quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Unidade 9 - cap. 2 - Divisão do mundo


No meio do século XIX, as potências industriais europeias como a Grã-Bretanha, França, Bélgica, Alemanha e Itália encontravam-se em forte processo de industrialização da Segunda Revolução Industrial. Para alimentar as crescentes industrial eram necessários cada vez mais o abastecimento de matérias-primas e o continente africano e asiático foram vistos por esses países como potenciais fornecedores dos produtos necessários. É desse contexto que surge o colonialismo europeu na África e na Ásia em busca de matérias-primas e estabelecimento de zonas de influência e tais dominações eram garantidas por acordos comerciais ou força militar. 
E como isso era possível? Era preciso justificar a ação europeia sobre esses dois continentes. O argumento imperialista europeu era baseado na ideia de que os supostos "superiores" brancos tinham a "missão" de "civilizar" africanos e asiáticos, trazê-los para a cultura branca europeia. Essa ideia de superioridade é proveniente de uma distorção das ideias de um cientista inglês chamado Charles de Darwin que defendeu no seu livro "A Origem das Espécies" a existências de diferentes raças e espécies de seres vivos. Tal concepção foi aplicada para os grupos humanos também por outras pessoas que não o cientista para defender a ideia de que existem raças superiores e inferiores e é esta suposta diferença que permitiu a ação europeia nesses continentes. Tal ideia ficou conhecida como "darwinismo social".
No final do século XIX, nos anos de 1884 e 1885, as potências europeias se reuniram na Conferência de Berlim para decidir como ocorreria a ocupação no continente africano. Ficou decidido que as potências deveriam combater a escravidão, o livre comércio na bacia do Congo e que o domínio europeu sobre uma região seria reconhecido somente por ocupação de um país. Vocês podem rever o mapa da página 237 para visualizarem que os maiores domínios eram da França e da Grã-Bretanha, mas houve a presença também da Bélgica, de Portugal, da Itália, da Alemanha e da Espanha. 

Colonialismo na Ásia
No lado asiático precisamos ver as ações na Índia, na China e no Japão e, de certa forma, veremos também a relação da Grã-Bretanha com esses países.

No caso da Índia percebemos que a relação da Grã-Bretanha com a região ocorria com a Companhia Inglesa das Índias Orientais desde o século XVI. No século XIX, a companhia foi utilizada como um meio de estabelecer o imperialismo inglês na região ao introduzir em enormes quantidades os tecidos ingleses. Além disso, criou diversos impostos, restringiu a autonomia das autoridades locais e impôs leis que confrontavam os costumes locais. O resultado de tais atitudes com os indianos foi a Revolta dos Cipaios (1857) em função dos vários abusos da Companhia e das crises de abastecimento. Iniciada na cidade de Delhi, a revolta se propagou por todo o país. A violência foi contida somente quando o próprio governo britânico retirou a companhia comercial da colonização e estabeleceu uma administração colonial indireta na Índia, com a participação de governantes locais e maior respeito às tradições locais.

No caso da China havia um forte controle por do governo imperial chinês com relação ao comércio com o exterior, principalmente com relação ao ópio, uma espécie de fumo vendido ilegalmente pelos ingleses no império chinês. O governo reagiu a essa atitude com o confisco e descarte de uma enorme quantidade do produto. A Grã-Bretanha, por sua vez, declarou guerra à China, bombardeou e ocupou cidades chinesas. A Guerra do Ópio durou de 1839-1842 e a segunda de 1856-1860. O desfecho do conflito foi favorável para os ingleses, pois obtiveram a ilha de Hong Kong no litoral chinês e concessões comerciais do governo.

Anos depois, em 1900, houve a Guerra dos Boxers, uma reação da população ao domínio estrangeiro e que tinha como foco a destruição de lojas estrangeiras e ferrovias. A revolta foi contida a partir de uma aliança entre diversas potências (Grã-Bretanha, França, Japão, Rússia, Alemanha e EUA). As consequências foram desfavoráveis para a China que foi obrigada a indenizar os países prejudicados e realizar concessões econômicas. Além disso, o império caiu e em seu lugar foi adotado a República como forma de governo.

