. O haitianismo ainda estava muito vivo na memória da nossa sociedade. Os escravos queriam criar um estado islâmico na Bahia e o movimento não foi adiante porque foi delatado e contou com forte repressão imperial.

3) Sabinada (Bahia - 1837)
Liderada por Francisco Sabino Barroso, daí o nome Sabinada. Queria estabelecer uma republica federalista e se separar do Brasil e defendia a libertação dos escravos que participassem do levante. Assim como as demais, o movimento foi desfeito em alguns meses pelas tropas imperiais. 

4) Balaiada (Maranhão - 1838)
Foi uma revolta contra a pobreza local, mas também foi marcada por disputas entre as elites locais. Os seus participantes enalteciam a Constituição e d. Pedro II e foi marcante a presença de escravos.

5) Revolta da Farroupilha (1835-1845)
Essa revolta foi a mais longa e a mais difícil de ser resolvida, tanto é que se estendeu por 10 anos. A revolta, liderada por Bento Gonçalves, teve início principalmente pela questão do charque. O charque é a carne seca e o Rio Grande do Sul vendia esse produto para todo o Sul e o centro-sul do país e o Rio de Janeiro era seu principal comprador. Os gaúchos estavam descontentes porque os impostos cobrados sobre o charque argentino era menor do que os cobrados ao charque brasileiro e como as negociações entre o governo regencial e os gaúchos não avançaram, eclodiu a revolta e por quase 10 anos o Rio Grande do Sul e Santa Catarina não fizeram parte do Brasil. Os conflitos entre os gaúchos e as tropas imperiais chegaram ao fim através de muitas negociações e também por meio da anistia (perdão) aos rebeldes, a integração de oficiais ao Exército brasileiro e ficou acertado ainda que os escravos participantes da revolta seriam libertos, o que nunca aconteceu!

domingo, 2 de novembro de 2014

Independência e Primeiro Reinado

Este NÃO NÃO NÃO é para copiar!
Este post é a explicação do que vocês colocaram no caderno. Naquele temos praticamente os tópicos.

     Para falar de Independência do Brasil precisamos passar pela Revolução Liberal do Porto de 1820. Naquela altura poucos pensavam em se separar de Portugal e ninguém imaginava que em 1822, apenas 2 anos depois o Brasil romperia seus laços com Portugal. Para explicar essa Revolução precisamos entender a motivação dos portugueses nesse movimento. Bem, a antiga metrópole encontrava-se em uma dupla crise: política e econômica. Política porque o país era governado por ingleses e econômica porque viu seus rendimentos caírem depois da abertura dos portos brasileiros para as nações amigas. 
     Há uma frase muito famosa sobre essa Revolução: "Movimento liberal para Portugal e conservador para o Brasil". E por que? Liberal para Portugal porque exigia o retorno de d. João (o que acontece em 1821) e previa a limitação dos poderes do rei D. João VI ao criarem uma Constituição para o país e conservadora para o Brasil porque pretendia recolonizar a região. Mas o Brasil já não era uma colônia? Não, uma das medidas de D. João VI transformou o Brasil em reino, igual a Portugal, em 1815. Além disso, em 1810, o mesmo príncipe regente formalizou a abertura dos portos através dos Tratados com a Inglaterra.
    No contexto da Revolução são formadas as Cortes em Portugal, justamente para discutir a constituição portuguesa e os rumos para o Brasil. Havia inclusive representantes brasileiros enviados para Portugal. As Cortes tentaram de vários meios fazer a recolonização criando medidas como a subordinação das regiões brasileiras à Lisboa e não ao Rio de Janeiro, a anulação dos Tratados de 1810 com a Inglaterra e o retorno de órgãos de administração que estavam no RJ para Lisboa.
   Começaram, então, a surgir correntes que eram favoráveis ou não à recolonização como o "partido" português, favorável a recolonização e o "partido" brasileiro que preferia manter as situação como estava. Por fim, os liberais radicais que defendiam a separação com Portugal, a formação de uma República e o fim da escravidão. Com a pressão das Cortes em Portugal, d. João VI deixa o Brasil em 1821 e deixa o seu filho, Pedro, governando em seu lugar.
     As Cortes passaram a pressionar pelo retorno do príncipe regente para agilizar a recolonização. No início de 1822, houve o "dia do Fico", ou seja, Pedro ignora a primeira ordem de retorno para Portugal e afirma publicamente que permaneceria no Brasil e declara que as tropas portuguesas contrárias as sua permanência foram consideradas inimigas. Meses depois teve início a discussão sobre a convocação de de uma Assembleia Constituinte. Em setembro as Cortes reagem e anulam os poderes do regente Pedro e exigem o seu retorno imediato. Ao saber disso, o príncipe que se encontrava em São Paulo para obter apoio a separação de Portugal declara o Brasil independente.
     Porém, nem todas as regiões do novo país eram favoráveis a separação de Portugal. Por isso, foram registrados conflitos no Norte e Nordeste que preferiam a ligação com os portugueses e não com o Rio de Janeiro, mas as forças do Brasil conseguiram manter as regiões rebeldes. Assim, tiveram início as discussões sobre a primeira Constituição do Brasil.
     A primeira Constituição escrita pela Assembleia Constituinte foi desconsiderada por d. Pedro I e a assembleia foi desfeita. O país conheceria a nova Constituição somente em 1824 e ela estabelecia a divisão dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) mais o Poder Moderador de uso exclusivo do imperador e podia interferir em diversos assuntos, como dissolver a Câmara dos Deputados e convocar novas eleições. Ficou estabelecido que governo era uma monarquia hereditária constitucional. O voto para eleições para a Câmara e Senado eram indiretos e censitários. Não havia eleições para os presidentes de província, pois eles eram nomeados pelo Imperador. Além disso, havia o Conselho de Estado, composto por nomeações vitalícias pelo próprio d. Pedro.
Nesse mesmo ano explode a Confederação do Equador. A revolta é iniciada pela substituição do presidente de província de Pernambuco pelo imperador. O levante era uma reação à centralização política do imperador, por interferir nos assuntos da província trocando o presidente da província. Logo, reivindicavam a autonomia da província, a criação de uma república e da adoção do federalismo. O movimento foi fortemente reprimido pelas tropas imperiais.

    O Primeiro Reinado (1824-1931) é marcado por uma série de problemas para o Brasil. No contexto internacional, os nossos principais produtos de exportação (algodão, açúcar e o café) encontravam-se em baixa, fato que diminuía a arrecadação de dinheiro do país. O governo imperial era acusado de centralista, exemplo disso foi a Confederação do Equador. Além disso, o Brasil se envolveu em um conflito com o Uruguai e isto desagradou mais ainda a sociedade em geral porque aumentou os gastos militares, o recrutamento para tropas era forçado e vários postos de comando eram ocupados por portugueses ao invés de brasileiros.
     Junte-se a isso tudo, em 1826, morre d. João VI, pai de d. Pedro I e rei de Portugal. Os adeptos da independência viam toda a possibilidade de um restabelecimento de laços com Portugal. A partir daí o sentimento antilusitano torna-se cada vez mais forte e evidente e essa aversão aos portugueses chegaria ao seu ponto máximo na "Noite das Garrafadas". Fato histórico que marca o fim do I Reinado e trata-se de conflitos nas ruas do Rio de Janeiro entre portugueses que apoiavam o imperador e os brasileiros. Desgastado e diante dessa tensa situação, d. Pedro I abdica do trono em nome de seu filho, futuro d. Pedro II e dias de depois retira-se para Portugal para tornar-se rei lá.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Independência do Brasil e Primeiro Reinado (Caderno)

Turma,
copiem isso para o caderno, por favor. Lembrem que conta ponto no trabalho bimestral.


Revolução Liberal do Porto (1820): movimento ocorrido em Portugal, na cidade do Porto, 

- Crise política: porque Portugal era governado por ingleses. O rei, D. João VI encontrava-se no Brasil.
- Crise econômica: o fim do pacto colonial a partir da abertura dos portos brasileiros trouxe problemas para Portugal, pois o mercado brasileiro foi aberto para outros produtos.

