segunda-feira, 30 de março de 2015

Unidade 2: O fim do Antigo Regime - Capítulo 1 - Revolução Francesa

Olá pessoal
Finalmente chegamos ao último post para a AV1.
Lembrem-se: o conteúdo é toda a 
Unidade 1 cap. 1 O Iluminismo e cap.2 - formação dos Estados Unidos. 
Unidade 2 cap. 1 - Revolução Francesa

Vamos lá!

Logo de cara temos que lembrar algo que vimos no capítulo sobre o Iluminismo. Lembra que quando estávamos estudando esse assunto foi falado que a sociedade era divida em Estados? Havia o Primeiro Estado que correspondia ao clero, o Segundo Estado que abrangia a nobreza e, por fim, o Terceiro Estado, muito mais numeroso e correspondia aos burgueses, camponeses, profissionais liberais, assim como trabalhadores urbanos de diversas atividade. 

E qual o contexto da França nesse final do século XVIII?
O reino vivia em dificuldades. Um deles eram os problemas financeiros provocado pelos altos custos de guerras que a França se envolveu, como a Guerra dos Sete Anos contra a Inglaterra e o apoio à luta dos colonos das 13 colônias que guerreavam pela sua independência. Guerra é custo e nem sempre os países tem condições de bancar todo o dinheiro necessário para manter um conflito armado. Logo, isso promove muitos gastos e óbvio, aumento de impostos. Mas não para por aí.

Antes do conhecidíssimo 14 de julho de 1789 a França viveu anos de colheitas ruins em 1788 e 1787. E daí? E daí que a quantidade de alimentos foi reduzida por causa dessas plantações que renderam menos do que o esperado e, com isso, houve o aumento de preços dos produtos alimentícios. 

Por fim, ainda existia na França resquícios do feudalismo e suas cargas de impostos contraditórias que pesavam principalmente no Terceiro Estado, enquanto o Primeiro e o Segundo Estado usufruíam de várias isenções. 

E como resolver essas questões?

A Assembleia dos Estados Gerais
O rei francês Luís XVI se decidiu por convocar os Estados Gerais, algo que não acontecia desde 1614. E o que é isso? Era uma reunião dos três Estados para debater e estabelecer meios de passar por aquela crise.
Porém, as discordâncias começaram logo no início do encontro no que dizia respeito ao modo de votação dos assuntos que seriam decididos pelos representantes dos Estados. O Primeiro e o Segundo Estado desejavam uma votação por Estado, enquanto o Terceiro Estado defendia a votação individual ("por cabeça"). Afinal, era provável que o Primeiro e o Segundo Estado votassem juntos contra o Terceiro Estado e, assim, formariam sempre 2 x 1. Por outro lado, a votação por representantes dava mais chances para os interesses do 3° Estado, por ser muito maior e por ter representantes do 1° e 2° que votariam juntos com o 3° Estado.
Como a discussão não avançava e diante da posição sempre dúbia do rei Luís XVI o 3° Estado resolveu se separar dos Estados Gerais e fez o que ficou conhecido como Juramento da Sala do Jogo da Péla, nesta sala, os representantes do Terceiro Estado juraram dar uma Constituição para França. Bem, até o momento não se falava muito em acabar com a monarquia, mas sim, em limitar seus poderes. Lembrem que estamos na França, berço do Iluminismo, a efervescência de ideias e o desejo de mudanças estava no ar.
Temos então a

Assembleia Nacional Constituinte
Não era somente o desejo de mudanças. A tensão política era enorme. Ao mesmo tempo que é formada a Assembleia para dar uma Constituição para França o rei organizava forças do Exército para cercar Paris e enquanto isso, a população parisiense se mobilizou para dar apoio ao Terceiro Estado. É nesse momento que chegamos no 14 de julho de 1789. Essa data que marca o início da Revolução Francesa e, além disso, foi escolhida pelos historiadores como o fato histórico que finaliza a História Moderna e inicia-se a História Contemporânea. E por que essa data é tão importante? Porque nesse dia a população de Paris invadiu e destruiu a Bastilha. Um castelo imenso e símbolo do poder absolutista do rei por ser uma prisão (naquele contexto os monarcas podiam decretar a prisão das pessoas. Primeiro elas eram culpadas e depois se provava a inocência delas...ou não). A partir daqui as transformações não param de acontecer.