No caso do Japão havia um fechamento quase completo do país ao exterior. Os únicos países a comercializarem com os japoneses até o século XIX eram a China e a Holanda. Essa realidade mudaria no século XIX quando os EUA conseguiram a abertura de seus portos para o comércio para seus produtos e, pouco tempo depois, em 1858, os japoneses abriria os portos para todos os países ocidentais.
No final dos anos 1860 o Japão entrou em um período denominado de Renovação Meiji. Este é o nome recebido para o processo de modernização nos moldes ocidentais e a implantação do capitalismo com forte industrialização pela qual o país passou no final do século XIX. 
Assim como as potências europeias, o Japão, por ser uma região escassa de matéria-prima, também teve ações imperialistas sobre os países vizinhos, como a Coreia e a China (Manchúria).

Unid. 9 - Estados Unidos em expansão



 Nesse capítulo estudamos a formação territorial dos Estados Unidos e a posterior política aplicada por esse país em relação aos países vizinhos.

A ocupação dos EUA para o Oeste ficou conhecida como Marcha para o oeste e é definida como uma expansão territorial que ganhou força a partir de 1848, ao mesmo tempo da descoberta de ouro na Califórnia, estado do extremo oeste dos EUA.
Crescimento demográfico: Com o aumento populacional nos EUA foi criado em 1862 a Lei do Povoamento que concedia por 10 dólares um lote de terra a quem quisesse cultiva-la, mas a lei só valia para os novos territórios ocupados. (Vejam o mapa da página 226)

Destino Manifesto: Foi um pensamento usado pelos colonos para justificar o expansionismo territorial e para impor a civilização aos ditos selvagens, os indígenas. 

Ao mesmo tempo da expansão territorial os EUA viviam uma grande diferença entre os estados do Norte e do Sul que existia desde os tempos de colônia, em parte do século XVIII e no século XVII.
Norte e Sul:  O norte defendia a pequena propriedade agrícola e a produção variada contra a escravidão e tenha uma indústria em ascensão. O sul é totalmente o oposto do norte, era escravista, defendia a grande propriedade de monocultora, exportava matéria-prima para o mercado externo e para as indústrias do norte.

A tensão entre o Norte e o Sul aumentaram mais ainda quando o assunto era o trabalho escravo.
 A polêmica escravista: Na região do sul e do norte os negros não tinham participação em nada, além de sofrer grande descriminação principalmente no sul, onde a escravidão era permitida. O sul desejava estender a escravidão para os novos territórios, enquanto o norte desejava ampliar o mercado consumidor de seus produtos, e defendia o trabalho livre e assalariado.

A Guerra de Secessão (1861-1865):  Quando Abraham Lincoln venceu as eleições presidenciais de 1860 alarmou os sulistas, pois ele vera visto como um abolicionista, o que acabou sendo um pretexto para os estados do sul se declarem separados do resto EUA.  A abolição da escravidão foi anunciada em 1863 pelo então presidente o que estimulou a fuga de escravos, fragilizando ainda mais a economia sulista por ser mais dependente do trabalho escravo. Após a guerra a industrialização do norte tomou mais forte impulso.          


Imperialismo norte-americano: A ideia do imperialismo é que uma potência consegue impor  e fortalecer seus interesses sobre outros países. 
Na década de XIX, os Estados Unidos já despontavam como uma promissora potência econômica, comercial e política. Nesse contexto alguns setores da sociedade norte-americana passaram a defender a necessidade de estreitar as relações diplomáticas e comerciais com os demais países da América Latina.

Primeira Conferência Panamericana (1889): O objetivo era ampliar sua influência e o comércio com os países latinos, a proposta foi rejeitada pelos demais participantes, entre eles o Brasil. O insucesso diplomático não fez com que o país freasse seus interesses, e neste mesmo ano os Estados Unidos colocaram em ação sua política imperialista, intervindo militarmente em Cuba.