"Movimento liberal para Portugal e conservador para o Brasil":
liberal para o Portugal porque exigia o retorno do rei e a formação de uma Constituição para limitar os seus poderes. Conservadora para o Brasil porque defendia a sua recolonização. Em 1808, os portos brasileiros são abertos para outros países e em 1815, o Brasil deixa de ser colônia e torna-se um reino.

- formação das Cortes, em Portugal, para discutir a Constituição e a situação do Brasil. Foram elaboradas as seguintes medidas
   subordinar as regiões do Brasil à Lisboa e não ao Rio de Janeiro
  tentativa de anular os Tratados de 1810 com a Inglaterra (os tratados que estabeleciam a abertura dos portos)
    retorno de órgãos de administração para Portugal

Formação de "partidos
"partido português": representavam setores do comércio e militares
"partido brasileiro": representavam setores dos proprietários rurais, comerciantes e alguns funcionários da monarquia.
"liberais radicais": defendiam a independência, a formação da República e o fim da escravidão.

Podemos afirmar que a decisão de fazer parte um "partido" ou outro dependia dos ganhos obtidos ou não através das mudanças com a vinda da Corte para o Brasil.

Com o retorno de d. João IV para Portugal, quem passou a governar o reino do Brasil, foi seu filho, d. Pedro. A pressão das Cortes pedindo o retorno do príncipe era imensa para possibilitar a recolonização, por isso, d. Pedro declara a sua permanência do Brasil.

- Convocação da Assembleia Constituinte no Brasil

- nova exigência de retorno de d. Pedro para Portugal
- anulação dos poderes de d. Pedro pelas Cortes
- D. Pedro declara a independência em 7 de setembro de 1822.

Resistência à separação
- guerras contra a independência entre brasileiros e portugueses: regiões do nordeste e norte não aderiram ao movimento de separação. Provocando conflitos no início de 1823.
- indenização paga para Portugal para reconhecer o Brasil independente

Constituição de 1824

- estabelecia a divisão dos três poderes e a criação do Poder Moderador
- adotava o governo monárquico, hereditário e constitucional
- criava a Câmara dos Deputados e o Senado
- estabelecimento do voto censitário
- formação do Conselho de Estado

Confederação do Equador (1824)
- revolta iniciada pela substituição do presidente de província de Pernambuco pelo imperador d. Pedro I.
- adesão de RN, CE, PE, PB, PI e PA
- a revolta foi uma reação à centralização política do imperador
- defendiam a autonomia da província, a criação de uma república e a adoção do federalismo
- reprimidas pelas tropas imperiais

Primeiro Reinado (1824-1831)
Guerra da Cisplatina (Uruguai)
- provoca aumento dos gastos militares
- o recrutamento para fazer parte do Exército é forçado
- portugueses no topo da hierarquia incomodava os oficiais brasileiros

- problemas econômicos: baixa no preço dos produtos agrícolas vendidos pelo Brasil (algodão e café)
- sucessão em Portugal (1826): morre D. João VI. Possibilidade de nova união com Portugal?
- sentimento antilusitano

- conflito entre portugueses e brasileiros no Rio de Janeiro: "A noite das Garrafadas"
- Abdicação do trono de 7 de abril de 1831

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Capítulo 12 - "Brasil: de Colônia a Império"

Fala turma,
esse post é para a AV2.
Nessa prova teremos o capítulo 12 e 13, mas farei apenas UM post para esses 2 capítulos. Peguei tudo de mais importante deles e reduzi em uma publicação só. Por isso, se alguém por acaso pegar o livro achará algumas informações no cap. 13 e não no 12. O cap. 12 é o mais importante.

Bom, começando.

     O assunto que estudamos nas últimas aulas foi a transferência da corte portuguesa para o Brasil. Essa mudança ocorre no contexto das invasões napoleônicas sobre as monarquias absolutistas, dentre elas Portugal porque este reino apresentou certa resistência em aceitar o Bloqueio Continental imposto por Napoleão. Devido a demora do príncipe regente D. João VI em se posicionar entre a Inglaterra e a França, o imperador francês marcha sobre Portugal, fato este que provoca a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil com o apoio da Inglaterra. Com isso, o Brasil, então uma colônia, para a ser o centro político do que restava do Império português.

     Assim que chegou ao Brasil, em 1808, D. João VI decreta a abertura dos portos para as nações amigas (leia-se Inglaterra). Isso quer dizer que a colônia agora tem liberdade para comercializar com outros países e não apenas com Portugal. Logo, é possível dizer que o pacto colonial deixava de existir.
    Em 1810, é assinado o Tratado de Aliança e Comércio entre Portugal e a Inglaterra que estabelecia diferentes taxas alfandegárias para produtos importados. É nesse contexto também que a Inglaterra começa a pressionar o Brasil e Portugal para dar fim ao tráfico de escravos. Assunto que se arrastaria por mais 40 anos.
     Além disso, D. João VI revoga (anula) o Alvará de 1785. Esse alvará estabelecia a proibição da criação de manufaturas na colônia. Portanto, D. João libera a produção colonial. Porém, a medida encontra resistência porque os produtos ingleses faziam forte concorrência aos manufaturados brasileiros. Essa e outras medidas tinham por objetivo modernizar a colônia para melhor atender a família real.
Podemos destacar também:
- a criação da Academia Militar
- a criação das Faculdades de Direito e Medicina
Ambas preocupadas com a formação de pessoas. Apesar de muitos funcionários do reino Português virem com a Família Real era preciso formar alguns colonos nesses assuntos para suprir faltas de profissionais
- a criação do Banco do Brasil
- a criação da Academia de Belas Artes: o objetivo era desenvolver a vida cultural da sede da colônia.
- Museu Nacional. Localizado na Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão e também serviu de residência para a Família real.
- Real Biblioteca: a coleção de livros que deu origem a essa biblioteca se transformou hoje no acervo da Biblioteca Nacional, localizada no Centro do Rio de Janeiro.
- Imprensa Régia: é criado o primeiro jornal na colônia, A Gazeta do Rio de Janeiro e noticiava assuntos do governo.

Porém as mudanças não param por aí.
1815: Brasil torna-se reino unido à Portugal e Algarves.
Trata-se de uma importante decisão política tomada por D. João VI. Com essa medida, o Brasil deixava de ser uma colônia e tornava-se um reino, ou seja, o Brasil passa a ter o mesmo status que Portugal. Essa decisão tem influências do contexto europeu porque em 1815, no Congresso de Viena, ficou estabelecido que, pelo princípio da legitimidade, as antigas monarquias depostas por Napoleão deveriam retornar ao trono. Porém, a sede reconhecida pelos monarcas era Lisboa, e não o Rio de Janeiro. Por isso, D. João VI decide tornar o Brasil um reino, para ter mais voz no Congresso.

Entre 1816 e 1817 esteve presente no Brasil a Missão Artística Francesa. A Corte portuguesa patrocinou a vinda de alguns artistas franceses para representar o cotidiano da corte e da colônia no Brasil.

Revolução Pernambucana (1817)
Essa revolta se iniciou em Pernambuco, mas acabou se espalhando para Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Influenciados pelas ideias do Iluminismo, como igualdade de direitos e certa liberdade religiosa, os revoltosos pretendiam se separar do Brasil e criar uma República. Eles criticavam também os aumentos de impostos para custear o conflito envolvendo o Brasil e o Uruguai (naquela época chamado de Cisplatina) em uma região (o Nordeste) que passava por dificuldades econômicas porque o algodão e o açúcar encontravam-se em decadência. 
Embora esse levante tenha se espalhado por outros estados, a sua duração foi curta. Apenas 3 meses após o início da repressão das tropas portuguesas e brasileiras.

domingo, 24 de agosto de 2014

Capítulo 11: "A crise do sistema colonial no Brasil"

Turma,
esse post fecha o conteúdo para a AVI.
Cap. 10 - A independência da América Latina
Cap. 11 - A crise do sistema colonial no Brasil

O primeiro aspecto que destaquei foi o "Despotismo esclarecido". 
Despotismo esclarecido marca a entrada de ideias Iluministas em algumas monarquias absolutistas. No caso de Portugal, isso ocorreu no reinado de D. José I (1750-1777) através de uma série de medidas tomadas pelo marquês de Pombal, um dos protegidos do rei português. O objetivo dessas medidas era empreender reformas que modernizassem o reino. 
Algumas dessas medidas:

Política Indigenista = uma das principais medidas de Pombal
Diretório dos Índios: são medidas adotadas para absorver os índios no que os portugueses consideravam a civilização.
- substitui a Língua Geral pelo português (a Língua Geral era baseada na língua Tupi)
- transformar as aldeias em vilas governadas por português.
- permitir e incentivar o casamento entre colonos e indígenas.
- estímulo ao abandono dos costumes indígenas pelos costumes portugueses.