Reformas sociais e políticas
Dias depois e ainda na Assembleia Nacional Constituinte foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Na prática, a partir da declaração estavam mortas as distinções em estados e garantia aos cidadãos a igualdade perante a lei (algo que não existia até então), a liberdade e a posse de propriedades. 
Em 1790 foi a aprovada a Constituição Civil do Clero que confiscava os bens da Igreja - principalmente terras - e transformou o clero em dependentes do Estado (Governo) da França ao torná-los funcionários públicos.
Ao mesmo tempo, as discussões sobre a Constituição ainda aconteciam. Até que em 1791...

Monarquia Constitucional
...quando a Assembleia estava terminando seus trabalhos na Constituição houve a tentativa de fuga do rei Luís XVI. Esse ato quebrou qualquer tipo de confiança que poderia existir entre o rei e os grupos sociais que desejavam mudanças na França, mas por outro lado, garantiu a aprovação da Constituição da França alguns meses depois. A partir de agora o rei teria que governar de acordo com esse documento. E o que isso quer dizer? Algo difícil entender mesmo. Agora o poder não era apenas do rei, mas também da população através de representantes eleitos. 
A Constituição traz algumas novidades como a divisão dos três poderes, garantia o fim da isenção de impostos para determinados grupos sociais e estabelecia o voto censitário.

Apesar desse avanço político, a França ainda encontrava-se em meio a crise econômica e ameaçada por uma guerra porque a Prússia e o Império Áustro-Húngaro, ambos de monarquia absolutista, viam os acontecimentos franceses como uma ameaça, um exemplo que não deveria ser seguido, mas sim controlado e exterminado. Vários nobres e cleros se mudam para essas regiões para organizar uma guerra contra os revolucionários. Em razão disso, em 1792, é declarada a guerra contra essas duas monarquias, ao mesmo tempo que a Assembleia Nacional Constituinte torna-se a Assembleia Nacional - uma espécia de Câmara dos Deputados. Temos então o início da 

Convenção Nacional
Os deputados eleitos para formar a Assembleia Nacional declaram extinta a monarquia e teve início a República. Teremos a formação de grupos políticos que defendem algumas ideias em comum (não são partidos ainda, ok? Partidos como conhecemos só no séc. XX). Desses grupos podemos destacar os jacobinos e os girondinos. Os jacobinos são conhecidos como os de esquerda e os girondinos seriam de direita.
(Na página 42 há uma descrição sobre os 2 grupos. Vejam)
Vocês já devem ter percebido que a Revolução Francesa é formada por vários acontecimentos e nomes diferentes.

Em pouco tempo, o período da Convenção foi controlado pelos jacobinos e vimos, então, um dos momentos mais controversos do período revolucionário. Por um lado, há a escrita de uma nova Constituição em 1793 que substituía o voto censitário masculino pelo voto universal masculino, estabelecia o fim da escravidão nas colônias francesas, a criação das escolas primárias e obrigatórias e limitação de preços. Por outro lado, é o período do julgamento de Luís XVI e também do Terror.
O julgamento de Luís XVI deixou bem clara a diferença política entre girondinos e jacobinos. O monarca entrou para História como um traidor, os jacobinos o acusavam de conspirar contra a nova ordem francesa e de se aliar às monarquias absolutistas. Para azar do rei foram descobertas correspondência que, de fato, comprovavam as acusações dos jacobinos que sempre pressionaram que o monarca deveria perder a cabeça, quer dizer, guilhotinado. O que de fato aconteceu. 
(Imagina como as monarquias absolutistas receberam essa notícia? Estamos falando da morte do Absolutismo na França. Ao pé da letra!)
E o Terror? Foi um meio que os jacobinos encontraram para controlar e garantir os avanços que foram conquistados porque a disputa sobre entre os grupos políticos para decidir os rumos da revolução eram constantes e suas conquistas não estavam garantidas. A possibilidade de um retrocesso era forte! 
Formou-se então, em 1793, o Comitê de Salvação Pública. Passou a existir combates intensos aos contra-revolucionários e muitos deles foram declarados inimigos, perseguidos, presos, julgados e guilhotinados. Nesses anos a guilhotina trabalhou bastante! A grande questão foi que as vozes jacobinas que discordavam dessa perseguição desenfreada tiveram o mesmo destino que os contra-revolucionários...GUILHOTINA. Foi por causa disso que o governo jacobino perdeu apoio político e apoio popular, facilitando o Golpe do 9 Termidor que derrubou os jacobinos do poder.
Nesse momento passamos da Convenção para o

