quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Unidade 9 - cap. 2 - Divisão do mundo


No meio do século XIX, as potências industriais europeias como a Grã-Bretanha, França, Bélgica, Alemanha e Itália encontravam-se em forte processo de industrialização da Segunda Revolução Industrial. Para alimentar as crescentes industrial eram necessários cada vez mais o abastecimento de matérias-primas e o continente africano e asiático foram vistos por esses países como potenciais fornecedores dos produtos necessários. É desse contexto que surge o colonialismo europeu na África e na Ásia em busca de matérias-primas e estabelecimento de zonas de influência e tais dominações eram garantidas por acordos comerciais ou força militar. 
E como isso era possível? Era preciso justificar a ação europeia sobre esses dois continentes. O argumento imperialista europeu era baseado na ideia de que os supostos "superiores" brancos tinham a "missão" de "civilizar" africanos e asiáticos, trazê-los para a cultura branca europeia. Essa ideia de superioridade é proveniente de uma distorção das ideias de um cientista inglês chamado Charles de Darwin que defendeu no seu livro "A Origem das Espécies" a existências de diferentes raças e espécies de seres vivos. Tal concepção foi aplicada para os grupos humanos também por outras pessoas que não o cientista para defender a ideia de que existem raças superiores e inferiores e é esta suposta diferença que permitiu a ação europeia nesses continentes. Tal ideia ficou conhecida como "darwinismo social".
No final do século XIX, nos anos de 1884 e 1885, as potências europeias se reuniram na Conferência de Berlim para decidir como ocorreria a ocupação no continente africano. Ficou decidido que as potências deveriam combater a escravidão, o livre comércio na bacia do Congo e que o domínio europeu sobre uma região seria reconhecido somente por ocupação de um país. Vocês podem rever o mapa da página 237 para visualizarem que os maiores domínios eram da França e da Grã-Bretanha, mas houve a presença também da Bélgica, de Portugal, da Itália, da Alemanha e da Espanha. 

Colonialismo na Ásia
No lado asiático precisamos ver as ações na Índia, na China e no Japão e, de certa forma, veremos também a relação da Grã-Bretanha com esses países.

No caso da Índia percebemos que a relação da Grã-Bretanha com a região ocorria com a Companhia Inglesa das Índias Orientais desde o século XVI. No século XIX, a companhia foi utilizada como um meio de estabelecer o imperialismo inglês na região ao introduzir em enormes quantidades os tecidos ingleses. Além disso, criou diversos impostos, restringiu a autonomia das autoridades locais e impôs leis que confrontavam os costumes locais. O resultado de tais atitudes com os indianos foi a Revolta dos Cipaios (1857) em função dos vários abusos da Companhia e das crises de abastecimento. Iniciada na cidade de Delhi, a revolta se propagou por todo o país. A violência foi contida somente quando o próprio governo britânico retirou a companhia comercial da colonização e estabeleceu uma administração colonial indireta na Índia, com a participação de governantes locais e maior respeito às tradições locais.

No caso da China havia um forte controle por do governo imperial chinês com relação ao comércio com o exterior, principalmente com relação ao ópio, uma espécie de fumo vendido ilegalmente pelos ingleses no império chinês. O governo reagiu a essa atitude com o confisco e descarte de uma enorme quantidade do produto. A Grã-Bretanha, por sua vez, declarou guerra à China, bombardeou e ocupou cidades chinesas. A Guerra do Ópio durou de 1839-1842 e a segunda de 1856-1860. O desfecho do conflito foi favorável para os ingleses, pois obtiveram a ilha de Hong Kong no litoral chinês e concessões comerciais do governo.

Anos depois, em 1900, houve a Guerra dos Boxers, uma reação da população ao domínio estrangeiro e que tinha como foco a destruição de lojas estrangeiras e ferrovias. A revolta foi contida a partir de uma aliança entre diversas potências (Grã-Bretanha, França, Japão, Rússia, Alemanha e EUA). As consequências foram desfavoráveis para a China que foi obrigada a indenizar os países prejudicados e realizar concessões econômicas. Além disso, o império caiu e em seu lugar foi adotado a República como forma de governo.

No caso do Japão havia um fechamento quase completo do país ao exterior. Os únicos países a comercializarem com os japoneses até o século XIX eram a China e a Holanda. Essa realidade mudaria no século XIX quando os EUA conseguiram a abertura de seus portos para o comércio para seus produtos e, pouco tempo depois, em 1858, os japoneses abriria os portos para todos os países ocidentais.
No final dos anos 1860 o Japão entrou em um período denominado de Renovação Meiji. Este é o nome recebido para o processo de modernização nos moldes ocidentais e a implantação do capitalismo com forte industrialização pela qual o país passou no final do século XIX. 
Assim como as potências europeias, o Japão, por ser uma região escassa de matéria-prima, também teve ações imperialistas sobre os países vizinhos, como a Coreia e a China (Manchúria).

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