- criação do Erário Régio = criação de um banco do reino.
- criação da Imprensa Régia = criação da imprensa para livros e jornais.
- fim da diferenciação de "cristãos-velhos" e "cristãos novos". 
       essa diferenciação existia desde o século XV, quando o judeus foram obrigados a se converterem ao catolicismo. Esses novos convertidos receberam o nome de "cristãos novos".
- expulsão dos jesuítas do Brasil e colônias portuguesas
- o Tribunal da Inquisição foi convertido em tribunal régio (do rei)
- o ensino tornou-se laico (= sem defender ou incentivar qualquer religião)
- transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro

E para o Brasil?

O Brasil nesse momento vivia o ciclo econômico da mineração que já entrava em decadência.
Surgem impostos como as 100 @ sobre a mineração e em caso de não atingir essa quantia, seria decretada a derrama = confisco dos bens dos produtores.
É por causa de uma iminente decretação da derrama que eclode a Conjuração Mineira.

Conjuração Mineira (1789)
É um movimento pensado e comandado pela elite local, queriam se separar de Portugal e a criar uma república. Isso seria feito pela eliminação do governador local.
Esse movimento foi influenciado pela Independência dos Estados Unidos e pelas ideias Iluministas.
Não houve êxito porque um dos conspiradores delatou o movimento.
Vocês verão em muitos lugares que o pobre Tiradentes sofreu castigos mais severos. Porém, recentemente uma nova visão da História defende que ele também tinha posses.

Resumo em tópicos
- movimento pensado pela elite colonial da região
- influências: Independência dos Estados Unidos e do Iluminismo
- Separar de Portugal
- implantar um governo republicano
- discute sobre a abolição da escravidão, mas não é uma reivindicação do grupo.
- Tiradentes sofreu um castigo exemplar para que outros colonos não conspirassem contra o rei. Ao contrário da explicação comum, Tiradentes era uma pessoa de posses.

Conjuração Baiana (1798)
Ao contrário da Conjuração Mineira esse movimento é marcado pela forte participação popular e possuía fortes influências da Independência dos EUA, a Revolução Francesa e a Independência do Haiti. Também tinham o desejo de se separar de Portugal e adotar a República e, além disso, abolir a escravidão.

Resumo em tópicos
- movimento pensado pela população (por isso participação popular) - como libertos (ex-escravos), escravos e pessoas comuns.
- Influências: Independência dos Estados Unidos e do Haiti e Revolução Francesa
- Separar de Portugal
- Adotar a República
- abolir a escravidão

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Capítulo 10 - Independência da América (caderno)

Turma,
essas são os slides para o caderno.

Independência da América Espanhola
Século XIX

Por que fazer a independência?

Estados Unidos da América como exemplo
Em 1776, os EUA tornaram independentes em relação à Inglaterra.

Influência de ideias Iluministas e da Revolução Francesa
Ambos os movimentos possuem ideias de liberdade política para decidir os rumos de maneira autônoma e também de liberdade individual

Espanha dominada por Napoleão Bonaparte
Os colonos argumentavam que não deviam obediência à Napoleão e sim, ao rei espanhol. Lembrem-se que Napoleão invadiu diversos países, dentre eles a Espanha.

Nacionalismo: começa a se desenvolver o sentimento de pertencer a um determinado país.


Independência do Haiti
Ocorrida em 1804. Foi a primeira colônia (depois dos EUA) a fazer sua independência.

Fato histórico relacionado com a Revolução Francesa
O período jacobino estabeleceu o fim da escravidão nas colônias francesas. Porém, na fase seguinte da revolução (dos girondinos) foi restabelecida o escravismo. Por isso, há um levante de escravos na colônia e é proclamada a independência do Haiti.

Haitianismo: ficou conhecido como o medo das elites coloniais, inclusive o Brasil, da possibilidade de haver um levante de escravos. No Haiti, isso resultou na morte de vários colonizadores.

Independência da América Espanhola
Divisão social nas colônias
chapetones: espanhóis naturais
criollos: filhos de espanhóis nascidos na América

Hipótese sobre a independência: os criollos eram excluídos da política da colônia e por isso, fizeram a independência.
Nova visão: Na verdade, os criollos estavam presentes em diversos cargos da administração colonial, exceto o cargo de vice-rei (maior representante da autoridade do rei na colônia) que sempre foi ocupado exclusivamente por espanhóis. A independência das colônias espanholas é melhor explicada pelo nacionalismo, pelo exemplo que os Estados Unidos exerceram sobre as demais colônias, pelas influências das ideias do Iluminismo e da Revolução Francesa e pela recusa de obediência à Napoleão que ocupou a Espanha.

Vice-reino da Prata
Dividido entre o Argentina, Paraguai e Uruguai. 
Formaram as Províncias Unidas do Rio da Prata.

Vice-reino da Nova Granada e Venezuela
Dividido entre a Venezuela, Colômbia e Equador
Formaram a República da Grã-Colombia

Porém, essas uniões não duraram muito tempo.

Pan-americanismo
Ideia de um dos libertadores da América e defendia que os países independentes deveriam se unir para formar apenas um país na América do Sul. Porém, a ideia não foi mantida pelos próprios criollos. Foram eles que conduziram a independência das colônias e os seus interesses políticos e econômicos só seriam atendidos se eles mantivessem o poder. Ou seja, era mais interessante para eles formarem diversos países nos quais eles ocupariam o poder político do que formar um grande país que poderia atender (ou não) aos seus interesses.

Importante: Os criollos participaram da independência de todas as colônias na América. O único caso diferente é do Haiti. Conforme estudada, a independência do país foi feita pelos escravos

Sobre os novos países 
- todos adotaram a República como forma de governo
- manutenção da economia agrária para a exportação e substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado.
- fim da mita e da encomienda (não precisa escrever em itálico!! E não para copiar esse aviso!!!!!!)
A mita era uma forma de usar a mão de obra indígena. Alguns índios eram obrigados a trabalhar temporariamente nas minas.
Na encomienda, o colonizador era responsável por uma tribo inteira na questão da mão de obra e comprometia-se também a convertê-los para o catolicismo.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Dicas para AV2

Olá turma,
seguinte: passarei algumas dicas para a AV2.
É uma prova longa, por isso ela se torna cansativa e difícil. Todas as questões têm um texto introdutório e eles podem, literalmente, assustar vocês. Por isso, indico que leiam o enunciado da questão primeiro e depois os pequenos textos. Façam com calma e atenção, é muito fácil vocês marcarem a opção errada nessa prova. Mas não se esqueçam as questões que passei para vocês ajudarão muito.
Estude por onde acharem melhor, mas sempre indico o blog e o caderno. Na caso, as questões do trabalho bimestral também.

Há uma questão que...enfim, boa sorte. Bem difícil. Apenas uma.

Conteúdo: Cap. 8 e 9 - Revolução Francesa e Período Napoleônico

Revolução Francesa
Dividida de diversas formas e acaba dificultando a compreensão, mas vamos lá.
Estudem tudo, óbvio. Mas com atenção especial para alguns pontos.
Olhem com atenção as medidas tomadas pela Assembleia Nacional Constituinte e o que levou os revolucionários a atacarem a Bastilha.
O período da Convenção está muito presente na prova. Portanto, estudo especial para ele, como as medidas adotadas nesse período revolucionário e a denominação alternativa para esse momento.

Período Napoleônico
Estudem tudo
Porém, atenção especial para o Bloqueio Continental. Qual o objetivo de Napoleão com ele e as consequências disso.


Quem entregou os DOIS trabalhos muito bem. Quem não entregou ou entregou apenas um já vai estudando para a recuperação, infelizmente.

