Olá pessoal
Finalmente chegamos ao último post para a AV1.
Lembrem-se: o conteúdo é toda a
Unidade 1 cap. 1 O Iluminismo e cap.2 - formação dos Estados Unidos.
Unidade 2 cap. 1 - Revolução Francesa
Vamos lá!
Logo de cara temos que lembrar algo que vimos no capítulo sobre o Iluminismo. Lembra que quando estávamos estudando esse assunto foi falado que a sociedade era divida em Estados? Havia o Primeiro Estado que correspondia ao clero, o Segundo Estado que abrangia a nobreza e, por fim, o Terceiro Estado, muito mais numeroso e correspondia aos burgueses, camponeses, profissionais liberais, assim como trabalhadores urbanos de diversas atividade.
E qual o contexto da França nesse final do século XVIII?
O reino vivia em dificuldades. Um deles eram os problemas financeiros provocado pelos altos custos de guerras que a França se envolveu, como a Guerra dos Sete Anos contra a Inglaterra e o apoio à luta dos colonos das 13 colônias que guerreavam pela sua independência. Guerra é custo e nem sempre os países tem condições de bancar todo o dinheiro necessário para manter um conflito armado. Logo, isso promove muitos gastos e óbvio, aumento de impostos. Mas não para por aí.
Antes do conhecidíssimo 14 de julho de 1789 a França viveu anos de colheitas ruins em 1788 e 1787. E daí? E daí que a quantidade de alimentos foi reduzida por causa dessas plantações que renderam menos do que o esperado e, com isso, houve o aumento de preços dos produtos alimentícios.
Por fim, ainda existia na França resquícios do feudalismo e suas cargas de impostos contraditórias que pesavam principalmente no Terceiro Estado, enquanto o Primeiro e o Segundo Estado usufruíam de várias isenções.
E como resolver essas questões?
A Assembleia dos Estados Gerais
O rei francês Luís XVI se decidiu por convocar os Estados Gerais, algo que não acontecia desde 1614. E o que é isso? Era uma reunião dos três Estados para debater e estabelecer meios de passar por aquela crise.
Porém, as discordâncias começaram logo no início do encontro no que dizia respeito ao modo de votação dos assuntos que seriam decididos pelos representantes dos Estados. O Primeiro e o Segundo Estado desejavam uma votação por Estado, enquanto o Terceiro Estado defendia a votação individual ("por cabeça"). Afinal, era provável que o Primeiro e o Segundo Estado votassem juntos contra o Terceiro Estado e, assim, formariam sempre 2 x 1. Por outro lado, a votação por representantes dava mais chances para os interesses do 3° Estado, por ser muito maior e por ter representantes do 1° e 2° que votariam juntos com o 3° Estado.
Como a discussão não avançava e diante da posição sempre dúbia do rei Luís XVI o 3° Estado resolveu se separar dos Estados Gerais e fez o que ficou conhecido como Juramento da Sala do Jogo da Péla, nesta sala, os representantes do Terceiro Estado juraram dar uma Constituição para França. Bem, até o momento não se falava muito em acabar com a monarquia, mas sim, em limitar seus poderes. Lembrem que estamos na França, berço do Iluminismo, a efervescência de ideias e o desejo de mudanças estava no ar.
Temos então a
Assembleia Nacional Constituinte
Não era somente o desejo de mudanças. A tensão política era enorme. Ao mesmo tempo que é formada a Assembleia para dar uma Constituição para França o rei organizava forças do Exército para cercar Paris e enquanto isso, a população parisiense se mobilizou para dar apoio ao Terceiro Estado. É nesse momento que chegamos no 14 de julho de 1789. Essa data que marca o início da Revolução Francesa e, além disso, foi escolhida pelos historiadores como o fato histórico que finaliza a História Moderna e inicia-se a História Contemporânea. E por que essa data é tão importante? Porque nesse dia a população de Paris invadiu e destruiu a Bastilha. Um castelo imenso e símbolo do poder absolutista do rei por ser uma prisão (naquele contexto os monarcas podiam decretar a prisão das pessoas. Primeiro elas eram culpadas e depois se provava a inocência delas...ou não). A partir daqui as transformações não param de acontecer.
Reformas sociais e políticas
Dias depois e ainda na Assembleia Nacional Constituinte foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Na prática, a partir da declaração estavam mortas as distinções em estados e garantia aos cidadãos a igualdade perante a lei (algo que não existia até então), a liberdade e a posse de propriedades.
Em 1790 foi a aprovada a Constituição Civil do Clero que confiscava os bens da Igreja - principalmente terras - e transformou o clero em dependentes do Estado (Governo) da França ao torná-los funcionários públicos.
Ao mesmo tempo, as discussões sobre a Constituição ainda aconteciam. Até que em 1791...
Monarquia Constitucional
...quando a Assembleia estava terminando seus trabalhos na Constituição houve a tentativa de fuga do rei Luís XVI. Esse ato quebrou qualquer tipo de confiança que poderia existir entre o rei e os grupos sociais que desejavam mudanças na França, mas por outro lado, garantiu a aprovação da Constituição da França alguns meses depois. A partir de agora o rei teria que governar de acordo com esse documento. E o que isso quer dizer? Algo difícil entender mesmo. Agora o poder não era apenas do rei, mas também da população através de representantes eleitos.