Caso de Cuba: Cuba ainda se mantinha como colônia da Espanha, produzindo açúcar e tabaco no final do século XIX. (1868-1878).  A colônia havia passado por sua primeira guerra de independência, a Guerra dos Dez Anos. Frustrados em sua primeira tentativa os cubanos iniciaram uma nova revolta contra o domínio espanhol em 1895. Os norte-americanos interessados nos produtos produzido na ilha (açúcar, tabaco e minério de ferro) investiram na guerra, conhecida como Guerra Hispano-Americana, em apoio à Cuba contra a Espanha. Os cubanos saíram vitoriosos e em contrapartida os norte-americanos impuseram um trato. A Espanha reconhecia a independência da Cuba e transformava Porto Rico e Filipinas em colônias norte-americanas. Cuba foi ocupada por tropas norte-americanas que assumiram provisoriamente o poder.

Emenda platt: A emenda é produto desse mesmo contexto de apoio dos EUA à independência cubana.
Por definição, foi um dispositivo que a previa ajuda militar norte-americana para garantir a independência da ilha em troca de privilégios comerciais, além de prever direito de instalação de bases navais norte-americanos na ilha. As tropas norte-americanas só se retiram de cuba depois das eleições (1903).

 Canal de Panamá: O canal de Panamá seria um canal artificial que ligaria  os oceanos Atlântico e Pacífico.
Seu objetivo era encurtar as viagens marítimas, trazer renda em virtude das taxas cobradas pela travessia. No entanto vieram diversos problemas, chuvas, desmoronamento e doenças tropicais levaram a empresa francesa encarregada não concluir as obras. As atividades seriam retomadas pelos EUA com a imposição de condições ao governo colombiano que detinha o território do Panamá, como essas condições não foram aceitas, os norte-americanos incentivaram a independência do Panamá e concluem a construção do canal que ficaria sob domínio dos EUA até os anos de 1990.

Big Stick:  Em 1903 o presidente norte-americano Theodore Roosevelt propôs uma nova interpretação da chamada Doutrina Monroe conhecida como a ”Americanos  para os norte-americanos”. Em substituição, o chefe de estado anunciou a politica Big Stick. (“grande porrete”) que impunha o controle agressivo e intervencionais aos países latino-americanos. Em decorrência disso, os EUA intervieram na política interna de vários países no início do século XX e participação da derrubada de vários governos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Unid. 8 - Cap. 1 e 2 - Do Império à República