Respostas do Trabalho

Observem como elas são curtas, objetivas, articuladas e sempre atendendo ao que foi pedido no enunciado. Lembrem-se o que falo: "Sempre é menos complicado do que vocês acham!"

Parte 1
1) alta de impostos e crise econômica.
2) Podemos citar o fim dos direitos feudais, o direito à propriedade e o fim da servidão camponesa.
3) A "Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão" concede liberdade política e religiosa para os cidadãos franceses e confirma as medidas adotadas pela Assembleia Constituinte. O documento garante e define os direitos básicos para todos. (Teoricamente)
4) A Constituição de 1791 cria o voto censitário e, com isso, estabelece que votariam apenas aqueles que possuíam uma determinada renda e coloca em prática a divisão de poderes em Judiciário, Executivo e Legislativo.
5) Esse período ficou conhecido como Terror. (Não sei qual foi a dificuldade de responder isso. Vi respostas mirabolantes nessa pergunta)
6) Os grupos políticos são os girondinos, os jacobinos e o pântano.
7) A Lei do Máximo estabelecia o congelamento dos preços para evitar a alta descontrolada.
8) A Revolução Francesa coloca em xeque o Antigo Regime e, consequentemente, as monarquias absolutistas por questionar o direito divino dos reis e desejar a limitação dos poderes dos monarcas e estabelecer uma representação diferente, mesmo que ela fosse escolhida por voto censitário. Além disso, a Revolução Francesa lança as bases para a nossa vida contemporânea a partir do momento que estabelece a divisão dos poderes no governo, as votações, a igualdade perante a lei e extingue os privilégios feudais.
(A 8 era bem complicada)

Parte 2
1) A Assembleia Constituinte estabelece a igualdade de todos perante as leis e, consequentemente, pôs fim aos privilégios feudais da nobreza e do clero.
2) Porque a Bastilha era considerada um símbolo do poder absolutista.
3) A Convenção também ficou conhecida como Terror por causa da radicalização e perseguição de contra-revolucionários e questionadores das atitudes dos jacobinos.
4) Podemos citar a extinção da escravidão nas colônias, a Lei do Máximo e o estabelecimento do voto universal masculino.
5) O objetivo de Napoleão era enfraquecer a Inglaterra a partir a proibição da comercialização dos manufaturados ingleses com a Europa continental. A consequência para Portugal, aliado de longa data dos ingleses, foi a transferência da Família Real portuguesa para o Brasil diante da invasão francesa.

(Difícil. Poderíamos escrever escrever escrever e escrever sobre ela) 6) A crise do Antigo Regime se dá a partir do momento que o povo e a burguesia (3° Estado), sempre influenciados pelas ideias iluministas passam a questionar o governo (formado por nobres e clero), a forma como eram escolhidos os representantes e os privilégio desses dois grupos.
7) O Congresso de Viena estabeleceu o "Princípio da Legitimidade" que previa o retorno das dinastias derrubadas do poder pelo avanço revolucionário francês e criou a Santa Aliança, um pacto militar entre as monarquias absolutistas formado para conter possíveis movimentos liberais como da Revolução Francesa.
(Difícil) 8) Napoleão chegou ao poder através do Golpe do 18 Brumário. Além de tentar trazer a normalidade de volta para a França através das obras e a criação do Banco Francês, também é desse período a criação do Código Civil e a invasão de praticamente toda a Europa.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Exercícios - Parte 2 do Trabalho

Turma,
essa é a 2a parte do trabalho.
Data de entrega: 27/06 (sexta feira).
Quem não entregar no dia 27 ficará sem a nota da segunda parte do trabalho.
Não receberei trabalhos feitos em folha de caderno!!!!!!!!!!!
Para agilizar, quem quiser pode imprimir as perguntas e escrever as respostas
Respostas iguais em trabalhos diferentes serão anuladas.
Muitos alunos não estão com o caderno completo, verificarei amanhã novamente. Caso continue incompleto, não receberão a pontuação completa.
O blog está atualizado com os 2 capítulos da prova. Utilize-os para resolver as questões, pare de olhar na internet. 
Não é permitido copiar trechos do blog para responder as perguntas. Descontarei ponto de quem fizer isso, o objetivo é responder com as próprias palavras.

Atenção
.
ANULEI 4 trabalhos porque as respostas estavam idênticas. Eu avisei que não aceitaria isso nesse trabalho. A ideia é que você exercite a escrita e a interpretação da pergunta, copiar do colega não atende ao objetivo que eu quero com esse trabalho.

Estou sendo muito rigoroso na correção. Façam com calma e atenção.

Composição da nota do trabalho
4,0 - Exercícios
4,0 - Exercícios (parte 2)
2,0 - Caderno completo

Exercícios.
1) Cite e explique três medidas da Assembleia Nacional Constituinte. 


2) Considera-se que a Tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789 marca o início da Revolução Francesa e também da História Contemporânea. Por que os revolucionários destruíram a Bastilha?


3) A Convenção, liderada por Robespierre, ficou conhecido por um outro nome. Responda que nome é esse e por quê?


4) Cite três medidas tomadas na Convenção.


5) Com relação ao Bloqueio Continental responda qual era o objetivo de Napoleão com essa medida e qual foi sua consequência para Portugal.


6) Como podemos caracterizar a crise do Antigo Regime? (ou das monarquias absolutistas)


7) Cite e explique dois princípios estabelecidos pelo Congresso de Viena.


8) Como Napoleão chegou ao poder e quais as características do seu governo?


domingo, 22 de junho de 2014

Capítulo 9 - Período Napoleônico (1799-1815)

Turma,
com esse capítulo nos fechamos a nossa matéria da AVII.
Capítulo 8 - Revolução Francesa
Capítulo 9 - Período Napoleônico

Gostaria de avisá-los que poderíamos falar muito mais sobre Napoleão e o período que ele esteve no poder, porém não temos tempo. Por isso, coloquei o que era mais importante e o que vocês precisarão nas provas. Além disso, vocês estudarão isso tudo novamente e com mais detalhes, por isso não fico tão preocupado.
Vamos lá.

O governo de Napoleão Bonaparte tem início em 1799 com um golpe de Estado chamado "Golpe do 18 Brumário" contra o governo girondino. Com isso, inicia-se o Consulado.

V- Consulado

     Napoleão reorganiza o Executivo e o governo passaria a ser gerido por 3 cônsules, sendo que ele seria o Primeiro-Cônsul (claro!). Porém, Napoleão tomou outras medidas que buscavam melhorar a economia da França, como a criação do Bando Francês, responsável pela emissão de dinheiro e arrecadação de impostos, a recuperação da infra-estrutura do país para recuperar a atividade comercial. Além disso, Napoleão conseguiu uma trégua com a Inglaterra e as Coligações absolutistas que ficou conhecida como Paz de Amiens (1802). Foi criado também o Código Civil em 1804, trata-se de um conjunto de leis que organizam as relações entre as pessoas em sociedade e que, mais um vez, reforça a igualdade das leis, a igualdade civil, a liberdade individual e religiosa e o direito à propriedade. (No livro de vocês tem um box sobre isso, vale dar uma olhada).
    Porém, não podemos esquecer que Napoleão ao mesmo tempo pretendia dominar toda a Europa, pode-se dizer que foi nesse momento que os ideais da Revolução Francesa atingiu diversas regiões com mais força porque a cada nova conquista, a cada rei derrubado, essas ideias eram espalhadas entre a população diretamente pelos franceses, talvez até mesmo pelo próprio exército francês. (Por que não? As ideias revolucionárias circulavam muito na sociedade francesa, elas eram conhecidas e discutidas por diferentes setores da sociedade.). Com isso, Napoleão formou uma espécie de Império.
     Um Império que não conseguiu incluir a Inglaterra. Tentativas não faltaram. O problema era o seguinte: a Inglaterra é uma ilha e os ingleses além de serem a maior potência mundial, eles também tinham a maior marinha do mundo na época. (Não se esqueçam da Revolução Industrial: novas tecnologias também serão utilizadas nas batalhas e nos armamentos e os ingleses saíram na frente nessa corrida industrial.) A última tentativa francesa foi na Batalha de Trafalgar, em 1805, (batalha naval) na qual a marinha francesa foi praticamente destruída. Excelente militar que era Napoleão percebeu a nítida dificuldade de submeter os ingleses, por isso, pouco tempo depois estabeleceu o Bloqueio Continental (1806).
     O Bloquei Continental estabelecia a proibição entre a Europa continental e a Inglaterra. Napoleão tinha dois objetivos com isso. Um deles era desenvolver as manufaturas francesas que não conseguiam competir com os produtos ingleses e, com isso, evoluir na sua revolução industrial. Por outro lado, a França pretendia privar alguns recursos comerciais dos ingleses. Lembrem-se que a Inglaterra estava envolvida nas formações da Coligações contra a França revolucionária.