A Constituição traz algumas novidades como a divisão dos três poderes, garantia o fim da isenção de impostos para determinados grupos sociais e estabelecia o voto censitário.
Apesar desse avanço político, a França ainda encontrava-se em meio a crise econômica e ameaçada por uma guerra porque a Prússia e o Império Áustro-Húngaro, ambos de monarquia absolutista, viam os acontecimentos franceses como uma ameaça, um exemplo que não deveria ser seguido, mas sim controlado e exterminado. Vários nobres e cleros se mudam para essas regiões para organizar uma guerra contra os revolucionários. Em razão disso, em 1792, é declarada a guerra contra essas duas monarquias, ao mesmo tempo que a Assembleia Nacional Constituinte torna-se a Assembleia Nacional - uma espécia de Câmara dos Deputados. Temos então o início da
Convenção Nacional
Os deputados eleitos para formar a Assembleia Nacional declaram extinta a monarquia e teve início a República. Teremos a formação de grupos políticos que defendem algumas ideias em comum (não são partidos ainda, ok? Partidos como conhecemos só no séc. XX). Desses grupos podemos destacar os jacobinos e os girondinos. Os jacobinos são conhecidos como os de esquerda e os girondinos seriam de direita.
(Na página 42 há uma descrição sobre os 2 grupos. Vejam)
Vocês já devem ter percebido que a Revolução Francesa é formada por vários acontecimentos e nomes diferentes.
Em pouco tempo, o período da Convenção foi controlado pelos jacobinos e vimos, então, um dos momentos mais controversos do período revolucionário. Por um lado, há a escrita de uma nova Constituição em 1793 que substituía o voto censitário masculino pelo voto universal masculino, estabelecia o fim da escravidão nas colônias francesas, a criação das escolas primárias e obrigatórias e limitação de preços. Por outro lado, é o período do julgamento de Luís XVI e também do Terror.
O julgamento de Luís XVI deixou bem clara a diferença política entre girondinos e jacobinos. O monarca entrou para História como um traidor, os jacobinos o acusavam de conspirar contra a nova ordem francesa e de se aliar às monarquias absolutistas. Para azar do rei foram descobertas correspondência que, de fato, comprovavam as acusações dos jacobinos que sempre pressionaram que o monarca deveria perder a cabeça, quer dizer, guilhotinado. O que de fato aconteceu.
(Imagina como as monarquias absolutistas receberam essa notícia? Estamos falando da morte do Absolutismo na França. Ao pé da letra!)
E o Terror? Foi um meio que os jacobinos encontraram para controlar e garantir os avanços que foram conquistados porque a disputa sobre entre os grupos políticos para decidir os rumos da revolução eram constantes e suas conquistas não estavam garantidas. A possibilidade de um retrocesso era forte!
Formou-se então, em 1793, o Comitê de Salvação Pública. Passou a existir combates intensos aos contra-revolucionários e muitos deles foram declarados inimigos, perseguidos, presos, julgados e guilhotinados. Nesses anos a guilhotina trabalhou bastante! A grande questão foi que as vozes jacobinas que discordavam dessa perseguição desenfreada tiveram o mesmo destino que os contra-revolucionários...GUILHOTINA. Foi por causa disso que o governo jacobino perdeu apoio político e apoio popular, facilitando o Golpe do 9 Termidor que derrubou os jacobinos do poder.
Nesse momento passamos da Convenção para o
Diretório
O golpe contra os jacobinos foi realizado pela burguesia girondina e representou alguns retrocessos pela nova Constituição de 1795 que restabelecia a escravidão, assim como recuperou o voto censitário masculino e deu fim aos comitês revolucionários que serviam para ouvir a população sobre os problemas vividos e ajudar a traçar estratégias para resolver problemas sociais, políticos e econômicos. Por outro lado, aboliu as execuções sumários.
(Nada na História é inteiramente bom ou ruim, como vocês já devem ter percebido.)
De 1795 até 1799 tivemos vários momentos também muito instáveis, assim como os anos jacobinos. O problema da economia ainda era evidente e isso afetava a vida das pessoas diretamente. São anos de intensas disputas entre os girondinos, monarquistas e sans-cullotes.
Eis que nesse momento começa a surgir um importante nome para a História mundial: Napoleão Bonaparte. Napoleão era um militar francês que mostrou-se um gênio em estratégias e conseguiu diversas vitórias contra as monarquias absolutistas. O seu prestígio no meio militar tornou-se também um prestígio político, sinônimo de apoio, e em razão disso, setores do governo girondino e Napoleão deram o que ficou conhecido como o Golpe do 18 Brumário.
Espero que vocês tenham percebido que a Revolução Francesa (1789-1799) foi um dos principais acontecimentos da História porque ela lançou as bases para a sociedade que vivemos hoje, com a divisão de poderes, eleições regulares, a tentativa de estabelecer a igualdade entre as pessoas e uma vida baseada em direitos iguais para todos e não, uma sociedade de privilégios, como era no Antigo Regime.