Neste capítulo abordamos os motivos que levaram à queda da Monarquia e a substituição pela República.
Um dos motivos foi a Guerra do Paraguai (1864-1870). O início do conflito, envolvendo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai foi motivado por uma grande disputa pelo controle da região da bacia do Prata, a região platina. O Brasil, por exemplo, desejava garantir o acesso ao seus territórios no interior, mais acessíveis por navegação pelo rio da Prata. O Paraguai, por outro lado, desejava obter uma saída por mar. Havia também a disputa entre Brasil e Uruguai por territórios férteis e dedicados à pastagem no sul do país. Muitos são os motivos para a eclosão do conflito. 
O que nos importa é lembrar que após o ataque paraguaio, o Brasil e a Argentina, formou-se rapidamente a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) para lutar contra o Paraguai. A guerra se prolongaria até 1870 e seria vencida pela coligação de países, com a liderança do Brasil. Porém, a vitória trouxe grandes consequências. Uma delas foi o aumento da dívida externa do país com a Inglaterra porque o governo brasileiro precisou de diversos empréstimos para cobrir os gastos com o conflito. Além disso, a Coroa imperial não cumpriu com promessas feitas ao Exército como indenizações para os feridos na guerra e para órfãos e viúvas, a doação de terras e melhores salários. Fato que criou um distanciamento entre o Exército e a Coroa. Não bastasse isso, a liberdade de escravos obtida a partir da participação no conflito criou uma grande contradição porque alguns negros serviam para lutar pelo país, mas ainda assim existia a escravidão que impedia considerar essas pessoas como cidadãs.
Nesse mesmo contexto ganhou força a campanha abolicionista e o movimento republicano. O questionamento à escravidão teve seus primeiros sinais em 1850 após a aprovação da Lei Eusébio de Queiroz. Afinal, não era possível trazer novos escravos, mas o uso do trabalho escravo era permitida. Nos anos 1860 ganhou força a resistência escrava e também a atuação de clubes abolicionistas que se organizaram para a compra de liberdade de escravos e espalhar ideias pelo fim da escravidão através de jornais, charges e manifestações.
A abolição viria de modo lento e gradual. Porque foram necessárias várias leis até a abolição completa do trabalho escravo. Em 1871 foi aprovada a Lei do Ventre Livre. Estabelecia que todos filhos e filhas de escravas nasceriam livres, mas cabia ao senhor libertá-los após os 7 anos ou se o manteria até os 21 anos trabalhando para ele como forma de indenização.
Em 1885 foi aprovada a Lei dos Sexagenários. Estabelecia a liberdade para todos os escravos com mais de 60 anos, mas estes seriam obrigados a trabalhar mais 3 ou 5 anos para seu senhor como forma de indenização. 
Somente em 1888 foi aprovada a Lei Áurea que estabelecia a liberdade de todos os escravos e não indenizava os proprietários. É importante lembrar que, embora o fim da escravidão tenha sido conduzido pelo próprio governo e fosse um desejo pessoal de D. Pedro II e da princesa Isabel, deve-se reforçar a ideia que a abolição também foi obra dos constantes atos de resistência dos escravos e da campanha abolicionista cada vez mais intensa na década de 1880. Com a assinatura da lei a Coroa perdeu uma importante base de apoio político, aqueles fazendeiros ainda agarrados e dependentes do trabalho escravo, muitos deles abraçaram o republicanismo.

O Republicanismo ganhou força e adeptos a partir de 1870. O "Manifesto Republicano" lançado no mesmo ano criticava o poder Moderador e a vitaliciedade do Senado e defendia a implantação de uma Republica democrática, representativa e do federalismo
O federalismo estabelece a maior liberdade para os estados criarem suas próprias leis e criarem seus próprios impostos. (A Monarquia não aceitava essa ideia). O movimento cresceu muito, principalmente em São Paulo, com amplo apoio da burguesia cafeicultora do Oeste paulista. A implantação da República recebeu o apoio também da classe média, representados por professores, advogados, médicos, dentre outros grupos. Houve também aqueles denominados de "republicanos de 14 de maio", indivíduos que passaram a defender o republicanismo após a assinatura de Lei Áurea.

A Guerra do Paraguai e o distanciamento do Exército, o Movimento Republicano e a abolição da escravidão são três importantes fatores que explicam o porque de um golpe realizado pelo próprio Exército em 15 de novembro de 1889 que derrubou a monarquia e a implantou a República não ter mobilizado ninguém por D. Pedro II.

Unidade 8 - cap. 1 - A economia cafeeira e a mão de obra

Olá,
escrevei sobre o cap. 1, como o título adianta.
Lembrem que o conteúdo da prova é toda a unidade 8, com os capítulos 1, 2 e 3. Como mostrei para vocês no Facebook, a avaliação está mais concentrada no cap. 1 e 2. Colocarei o cap. 2 aqui nesse post mesmo. Ok?

Vamos lá!