Portugal e o Bloqueio Continental
O contexto europeu explica a vinda da Família Real portuguesa para a principal colônia, o Brasil. Portugal tinha uma relação comercial de muitos anos com a Inglaterra e, no século XVIII, os portugueses eram extremamente dependentes dos ingleses. (e muito endividados também!). Do outro lado, estava Napoleão com o maior exército formado até aquele momento da História e com o principal estrategista. O que fazer? Portugal literalmente enrolou ingleses e franceses até onde pode. Optar pela França e aceitar o Bloqueio Continental era o mesmo que deixar as colônias desprotegidas (leia-se: Brasil). Porém, optar pela Inglaterra era o mesmo que ser invadido pela França e ser derrubado do poder. A decisão de Portugal só foi tomada no apagar das luzes de 1807 e quando Napoleão já tinha perdido a paciência e marchava em direção à capital Lisboa. Ficou acertado que a Marinha inglesa escoltaria a família real portuguesa para o Brasil. Essa TRANSFERÊNCIA, NÃO É FUGA DO REI, já estava sendo discutida há algum tempo, por isso que foi possível organizar uma viagem tão grande em tão pouco tempo. A Família Real traz todos os seus criados (ou empregados) e os parentes que viviam na Corte e, com cada um deles, vinha uma diversidade de objetos absurda. Por exemplo, o rei trouxe toda a sua biblioteca!!! (esses livros fazem parte hoje da Biblioteca Nacional).


Um livro foi muito vendido não faz muito tempo sobre esse assunto, chamado 1808 de Laurentino Gomes. É melhor não ler. Ali é apresentada uma visão de História muito rasa, simplista e ultrapassada. Quando vi os livros consultados percebi que o autor usou obras da História já ultrapassadas e que nós historiadores não usamos mais. Novos livros com explicações mais sofisticadas e mais complexas já foram escritos e explicam melhor esse acontecimento que pertence tanto à história europeia quanto à nossa própria história. Além disso, o autor (Laurentino Gomes) não é historiador e não teve a preocupação de fazer uma pesquisa mais cuidadosa e também não se preocupou com a sua escrita, pois ela está cheia de juízos de valor. Por exemplo, ele reforça a ideia de "rei fujão", algo que atualmente um historiador  não poder fazer JAMAIS e, além disso, não consegue perceber a mentalidade da época, nem perceber o que estava em jogo naquela situação. Enfim, faltou leitura e pesquisa consistente para esse livro.


Com a transferência da Corte, o príncipe regente D. João VI, perde o reino mas não perde a coroa (nem a cabeça!). O que isso quer dizer? O reino de Portugal poderia ser recuperado depois e, mesmo com a saída de Portugal, ainda assim ele era o regente do reino e não corria riscos de vida. Por fim, se Napoleão pretendia enfraquecer Portugal ou Inglaterra, ele obteve justamente o efeito contrário. Pois, com a vinda da Família Real a aliança entre Brasil, Portugal e Inglaterra se fortaleceu muito.

Retomando
     Uma vez dominada toda a Europa, faltava a Rússia. Aliás, mais um que desafiou o Bloqueio Continental. Napoleão reuniu simplesmente 420.000 soldados para invadir a Rússia (número assombroso para a época). Porém, o experiente militar francês ignorou o inverno russo e encontrou dificuldades na Rússia com a tática da "terra arrasada" empregada pelos russos. O exército russo pouco resistia ao exército napoleônico e recuou até a capital, mas a cada cidade perdida, os próprios russos destruíam tudo. Casas de poderiam servir de alojamento para os franceses, estragavam a comida deixada para trás, contaminavam a água nos poços. Tudo para dificultar o abastecimento do enorme exército francês. Ao chegar na capital, o exército russo combateu o exército francês já cansado da longa viagem, com dificuldade de abastecimento e sofrendo com as baixíssimas temperaturas do inverno russo. Com isso, o exército francês foi empurrado para fora da Rússia e sofreu a sua maior derrota.
     Com o exército enfraquecido, é formada mais uma Coligação contra a França e, finalmente, conseguem derrotar os franceses. Napoleão é enviado exilado para Elba, no sul da França e Luís XVIII, irmão de Luís XVI (o rei decapitado na 2a fase da revolução) é posto no poder. Napoleão consegue fugir da ilha de Elba e se direciona para Paris. Um exército foi destacado para prendê-lo novamente, porém, os enviados passaram para o lado de Bonaparte. Ao se aproximar de Paris, o rei Luís XVIII foge da cidade e, com isso tem início o Governo de 100 Dias de Napoleão (1815) (porque durou 100 dias esse novo governo).
A derrota definitiva de Napoleão aconteceu na Batalha de Waterloo e, com isso, ele é enviado novamente para o exílio, mas a ilha de Santa Helena, no meio do Atlântico (para evitar fugas!)

Congresso de Viena (1815)
Foi um Congresso realizado entre as monarquias absolutistas, na cidade de Viena, na Áustria, com o objetivo de reagir às ideias liberais francesas e, com isso, restaurar o Antigo Regime (=aquilo que existia antes da Revolução Francesa ficou conhecido como Antigo Regime. Foi o que estudamos no capítulo 1.) Quais foram as decisões desse congresso?

Princípio da Legitimidade: estabelecia que os reis (ou a sua dinastia) derrubados do poder pelo avanço francês deveriam voltar ao poder
Princípio da Restauração: a divisão política da Europa, quer dizer, as fronteiras entre os países, voltaria ao que era antes da Revolução Francesa.
Princípio do Equilíbrio Europeu: manutenção do Absolutismo como a melhor forma de governo

formação da Santa Aliança: pacto militar entre os países absolutistas para reprimir movimentos liberais, ou seja, movimentos que tivessem influência dos ideias da Revolução Francesa.


Ufa. Acabou.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Capítulo 8 - Revolução Francesa

Turma,
essa é a primeira parte da matéria da AVII.

Contexto da Revolução Francesa

     A França encontrava-se numa situação de crise econômica e de aumentos de impostos, ambos causados pelos conflitos nos quais o país se envolveu como a Guerra dos Sete Anos e o apoio à independência dos Estados Unidos. Além disso, o país mergulhou em uma grave crise agrícola por causa de uma forte seca, fato que gerou escassez de alimentos e aumento dos preços. Para tentar solucionar os problemas do país, o rei Luís XVI reuniu depois de muito e muitos anos os Estados Gerais.
     Os Estados Gerais eram divididos em três Estados. O 1° Estado reunia apenas o clero (os religiosos), o 2° Estado era representado pelos nobres. Por fim, o 3° Estado era composto pela burguesia e pelo povo. Se os Estado Gerais foram reunidos para discutir e tentar solucionar os problemas franceses tudo deu errado e seu efeito foi justamente o contrário. As discussões entre os Estados se acirraram quando o 3° Estado sugeriu que as votações fossem feitas de "por cabeça" (individualmente) e não por votações fechadas por Estado. O 3° Estado faz essa proposta porque era muito mais numeroso do que o 1° e 2° Estado, inclusive, componentes desses dois Estados apoiaram propostas do 3° Estado.
Diante do grande impasse existente o rei Luís XVI ameaça fechar os Estados Gerais. Este fato foi o suficiente para o 3° Estado se retirar dos Estados Gerais e realizar o Juramento da Péla (= elaborar uma Constituição para a França). Com isso, tem início a primeira fase da Revolução Francesa

I) Assembleia Nacional Constituinte

- declara o fim dos privilégio de nobres e cleros. = por exemplo, todos os grupos deveriam pagar impostos. Algo que não acontecia antes da Revolução.
- igualdade perante a lei = as leis são iguais para todos. Antes da Revolução, não era assim que acontecia. 
- fim da servidão camponesa
- direito à propriedade privada

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
- confirma as decisões anteriores e permite a liberdade política e religiosa.