Diretório
O golpe contra os jacobinos foi realizado pela burguesia girondina e representou alguns retrocessos pela nova Constituição de 1795 que restabelecia a escravidão, assim como recuperou o voto censitário masculino e deu fim aos comitês revolucionários que serviam para ouvir a população sobre os problemas vividos e ajudar a traçar estratégias para resolver problemas sociais, políticos e econômicos. Por outro lado, aboliu as execuções sumários. 
(Nada na História é inteiramente bom ou ruim, como vocês já devem ter percebido.)

De 1795 até 1799 tivemos vários momentos também muito instáveis, assim como os anos jacobinos. O problema da economia ainda era evidente e isso afetava a vida das pessoas diretamente. São anos de intensas disputas entre os girondinos, monarquistas e sans-cullotes.

Eis que nesse momento começa a surgir um importante nome para a História mundial: Napoleão Bonaparte. Napoleão era um militar francês que mostrou-se um gênio em estratégias e conseguiu diversas vitórias contra as monarquias absolutistas. O seu prestígio no meio militar tornou-se também um prestígio político, sinônimo de apoio, e em razão disso, setores do governo girondino e Napoleão deram o que ficou conhecido como o Golpe do 18 Brumário.



Espero que vocês tenham percebido que a Revolução Francesa (1789-1799) foi um dos principais acontecimentos da História porque ela lançou as bases para a sociedade que vivemos hoje, com a divisão de poderes, eleições regulares, a tentativa de estabelecer a igualdade entre as pessoas e uma vida baseada em direitos iguais para todos e não, uma sociedade de privilégios, como era no Antigo Regime.




domingo, 29 de março de 2015

Unidade 1 - capítulo 2: A formação dos Estados Unidos da América

Olá!
Vamos para o capítulo 2, Unidade 1.  

Nesse capítulo vimos a ocupação de colonos ingleses na América do Norte, região que se tornou as 13 colônias e a partir da sua independência, os Estados Unidos da América, em 1776. 

13 Colônias
O início da colonização aconteceu apenas na costa leste do país e ao longo do litoral. No final do século XVI e boa parte do XVII a ocupação foi feita por companhias de comércio. Mas antes é importante nos perguntarmos o que levou ingleses a saírem da Europa e se dirigem para a América. O que motivou essas pessoas? Por que fazer uma aposta tão arriscada? Podemos destacar alguns motivos.

a) perseguições religiosas
Desde o início da Reforma protestante na Europa e o rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica, a Inglaterra passou a abrigar 3 religiões diferentes: os anglicanos, os puritanos (calvinistas) e os católicos. E daí? E daí que os níveis de intolerância religiosa eram muito maiores daqueles que existem na atualidade.

b) problemas políticos
No século XVII, a Inglaterra entrou em crise e em uma disputa política para decidir os rumos do reino. Houve uma feroz guerra civil entre os ingleses para defender o poder nas mãos dos reis ou o poder do Parlamento.

c) cercamento dos campos (enclousures)
Uma das consequências do rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica para a criação da religião Anglicana foi a confiscação das terras da igreja e consequentemente, a retirada de muitas pessoas que dependiam do campo. Essas terras foram destinadas para a produção de lã, produto importante a séculos na Inglaterra. Com isso, diversas pessoas se dirigiam para as cidades porque não havia espaço para elas no campo. Como as cidades não eram capazes de absorver todos a própria coroa britânica passou a incentivar a ida de ingleses para a América.