A economia cafeeira teve início ainda no século XVIII, mas se desenvolveria plenamente apenas no século XIX muito influenciada pelo crescente consumo do produto e, consequente aumento nos preços, nos Estados Unidos e na Europa. A plantação foi iniciada, principalmente, no Vale do Paraíba (RJ), região de terras extensas com solo e clima favoráveis. Surge ao mesmo tempo uma nova elite e classe política no Brasil, os barões de cafés. Utilizava-se, sobretudo, a mão de obra escrava nos cafezais, fato que deu novo impulso para o tráfico de escravos para o Rio de Janeiro.
A região do Oeste Paulista, região que abrange cidades como Piracicaba, Jundiaí, Campinas, dentre outras, também foi uma zona de expansão do café após 1840 e tornou-se a principal região produtora em razão da acentuada decadência da produção no Rio de Janeiro, no Vale do Paraíba, por causa da dificuldade de obter escravos após a Lei Eusébio de Queiroz de 1850 (proibia a a entrada de novos escravos no Brasil), o uso intensivo do solo e a falta de investimentos para melhoria técnica. 

Também foi constata presença de mão de obra escrava no Oeste paulista. Porém, ao mesmo tempo, a região recebia cada vez mais imigrantes ao longo do século XIX para trabalhar como mão de obra livre e recebendo salário. Existiram dois modelos que recebiam os imigrantes, o sistema de parceria e anos depois o sistema de colonato. O que nos interessa no momento é que a atividade econômica cafeeira introduziu uma nova relação de trabalho no Brasil, ou seja, a assalariada e livre.

Além de incentivar a imigração e introduzir um novo conceito de mão de obra a cafeicultura influenciou também na industrialização e urbanização do país. Porque a riqueza gerada pelo café passou a ser utilizada em diversos setores da economia e na mudança nos espaços urbanos. É dessa época a criação de diversas ferrovias para ligar as áreas produtoras de café no Rio de Janeiro ou São Paulo os portos de cada província. Nesse contexto, diversos bancos chegaram ao país, muitos deles ingleses, e empresários realizaram diversos empreendimentos para a modernização e urbanização do Brasil, principalmente no Sudeste, que tornou-se a região mais importante economicamente. A partir de 1850, investimentos estrangeiros e nacionais foram aplicados para a iluminação pública à gás, a implantação de bondes, do telégrafo e a própria abertura de novos bancos podem ser exemplos de desenvolvimento de algumas cidades brasileira.
Apesar do crescimento econômico e urbano, o Brasil continuou um país de economia agrária e exportadora, na qual a maioria da população continuava trabalhando no meio rural.

Em 1850 foram aprovadas duas leis que marcaram a sociedade daquela época. Uma delas foi a Lei de Terras. Estabelecia que a ocupação do terrenos pertencentes à Coroa seria permitido somente através da compra, dificultando assim, o acesso para a grande parte da população. Até essa data o acesso à terra acontecia por ocupação ou por doação da Coroa. Essa lei foi aprovada porque a elite agrária do país via com temor o crescente número de libertos (ex-escravos) e de imigrantes que podiam escapar ao seu controle caso ocupassem novas terras e não dependessem dos grandes senhores.
É de 1850 também a lei que proíbe a entrada de novos escravos no país: a Lei Eusébio de Queiroz. Trazer escravos após essa data era cada vez mais perigoso e arriscado, pois a Marinha britânico atuava fortemente no Atlântico interceptando navios negreiros e retornando os escravizados para o continente africano.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Unid. 7 - Capítulo 2 - O Segundo Reinado

Olá
esse post finaliza o conteúdo para a av2.
Unidade 7: capítulo 1 - Revoltas Regenciais
                  capítulo 2 - Segundo Reinado