Grande Medo: foi uma ação popular de revolta de destruição de colheitas e assassinato de nobres.

14 de Julho de 1789: Queda da Bastilha
Demarca o início da Revolução Francesa. A população destrói a Bastilha porque aquela construção era um símbolo do Absolutismo (ou do Antigo Regime). Muito coerente para uma Revolução que mudou o modo como os dirigentes governavam. A Revolução Francesa é o primeiro passo para dar fim às monarquias absolutistas da Europa.

Constituição de 1791
- cria a monarquia constitucional na França. (Igual ao que ocorreu na Inglaterra com a Revolução Gloriosa em 1688. Agora havia uma Constituição que limitava o poder do rei).
- aplica a divisão dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
- estabelece o voto censitário
O voto censitário é uma contradição da Revolução Francesa. Apesar de defender a aplicação de novas ideias (as ideias liberais) as participações em votações não era para todas as pessoas. O voto censitário estabelece que para participar das votações era preciso comprovar renda. (em outras palavras: precisar ter dinheiro)
- estabelece o Estado laico: A partir desse momento a França não tem mais uma religião oficial e passa a permitir a prática de outras religiões).

II) Monarquia Constitucional
Essa é a 2a fase da Revolução. Partir desse momento as poderosas monarquias absolutistas como Espanha, Prússia e Áustria reagem à Revolução Francesa porque esse movimento traz ideias que buscam limitar ou abolir essas monarquias. Porém, essa breve fase chega ao fim com a reação popular contra o rei Luís XVI, que o degola, sob a acusação de apoiar os exércitos das coligações absolutistas. Com isso, tem início a terceira fase da Revolução.

III) Convenção (República / Jacobinos)
Grupos políticos desse período

girondinos: identificados com a rica burguesia e de posicionamento liberal.
jacobinos (ou montanheses): identificados com a pequena burguesia e com os sans-culottes (os populares) são democratas radicais. Por exemplo, defendiam o voto masculino amplo (para todos os homens, mulheres não!). 
pântanos: representavam a maioria na Assembleia e eram de centro.

A Convenção também é denominado de "O Terror" ou "Jacobinistas" por ser o período de radicalização da revolução. É nesse período que é criada a Lei do Máximo que estabelecia o congelamento dos preços para evitar a alta. Além disso, fica estabelecido o fim da escravidão nas colônias francesas, o ensino público obrigatório e o voto universal (ou quase universal). Porém, o problema desse período foram as intensas perseguições políticas realizadas pelos jacobinos no poder. Para julgar os supostos contra-revolucionários, que na verdade, muitas vezes pedia moderação às perseguições e prisões políticas desse período foi criado o Comitê de Salvação Pública. 
Essas perseguições que geram o ponto fraco do período jacobinista e criou condições para que a alta burguesia (os girondinos) dessem o golpe do 9 Termidor, retirando os radicais do poder e dando início ao Diretório.

IV) Diretório
O Diretório foi um curto período, porém conturbado, pois vários setores da políticas tentavam dar golpes e contra golpes dentro do governo. As medidas tomadas pelos girondinos foram extremamente impopulares, como o fim da Lei do Máximo e o retorno do voto censitário. Ambas geram grande insatisfação na população e várias reivindicações são feitas em Paris contra essas novas medidas. É nesse momento que surge um novo personagem surge nesse contexto: Napoleão Bonaparte. O militar francês ganhava cada vez mais prestígio e poder dentro do governo por ser um excelente estrategista militar e ganhar várias batalhas contra as Coligações absolutistas. Por causa desses fatores e do amplo questionamento aos girondino, Napoleão e alguns políticos conferem o golpe contra o governo do 18 Brumário e iniciam o período napoleônico e a quinta e última fase da Revolução.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Turma,
esse parte do trabalho bimestral. 
Coloquem em uma folha separada e me entreguem na semana que vem.
Atenção nas respostas. Eles precisam ser completas e não podem ser copiadas.
Semana que vêm teremos mais questões.
Anotem as dúvidas que surgirem na folha para fazermos a revisão em torno delas na época da AVII.


1) Cite dois fatores do contexto francês que contribuíram para o início da Revolução Francesa.

2) Aponte três medidas adotadas pela Assembleia Nacional Constituinte.
  
3) O que foi a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”?

4) Explicite (cite e explique) duas determinações da Constituição de 1791.

Sobre o período da Convenção, responda:

5) Como ficou conhecido esse período?

6) Quais eram os grupos políticos existentes nesse contexto?

7)  Cite e explique o que foi a Lei do Máximo estabelecida no período jacobino.

8) Escreva em linhas gerais o que foi a Revolução Francesa.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Capítulo 7: "A Independência dos Estados Unidos" (1776)

Turma,
com esse post fechamos a matéria para a AVI
Data: 03/06
Conteúdo: Capítulo 6: "América portuguesa"
                 Capítulo 7: "Independência dos Estados Unidos"

Independência dos Estados Unidos

     Independente de gostarmos dos Estados Unidos ou não, precisamos reconhecer que esse fato histórico foi um dos mais importantes da história mundial. Afinal, estamos falando da primeira colônia do mundo que alcança a independência. Esse feito serviria de exemplo para as demais colônias americanas a buscarem a sua independência de Portugal, Espanha, Holanda ou Inglaterra.
     No distante capítulo 4, estudamos o início da ocupação da América do Norte e vimos que no início da colonização existiam apenas 13 colônias localizadas na região leste do que viria a ser os Estados Unidos. A ocupação e criação dessas colônias foi marcada por grande liberdade política e econômica e pouca interferência da Inglaterra. Porém, fatos ocorridos na Europa mudarão a política inglesa com relação à sua colônia. 
     A Inglaterra vivia a Revolução Industrial e passava também pela Guerra dos Sete Anos (1756-1763). Esses 2 fatos alteram a relação que os ingleses tinham com os colonos. Por causa da guerra diferentes impostos foram criados para financiar o conflito. Porém, muitos colonos questionavam a criação dessas novas taxas. Seus questionamentos partiam do fato de que eles não estavam presentes, nem foram ouvidos na aprovação e criação desses tributos. O argumento dos colonos era baseada numa antiga tradição do Parlamento inglês onde cada membro tinha direito a um voto. ("um homem, um voto")
      De início, não havia consenso sobre a separação da Inglaterra e no Primeiro Congresso Continental da Filadélfia (1774) não houve menção de separação na Declaração de Direitos enviada ao rei inglês. Pouco efeito surtiu.
   Em 1775, foi reunido o II Congresso Continental da Filadélfia onde haveria a Declaração de Independência em 4 de julho de 1776, escrita por Thomas Jefferson e contendo claras influências do Iluminismo. Aliás, as ideias de John Locke e dos filósofos franceses eram muito conhecidas na colônia inglesa.
    A independência das 13 colônias jogou colonos e ingleses em um longo conflito na América, o que retardaria a redação da Constituição americana, o que aconteceria apenas em 1787. A Constituição também traria influências claras dos ideias iluministas, como a criação de uma república federalista e presidencialista. Quer dizer, as colônias tornaram estados e tinham amplas liberdades para criar leis e impostos, desde que ambos não criassem uma contradição com a Constituição americana (federalismo). Além disso, haveria a eleição para presidente através do voto (presidencialismo) e divisão dos três poderes em Judiciário, Executivo e Legislativo.
      É nesse ponto, contudo, que vemos os limites da Independência (ou Revolução Americana). Ficou estabelecido que o voto não era universal (para todos), criou-se uma restrição para a participação política através do voto censitário. Por causa dele, todos que desejassem votar deveriam antes comprovar renda. (Cuidado: não é a mesma coisa que comprar o direito de votar. A ideia é comprovar que posse recursos.) Com isso, ficavam excluídas parcelas consideráveis da população, como pobres e negros. Aliás, os colonos que lutavam sempre tiveram muito cuidado na condução do processo de luta pela independência para que não houvesse a confusão entre liberdade política e liberdade ampla e irrestrita para todos, para que os escravos se mobilizassem amplamente para dar sim ao escravismo americano.