Essa colonização sempre foi marcada por considerável liberdade política e econômica. Vamos relembrar.

É muito comum explicar a diferenciação entre colônias do Norte e do Sul. Para entender melhor a colonização das 13 colônias é muito útil, porém as oposição feitas não se sustentam quando são realizadas pesquisas históricas. Mas vamos lá.

As colônias do Norte foram formadas praticamente por pequenas propriedades e com mão de obra livre, escrava e servidão temporária. (os colonos trabalhavam por 7 anos para pagar as despesas de viagem). O Sul teve uma colonização um pouco diferente por ser uma região produtora de tabaco e algodão e para produzir são necessários grandes campos e, por isso, a formação de latifúndios. A forma de trabalho era predominantemente de escravos. Será que havia um pacto colonial lá?

Bem, se relembrarmos do comércio triangular realizado entre as colônias do Norte, Sul, portos na África e as Antilhas (América Central) sem a participação da Inglaterra vemos que o Pacto Colonial não funcionava 100%. Lembrem que a Inglaterra, por muitos anos, teve vários problemas próprios para resolver e a colonização das 13 colônias não era uma prioridade. Até que...
Revejam o livro na página 27

Até que chegamos no século XVIII. Para quem não percebeu ainda este século é um momento de grandes transformações no mundo. E o que mudaria para a Inglaterra?

Revolução Industrial
A Inglaterra começou a viver a Revolução Industrial e isso quer dizer que os processos de produção de mercadorias passaram por uma transformação. As manufaturas iniciam um processo de mecanização e a principal produção é a de tecidos a partir da extração da lã. Essa revolução promoveu um grande aumento da produção e, com isso, a Inglaterra tentará vender seus novos produtos para todos os lugares que ela tem trocas comerciais.

Guerra dos Sete Anos (1756-1763)
Foi uma guerra que envolveu a França e a Inglaterra travada na Europa, mas teve consequências na América do Norte através de disputas territoriais entre os colonos franceses e ingleses porque assim como estes, os franceses também ocuparam o norte da América, na região mais ao centro dos Estados Unidos e parte do que hoje é o Canadá. Além disso, uma guerra é sempre custosa e como a coroa britânica não tinha condições de custear todos os gastos, ela passou a aumentar os impostos no reino e na colônia. Outra clara consequência foi o aumento da presença de militares ingleses na colônia.

Curiosidade: A expansão territorial para o interior das 13 colônias ocorreu, em parte, por causa da servidão por contrato, um regime de trabalho comum na ocupação americana. Os colonos viam para a América com tudo pago e trabalhavam até saldar suas dívidas com aqueles que tinha custeado a sua viagem. Ao mesmo tempo esses colonos buscavam fazer algumas economias para quando saldasse suas dívidas pudesse comprar terrenos para a agricultura. Como essa prática se tornou cada vez mais comum, a colonização foi empurrada para dentro do território.