Golpe da Maioridade

Em 1840, tem início o Segundo Reinado (1840-1889) no Brasil sob o comando de d. Pedro II. Contudo, o novo governante do país ainda não havia completado os 18 anos previstos pela Constituição de 1824. Por isso, foi preciso derrubar a regência para colocar em seu lugar o jovem imperador. O golpe foi elaborado pelo Partido Liberal (ou Progressista) contra o Partido Conservador (ou Regressista) em razão da aprovação de uma série de medidas centralizadoras aprovadas pelos conservadores ainda em 1837. 
A partir dessa questão é possível perceber o perfil de cada partido nesse momento. Os liberais eram mais favoráveis a manutenção das reformas adotadas em 1834 pelo Ato Adicional que concediam maior autonomia política. Enquanto os conservadores preferiam a centralização política e um poder central forte, até mesmo para conter as revoltas regenciais. Apesar dessas diferenças ambos eram compostos pela elite proprietária de grandes lotes de terras e de escravos, para ambos o poder era um meio de atender a interesses particulares, obter prestígio pessoal e fortalecer a autoridade regional. Além disso, ao longo de todo o Segundo Reinado estabeleceu-se uma política de troca de favores e negociação entre si. 
As eleições durante esse período histórico para compor a Câmara e as Assembleias eram marcadas por violências e fraudes, como roubo de urnas e falsificação de votos. Por exemplo, a primeira eleição realizada no Segundo Reinado ficou conhecida como as "eleições do cacete" em razão da violência contra os eleitores e pelas fraudes colocadas em prática.

Em 1847 foi criado o cargo de presidente do Conselho de Ministro, na verdade, correspondia ao cargo de primeiro-ministro. Logo, tivemos por um tempo a introdução do regime parlamentarista. Essa forma de governo, no entanto, acontecia de modo diferente do esperado porque, ao contrário do que acontecia na Inglaterra, o primeiro-ministro era escolhido pelo próprio Imperador e não pelo partido que formasse maioria na Câmara, cabia a ela apenas confirmar o nome do primeiro-ministro escolhido por d. Pedro II.

Além disso, ainda no início do Segundo Reinado começou o processo de restrição ao trabalho escravo. Desde o início do século XIX, a Inglaterra passou a pressionar Brasil e Portugal para darem fim ao tráfico de escravos entre os portos africanos (Luanda, por exemplo) e os portos brasileiros. Em 1831, o Brasil criou a primeira lei que proibia o tráfico de escravos, mas essa determinação teve pouco efeito prático porque o comércio de pessoas tomava cada vez mais um novo impulso motivado pelo crescimento da produção de café no Brasil. 
Em 1845, o parlamento britânico aprovou o Bill Aberdeen, uma lei que autorizava a Marinha britânica a aprisionar qualquer navio negreiro e julgar os traficantes pelas leis inglesas. A partir disso, a compra de escravos pelos brasileiros passou a ser um negócio cada vez mais caro e arriscado, pois poderia haver o risco de perder dinheiro porque muitos navios deixaram de chegar trazendo novos contingentes de escravizados. Por fim, em 1850, foi aprovada a lei Eusébio de Queirós que determinava a total extinção do tráfico de escravos para o império e, em poucos anos, o comércio da escravidão abolido definitivamente no oceano Atlântico...mas não no Brasil.

Unid. 7 - Capítulo 1 - O Período Regencial (1831-1840)

Hello turma

O período regencial é o momento que corresponde à renúncia de d. Pedro I em 1831 até o início do Segundo Reinado em 1840. Em um primeiro momento o poder era exercido por três regentes, mas uma reforma na Constituição, o Ato Adicional de 1834, transformou a regência trina em Regência Una. Além de mudar o poder, outras medidas foram colocadas em prática como: a) criação da Guarda Nacional. b) a ampliação dos poderes dos juízes de paz. c) a criação das Assembleias Provinciais. Todas essas medidas tinham por objetivo promover a descentralização política e permitir que as diversas regiões tivessem maior liberdade de decisão sobre seus próprios assuntos.

a) a Guarda Nacional era uma força paramilitar, ou seja, são civis que atuam de modo semelhante às Forças Armadas e eram comandadas por fazendeiros que recebiam a patente de coronel para reprimir revoltas locais. Logo, essa organização acabou por fortalecer o poder dos latifundiários (os grandes proprietários de terra).
b) Os juízes de paz eram magistrados, mas não eram profissionais, e controlavam a justiça nos municípios pois eram eles que tinham o poder de julgar e condenar. A escolha desses profissionais era extremamente influenciada pelos fazendeiros que acabavam tendo grande poder de controlar, mesmo que indiretamente, a Justiça
c) as Assembleias Provinciais tinham autonomia para criar leis para os municípios sobre diferentes assuntos e nomear funcionários.