É isso!

sábado, 17 de maio de 2014

Capítulo 6: "América Portuguesa"

Turma,
começarei a atualizar com o capítulo 6, com o tempo completarei o post com o resto do enorme conteúdo.
Assuntos do capítulo:
1) União Ibérica
2) Brasil Holandês
3) Escravidão
4) Expansão territorial
5) Mineração

União Ibérica (1580-1640)

      A União Ibérica é identificada pelo período que marcou a união entre os dois reinos que forma a Península Ibérica: Portugal e Espanha. Esse período que durou 60 anos foi possível somente porque o rei português, D. Sebastião morreu em batalha no Marrocos sem deixar herdeiros em 1578. Seu corpo nunca foi encontrado. Além disso, as famílias nobres tinham o costume de casar entre si, inclusive a ligação entre a nobreza portuguesa e espanhola vêm de longa data, desde a formação de Portugal como país, no século XIV. Porém, esse episódio da história europeia teve grandes consequências na América. A partir do momento que Portugal passou a ser governada pelo rei espanhol Filipe II, todas as colônias portuguesas tornaram-se possessões espanhola. 
    Havia também naquele contexto um grande combate religioso entre católicos e protestantes. O protestantismo encontrou grande espaço nas regiões da Alemanha, Bélgica e Holanda todas elas regiões controladas (ou parcialmente) pela Espanha. Seguindo a tradição ibérica, Filipe II não tinha qualquer tipo de tolerância com o protestantismo e, por isso, tentou impor a religião católica em todos os domínios. Essa atitude, no entanto, criou um sério e longo conflito com os holandeses, cada vez mais adeptos do calvinismo. E o que isso tudo tem a ver com a América portuguesa?

Bem, os holandeses estavam envolvidos com o comércio de açúcar na Europa há alguns anos e a colônia portuguesa, o Brasil, dava indícios claros de amplo desenvolvimento na produção de açúcar, um dos produtos mais valiosos para época. Os holandeses viram no Brasil uma grande oportunidade para realizar negócios bastantes rentáveis e não se esqueçam, Portugal agora fazia parte da inimiga Espanha. (Espanha e Holanda estavam em guerra desde 1568). Por que não dominar diretamente o centro de produção de açúcar?

(Curiosidade: na verdade, a Holanda se chama Províncias Unidas dos Países Baixos. Contudo, costuma-se chamar o país simplesmente de Holanda porque essa província sempre foi a mais importante política e economicamente.) 

Foi isso que os holandeses tentaram fazer em 1624, na Bahia, mas o sucesso foi temporário e acabaram expulsos. Porém, haveria uma nova tentativa em 1630 e nesse momento, os holandeses vieram para o Brasil e ficaram por um bom tempo.

Brasil Holandês (1630-1654)
Durante esses 24 anos, o nordeste brasileiro esteve sobre domínio holandês. Essa ocupação é dividia em 3 partes.
1a fase: 1630-1637: conflitos de ocupação no Nordeste
2a fase: 1637-1645: domínio consolidado. Mesmo período do governo de Maurício de Nassau.
3a fase: 1645-1654: conflito para expulsão dos holandeses pelos lusos-brasileiros.

      Após a ocupação definitiva dos holandeses no nordeste - que talvez seria muito dificultada sem a ajuda dos índios - era preciso retomar a produção de açúcar, muito prejudicada pelos 7 anos de conflito. A Companhia das Índias Ocidentais (ou WIC = West-Indische Compagnie) financiou a reconstrução e recuperação de vários engenhos e a compra de escravos tanto para holandeses, como para os luso-brasileiros que decidiram permanecer no nordeste. (Sim, mesmo sendo de uma religião diferente, os holandeses não viram nenhum problema em manter o trabalho escravo).
      O Brasil holandês é um período único na história da nossa colonização porque houve alguma liberdade religiosa com o catolicismo (mesmo havendo uma guerra entre Holanda [calvinista] e a Espanha [católica] na Europa por motivos religiosos). Os holandeses permitiram a criação de uma sinagoga (templo religioso dos judeus) em Recife, algo inimaginável antes ou depois da dominação holandesa. Maurício de Nassau, governante enviado pela WIC, realizou uma série melhorias urbanas em Recife e, inclusive, Nassau tinha grande habilidade para se relacionar com holandeses e luso-brasileiro, sendo muito querido por ambos.

     Apesar da aparente tranquilidade, a situação mudou drasticamente nos início dos anos de 1640. O açúcar dava seus primeiros sinais de crise, a Holanda estava envolvida em conflitos com a Inglaterra e por isso, dava menos atenção aos assuntos do Brasil Holandês. Além disso, em 1640, Portugal voltou a ser independente da Espanha e imediatamente inicia o diálogo com a Holanda para a devolução do nordeste brasileiro. Por causa do embate Inglaterra-Holanda e da menor rentabilidade do açúcar, a WIC, resolveu cobrar os empréstimos feitos aos senhores de engenho. Para completar, Maurício de Nassau foi chamado de volta para a Holanda.
Nassau era visto como alguém que defenderia os interesses daqueles envolvidos na produção do açúcar. De fato, Nassau tentou negociar com a WIC a cobrança das dívidas e os próprios senhores de engenho pediam para que ele não partisse do Brasil. Nada surtiu efeito.
     Vários senhores de engenho estavam extremamente endividados e nem que perdessem todas as suas propriedades eles conseguiriam pagar tudo que deviam. O início da guerra da expulsão dos holandeses é explicada em parte, por motivos econômicos, ou seja, pelas enormes dívidas dos senhores de engenho com a WIC.

Resistência Escrava
O contexto do Brasil nessa época favoreceu a fuga de escravos porque as atenções estavam voltadas para o conflito entre holandeses e luso-brasileiros. (Contudo, a fuga de escravos foi muito comum ao longo de toda a existência da escravidão). Além da fuga existiam outros meios de expressar resistência ao trabalho escravo como a negação ao trabalho, o confronto com o senhor ou o feitor ou atos extremos como o suicídio.
É muito comum ressaltar a história do Quilombo de Palmares como um centro de resistência à escravidão no período colonial. Em Palmares eram acolhidos, índios e brancos e acredita-se que toda a produção era feita e consumida no local, havendo também a caça e a criação de animais. Zumbi ficou conhecido como um dos líderes de resistência.
(Estudos recentes encontraram indícios da existência de escravos dentro do Quilombo, contradizendo a versão estudada em muitos livros didáticos e amplamente divulgada em toda a sociedade quando o assunto é Quilombo de Palmares.)

Expansão Territorial e Econômica da colônia
A expansão da colônia (ou interiorização) é uma consequência da União Ibérica. A partir do momento que Portugal faz parte da Espanha, o Tratado de Tordesilhas perde o seu sentido. (Porém, não se esqueçam que delimitar onde começava e terminava os domínios de cada país era extremamente difícil.)
O movimento bandeirante e das entradas tem grande responsabilidade por essa interiorização. Ambas tinham o objetivo de conhecer o território do interior e ocupá-lo (além de procurar OURO). No entanto, elas tinham organizações diferentes.
Entradas: organizadas e pagas pelo reino
Bandeirantes: organizadas por particulares. De maneira autônoma.

Uma das consequência do movimento bandeirante foi o conflito com os jesuítas. A ordem religiosa Companhia de Jesus (dos jesuítas) realizava o trabalho de aldeamento dos índios e, nesses locais, eles tinha contato com o catolicismo e eram convertidos. Contudo, à medida que se interiorizava na colônia tornava-se mais difícil obter recursos e escravos vindos das regiões litorâneas e, por isso, era desejo dos bandeirantes escravizar os índios, algo proibido pela coroa portuguesa. Ocorreram vários conflitos entre bandeirantes e jesuítas ao longo da história colonial do Brasil.

Mineração

A partir da descoberta do ouro na região de Minas Gerais , a coroa portuguesa tentou criar meios de controlar a exploração do metal e garantir rendimentos através das Intendência das Minas e da Casa de Fundição. As Intendências visavam cuidar dos negócios da mineração e Casa de Fundição transformava o ouro em pó ou pepita em barra e, ao mesmo tempo, era recolhido o quinto. A coroa ficava com 20% de todo o ouro entregue para a fundição.