Fato é que no século XVIII a Inglaterra passou a olhar as 13 colônias de outro modo. Somente no XVIII haverá uma tentativa clara de estabelecer, de fato, um pacto colonial. Basta pensar nos impostos que a metrópole criará, como a Lei do Selo (1765) que estabelecia a obrigação de selar todos os documentos. Em 1770 houve o Massacre de Boston. Houve uma pequena manifestação dispersa a tiros por soldados ingleses ocasionando a morte de colonos. Em 1773 foi estabelecida a Lei do Chá. Nela a Inglaterra concedia a exclusividade (monopólio) comercial do chá para a Companhia de Comércio das Índias Orientais, consequentemente houve o aumento dos preços. Em reação à lei ocorreu o Boston Tea Party. Colonos vestidos de índios jogaram ao mar a carga de chá presente nos navios ingleses atracados no porto de Boston. A Inglaterra, por sua vez, respondeu com as Leis Intoleráveis e estabelecia o fechamento do porto de Boston até que todo o prejuízo fosse quitado pelos próprios colonos.
Nesse panorama devemos perceber que há um prolongado desgaste nas relações entre a colônia e a metrópole e aos poucos surgirá o desejo de independência. O grande problema que havia era a resistência
dos colonos em relação aos novos impostos porque Seus questionamentos partiam do fato de que eles não estavam presentes, nem foram ouvidos na aprovação e criação desses tributos. O argumento dos colonos era baseada numa antiga tradição do Parlamento inglês onde cada membro tinha direito a um voto. ("um homem, um voto"). Novamente precisamos daquele box do capítulo 1, sobre Locke. Sim, o pensamento do filósofo inglês sempre foi muito conhecido por vários colonos porque diversos motivos. Um deles seria a preocupação, principalmente no norte, no aprendizado da leitura. Outro motivo seria a existência de universidades desde o século XVII e, por fim, muitos colonos voltavam para a Inglaterra para estudar. Lá eles travavam maior contato com as ideias de Locke e, certamente, com as ideias iluministas.

Independência dos Estados Unidos

 Em 4 de julho de 1776 o mundo conheceria a Declaração de Independência escrita por Thomas Jefferson e contendo claras influências do Iluminismo e de John Locke, como igualdade, liberdade e a soberania popular. É claro que essa notícia não foi bem recebida na Grã-Bretanha e houve uma forte mobilização para impedir a independência das 13 colônias. Com isso, colonos e ingleses mergulharam em um conflito que se arrastrou de 1776 até 1781, fato que adiaria por alguns anos a redação da Constituição dos Estados Unidos, finalizada apenas em 1787.
     A Constituição também traria influências claras dos ideias iluministas, como a criação de uma república federalista e presidencialista. Quer dizer, as colônias tornaram estados e tinham amplas liberdades para criar leis e impostos, desde que ambos não criassem um conflito com a Constituição americana (federalismo). Além disso, haveria a eleição para presidente através do voto (presidencialismo) e divisão dos três poderes em Judiciário, Executivo e Legislativo, assim como o estabelecimento do voto censitário.
(Olhem o livro na página 15. É importante para a prova!!!)

      É nesse ponto, contudo, que vemos os limites da Independência. Ficou estabelecido que o voto não era universal (para todos), criou-se uma restrição para a participação política através do voto censitário. Por causa dele, todos que desejassem votar deveriam antes comprovar renda. Com isso, ficavam excluídas parcelas consideráveis da população, como pobres e negros. Aliás, os colonos que lutavam sempre tiveram muito cuidado na condução do processo de luta pela independência para que não houvesse a confusão entre liberdade política e liberdade ampla e irrestrita para todos, para que os escravos não se mobilizassem amplamente para dar fim ao escravismo americano. Logo, cabe a pergunta: Para quem era a liberdade com a manutenção da escravidão?
Por outro lado não podemos esquecer que tivemos nesse momento o primeiro exemplo de uma colônia que tornou-se independente da sua metrópole. Era, afinal, um fato histórico inédito até então. Lembrem-se Portugal, Espanha, Holanda e a Inglaterra possuem colônias na América, África e Ásia...
Será que esse exemplo de independência influenciará em algo?

É isso!

sábado, 28 de março de 2015

Unidade 1 - capítulo 1 - Iluminismo

Olá turma
Demorou mas chegou o primeiro post de vocês.
Lembrem-se que o conteúdo da prova é a Unidade 1 (capítulos 1 e 2) e a Unidade 2 (capítulo 1)
Esse é sobre Iluminismo (capítulo 1)
Vamos lá!