Essas foram as principais medidas do Ato Adicional de 1834.

Esse período também é conhecido por uma série de revolta que ocorreram em diferentes regiões do país, denominadas de Revoltas Regenciais. Fiz um breve resumo sobre cada uma delas, mas aconselho que vocês leiam o livro. Páginas 172 à 177 e o exercício n° 3 da página 178.

1) Cabanagem (Pará - 1833-1837)
Houve a explosão dessa revolta a partir de divergências entre os dirigentes locais sobre a nomeação do presidente de província e a interferência do poder central ao nomear um presidente da província. A revolta contou com a participação de índios, escravos e mestiços. Os revoltosos chegaram a declarar a separação do Brasil, o que não demorou muito para ser desfeito, pela forte repressão das tropas imperiais.

2) Revolta dos Malês (Bahia - 1835)
Essa revolta foi um fato interessante na nossa história. Trata-se de um levante de escravos africanos e afrodescentens muçulmanos. Lembrem-se do Haiti e do pavor - chamado de haitianismo - entre a elite colonial brasileira com relação a um movimento parecido no país. O haitianismo ainda estava muito vivo na memória da nossa sociedade. Os escravos queriam criar uma república islâmica e libertar os escravos e o movimento não foi adiante porque foi delatado e contou com forte repressão imperial.

3) Sabinada (Bahia - 1837)
Liderada por Francisco Sabino Barroso, daí o nome Sabinada. Queria estabelecer uma republica federalista e se separar do Brasil e defendia a libertação dos escravos que participassem do levante. Assim como as demais, o movimento foi desfeito em alguns meses pelas tropas imperiais. 

4) Balaiada (Maranhão - 1838)
Foi uma revolta contra a pobreza local e reivindicavam melhores condições de vida, também foi marcada por disputas entre as elites locais. Os seus participantes enalteciam a Constituição e d. Pedro II e foi marcante a presença de escravos.

5) Revolta da Farroupilha (1835-1845)
Essa revolta foi a mais longa e a mais difícil de ser resolvida, tanto é que se estendeu por 10 anos. A revolta, liderada por Bento Gonçalves, teve início principalmente pela questão do charque. O charque é a carne seca e o Rio Grande do Sul vendia esse produto para todo o Sul e o centro-sul do país e o Rio de Janeiro era seu principal comprador. Os gaúchos estavam descontentes porque os impostos cobrados sobre o charque argentino era menor do que os cobrados ao charque brasileiro e como as negociações entre o governo regencial e os gaúchos não avançaram, eclodiu a revolta e por quase 10 anos o Rio Grande do Sul e Santa Catarina não fizeram parte do Brasil. Os conflitos entre os gaúchos e as tropas imperiais chegaram ao fim através de muitas negociações e também por meio da anistia (perdão) aos rebeldes, a integração de oficiais ao Exército brasileiro e ficou acertado ainda que os escravos participantes da revolta seriam libertos, o que nunca aconteceu!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Unidade 6 - Cap. 2 - Sociedade e ciência no século XIX

Oi gente,
esse post finaliza o nosso conteúdo de av1.
Lembrem que é toda a Unidade 6, beleza?