A mineração trouxe algumas novidades para a colônia.
- transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro (1763 - século XVIII)
O que pode ser entendida como um deslocamento da importância política e econômica do Nordeste para o Sudeste.
- aumento da produção de alimentos na região das minas e surgimento de novas áreas de comércio
- maior desenvolvimento da pecuária - favorece a interiorização pelo território da colônia.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Capítulo 5: "A África e o tráfico negreiro"

    Aconselho a leitura completa desse capítulo. Ele é longo e tem muitas informações, mas ajudará vocês entenderem o que vou escrever sobre ele. O capítulo complemente o post. Peço isso porque não terei tempo de escrever tudo.
A escravidão sempre existiu no continente africano, logo não se trata de algo inventado pelos europeus a partir do contato travado com os africanos através da Expansão Marítima para atender aos seus interesses. O modo mais comum de fazer escravos era através dos conflitos tribais, pois os vencedores desses conflitos tinham o direito de escravizar os derrotados.

Portugueses na África
Ao longo da expansão marítima, no século XV, os portugueses estavam interessados em trocar especiarias, ouro e escravos com os africanos. Muito antes de colonizarem o Brasil, os portugueses já compravam escravos para Lisboa e para as ilhas do Atlântico, onjá havia produção de açúcar.
Os portugueses se concentraram na região Congo-Angola. Em geral, os escravos dessa região eram trazidos para o Rio de Janeiro. Por outro lado, na Bahia, os escravos eram provenientes da região onde hoje é a Nigéria.

Escravidão como negócio
Para que o comércio fosse possível era necessário que os próprio africanos e seus governantes estivessem envolvidos na atividade comercial de venda de escravos. Os cativos eram levados em caravanas ao longo de rotas comerciais no interior do território pelos próprios africanos até o litoral para depois serem embarcados para a América ou mesmo Europa. Os europeus não entraram no continente africano por desconhecimento do território e por causa das doenças. 

A venda de escravos para europeus explica, em parte, a formação dos reinos africanos, formados através dos recursos provenientes do comércio, como ouro ou mesmo dinheiro, embora fosse comum também a troca de mercadorias por escravos. Essa prática comercial era interessante para os chefes africanos porque havia interesse por parte deles de obterem produtos que no seu território indicariam distinção social e poder diante dos demais que disputassem o controle do reino. Esse relacionamento com os europeus ajudou a fortalecer os chefes e os reinos que governavam. Além disso, havia também o interesse em formar reinos na tentativa de evitar uma possível escravização que poderia atingir a todos.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Capítulo 4: América Inglesa

Lembrem-se que a matéria da prova são os capítulos 3, 4 e 5.

    Nesse capítulo 4 é discutida o início da ocupação de colonos vindos da Inglaterra para a América do Norte, região que se tornou os Estados Unidos a partir da sua independência em 1776. Mas antes é importante nos perguntarmos o que levou ingleses a saírem da Europa e se dirigem para a América. O que motivou essas pessoas? Por que fazer uma aposta de uma vida tão arriscada? Podemos destacar alguns fatores.

a) cercamento dos campos no século XVI.
Uma das consequências do rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica para a criação da religião Anglicana foi a confiscação das terras da igreja e consequentemente, a retirada de muitas pessoas que dependiam do campo. Pois, as terras foram destinadas para a produção de lã, produto importante a séculos na Inglaterra. Com isso, diversas pessoas se dirigiam para as cidades porque não havia espaço para elas no campo. No entanto, as cidades não eram capazes de absorver todos. Logo, alguns decidem ir para a América.

b) guerra civil.
Além disso, estudamos no capítulo 3 que houve uma feroz guerra civil entre os ingleses que apoiavam o parlamento e aqueles que defendiam a coroa britânica. Por causa dessa conflito político e pelas perseguições religiosas surgidas a partir da criação do anglicanismo e da entrada dos calvinistas (= puritanos).

13 Colônias
O início da colonização aconteceu apenas na costa leste do país e ao longo do litoral. No início, a ocupação foi muito incentivada por companhias de comércio e posteriormente pela própria coroa inglesa. É muito comum explicar a diferenciação entre colônias do Norte e do Sul. Para entender melhor a colonização dos Estados Unidos é muito útil, porém as oposição feitas não se sustentam quando são realizadas pesquisas históricas. Mas vamos lá.
Norte: colônia de povoamento
Sul: colônia de exploração

Norte: produção de subsistência (pequenas propriedades e de mão de obra livre)
Sul: produção para exportação feita a partir da plantation (produção monocultura, de grande propriedade e mão de obra escrava) em função do pacto colonial.

Porém, como manter esse modelo partindo da ideia que Norte e Sul eram extremamente dependentes uns dos outros. Por exemplo: muitos dos escravos utilizados no sul do país eram comprados pelo norte. Apenas como esse exemplo é possível desfazer esse modelo de explicação Sul / Norte.
Mas enfim...

Outra característica da colonização que deve ser destacada é o comércio triangular, pois vamos precisar dele quando falarmos sobre a independência dos Estados Unidos. Trata-se de um comércio interno entre as próprias colônias do Norte e do Sul e do comércio destas com as Antilhas (= América Central) e a África sem que a Inglaterra tivesse qualquer ganho com isso.

Guerra dos Sete Anos (1756-1763)

Foi uma guerra que envolveu a França e Inglaterra e o que estava em jogo eram as disputas territoriais na América do Norte entre os colonos franceses e ingleses porque assim como estes, os franceses também ocuparam o norte da América, na região mais ao centro dos Estados Unidos e parte do que hoje é o Canadá. A expansão territorial das 13 colônias ocorreu, em parte, por causa da servidão por contrato, um regime de trabalho comum na ocupação americana. Os colonos viam para a América com tudo pago e trabalhavam até saldar suas dívidas com aqueles que tinha custeado a sua viagem. Ao mesmo tempo esses colonos buscavam fazer algumas economias para quando saldasse suas dívidas pudesse comprar terrenos para a agricultura. Como essa prática se tornou cada vez mais comum, a colonização foi empurrada para dentro do território.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Capítulo 3: continuação

Revolução Industrial

Onde: Inglaterra
Quando: século XVIII

A Revolução Industrial transformou o modo de produção mundial porque apesar de ter iniciado na Inglaterra, logo outros países seguiram o mesmo caminha como a França e posteriormente os Estados Unidos e a Alemanha. A produção que era apenas artesanal começa a passar por um processo industrial, mesmo que tímido. Além de transformar o modo de produzir, essa revolução mudará o modo como as pessoas consumirão os produtos e afetará as relações entre as pessoas, trazendo novos problemas para a sociedade. 
Até o século XVIII todo o processo produtivo era feito por famílias e o produto final era vendido para, em grande parte, cobrir os custos da produção. No entanto, a partir do século XVIII, as máquinas começam a fazer parte do processo de produção e, com isso, é possível produzir mais e com menos gente aumentando, assim os lucros. Na verdade, isso é muito mais um realidade do século XIX e XX, mas tudo começou no XVIII. 
A Revolução Industrial foi abastecida com ferros e carvão, duas matérias-primas em abundância no território inglês. Ferros para as máquinas; carvão para alimentá-las. Não são máquinas elétricas como conhecemos hoje, mas máquias movidas a vapor proveniente da queima do carvão. Além de ter matéria-prima, a Inglaterra contava também com uma burguesia enriquecida e disposta a fazer a fazer essas inovações e grande disponibilidade de mão de obra que acabou formou a classe a operária.

E como eram as condições de trabalho nas fábricas do XVIII? As piores possíveis.
Não existiam leis de proteção ao operário nessa época. Por isso, garantias como férias remuneradas, décimo terceiro salário, descanso remunerado, dentre vários outros aspectos simplesmente não existiam. Eram comuns a jornadas de 14 e 16 jornadas, os baixíssimos salários e os acidentes constantes. Inclusive, era muito comum o uso do trabalho feminino e infantil buscando pagar menos para as mulheres e ter menos problemas de contestação pelas crianças.


Escrevi bem pouco sobre a 2a parte do capítulo 3. Olhem o caderno também.