Nesse capítulo veremos as consequências da industrialização e o surgimento de ideias preocupadas em refletir sobre as questões sociais surgidas em função do forte desenvolvimento industrial.
E quais foram as consequências da industrialização?
- A forte adoção do liberalismo econômico, ou seja, a liberdade de comércio e de produção sem intervenção do Estado em assuntos econômicos. 
- A crescente utilização de máquinas na agricultura (mecanização) e a consequente liberação de mão de obra do campo para a cidade, provocando o que conhecemos como êxodo rural. Muitas dessas pessoas seriam utilizadas como força de trabalho das fábricas. 
- forte crescimento das cidades: pouco preparadas para receber a enorme quantidade de pessoas proveniente do campo
- pouca interferência do Estado na relação entre empregadores e empregados, facilitando a existência das enormes jornadas de trabalho, baixos salários e condições insalubres. 

Devemos lembrar também que diante desse contexto os trabalhadores se organizaram em um movimento denominado de cartista por causa de suas condições de vida e trabalho. Por exemplo, a decretação de greves e a formação de sindicatos eram proibidas por lei. Além disso, os trabalhadores não tinham direito de voto. Logo, como a participação deles era restringida no meio político, as reivindicações e organizações dos trabalhadores por melhorias no trabalho teriam que acontecer fora do espaço político. Durante as décadas de 1820 e 1830 o movimento cartista realizou uma série de reivindicações ao Parlamento britânico e conseguiu algumas vitórias como a revogação (anulação) de leis que impedia a organização dos trabalhadores e também a proibição do trabalho feminino e infantil nas minas e a restrição de 8h de trabalho para as crianças.

Esse é o momento da Segunda Revolução Industrial. Esse fato histórico está ocorrendo ao mesmo tempo em diversos países, como a Alemanha, a Bélgica, os Estados Unidos, a Holanda, dentre outros. Nessa etapa da revolução surgiram novas formas de energia: o petróleo e a eletricidade. Agora as máquinas são movidas não mais por carvão, são utilizados derivados do combustível fóssil e a energia elétrica. Ao longo do XIX surgiram várias invenções que mudariam a produção e o cotidiano das pessoas, como a criação das ferrovias, a conversão do ferro em aço, a invenção do telégrafo e do telefone.

O crescimento industrial era notável, assim como a concorrência entre elas. Por isso a livre concorrência e livre mercado deu lugar à concentração de capital e monopolização de mercados através dos oligopólios. Este fenômeno econômico acontece da seguinte maneira: um número reduzido de empresas oferecem uma grande quantidade de serviços e produtos para uma grande massa de consumidores. E qual o objetivo disso? Controlar a oferta de mercadorias, assim como os preços e, consequentemente limitar a concorrência entre as empresas vendedoras. (Vejam o livro página 160) 

Os pensadores sociais

No ambiente de forte liberalismo surgiram pensadores que buscavam realizar a distribuição de riqueza e criar sociedades igualitárias. Dois deles foram Friedrich Engels e Karl Marx. Ambos eram estudiosos das relações de trabalho existente no capitalismo industrial e elaboraram um teoria que visava a superação do capitalismo, ou seja, a substituição do capitalismo pelo socialismo científico. Na teoria desenvolvida por ambos existe necessariamente uma luta de classes na sociedade e, no caso que estamos estudando, falamos de uma luta entre burgueses, que detém os meios de produção, e os proletários que vendem a sua força de trabalho. Além disso, os dois pensadores propunham, através do socialismo, o fim da propriedade privada e dos meios de produção.
O anarquismo também surgirá uma alternativa ao pensamento liberal e como um meio de eliminar as desigualdades. Os anarquistas propõe o fim do Estado, de toda autoridade que exista e o fim da propriedade privada, sugerindo em seu lugar, o autogoverno e a livre associação produtiva.

Mas não foram apenas estes os movimentos que existiram.
Em meados do século XIX as mulheres começam a se organizar exigindo o direito de voto. Esse movimento, iniciado nos Estados Unidos e estendendo-se por vários países, inclusive o Brasil, ficou conhecido como sufragistas e se estendeu por parte do século XX.
Lembrem-se que a sociedade esperava que a mulher se dedicasse apenas aos assuntos domésticos como cuidar da casa e dos filhos enquanto os homens cuidavam dos assuntos públicos, como a política.

continua...