Antes de chegar lá, lembra que as aulas sobre esse tema começaram com o mesmo assunto? O Antigo Regime. Conforme estudamos, vimos que o movimento filosófico iluminismo era extremamente crítico ao Antigo Regime sustentado por uma monarquia absolutista e pela sociedade estamental. Por um lado, os poderes eram concentrados em um rei e justificados por um direito divino, por outro, a sociedade era dividida em Estados, o Primeiro, Segundo e Terceiro Estado. (Depois de estudar Revolução Francesa todos tem que saber quais são esses estados :P)

A reação contra o Absolutismo
Novas ideias políticas começam a surgir ainda no século XVII, na Inglaterra. Lembra do John Lennon? Quer dizer, John Locke!!! O filósofo inglês escreverá ideias que tornaram-se críticas ao tipo de governo que existia. Para começar havia o questionamento ao direito divino dos reis. Defenderia ainda, que os homens nascem livres e iguais - aqui ele fez referência aos Estados, cada pessoa pertencia a um estado e de acordo com o seu nascimento. Considerava que cabe ao governo garantir os direitos das pessoas e, por fim, (e mais difícil) o poder político é legítimo (sinônimo: verdadeiro ou justo) quando for um reflexo da vontade popular. Ou seja, quando esse poder reflete o poder e o desejo do povo. (Talvez o box da página 15, sobre o Locke, nos ajude a entender isso melhor. Releiam-o porque precisaremos dele na prova!)

É importante lembrar que Locke produziu seus escritos também dentro de um contexto revolucionário dentro da própria Inglaterra, conhecida como Revolução Gloriosa (1688). Trata-se de uma espécie de Revolução Francesa, mas para os ingleses e que ocorreu praticamente 100 anos antes do movimento que mudou o mundo. A revolução dos ingleses retirou totalmente o poder do rei inglês e ampliou os poderes do Parlamento britânico. Além disso, houve a Declaração de Direitos (1689) que garantia uma série de liberdades aos cidadãos.

E por que falar do Locke, um inglês e ainda por cima no século XVII se o Iluminismo que estudamos é um movimento francês do século XVIII? ???
Bem, a influência de John Locke é mais do que evidente nos escritos dos filósofos franceses. Chegaremos lá

A filosofia das Luzes
O Iluminismo ou a Ilustração é movimento que reúne filósofos do século XVIII com alguns pensamentos em comum. Antes de tudo são pessoas que, através da razão, tentam defender a tolerância e, para alguns, a igualdade. Alguns pensadores defenderão também a igualdade jurídica (ou seja, ser julgado pelas mesmas leis), a liberdade de expressão (muitos livros dos iluministas não tinha permissão para circular por causa da censura), a defesa da propriedade e, novamente, a tolerância religiosa.

Mas, afinal, que são eles?

Os filósofos iluministas
Existem outros, mas estudamos apenas três: Jean Jacques Rousseau, Montesquieu e Voltaire.

Rousseau (1712-1778) nasceu em Genebra, na Suíça. Um dos seus livros mais conhecidos é Do Contrato Social (1762) e é nessa obra que o autor defende a ideia de que o governo deve representar a vontade da maioria da população e não, o interesse de alguns.
Para ele, a sociedade deve buscar a igualdade e o soberano deve governar de acordo com a vontade geral e zelar pelo bem comum; pelo bem de todos. Apesar de acreditar na democracia por considerá-la como o único modelo de governo que fosse capaz de sobrepor a vontade de todos, (a vontade da maioria) aos interesses individuais de cada um, Rousseau defendia também que os indivíduos deveriam participar ativamente das questões de governo. Para ele, a democracia representativa não funcionava porque, na sua opinião, não havia soberania, não havia, de fato, a representação da vontade da população através de representantes
(De modo geral, inúmeros países vivem hoje em um regime democrático representativo, ou seja, a população elege seus representantes para governarem por nós e pelos nossos interesses....pelo menos na teoria. Os governantes representam o povo).

Montesquieu (1689-1755) escreveu o Espírito das Leis (1748). Nessa obra encontramos a defesa da divisão dos poderes políticos com o objetivo de evitar abusos por parte de cada um e não concentrar poderes em apenas uma pessoa. Assim, nasce a defesa da divisão do poderes em Legislativo, Executivo e Judiciário (esse aqui todo mundo deve saber...)

Voltaire
Responsável pelo Tratado sobre a tolerância (1763). Foi um defensor da liberdade de pensamento e da tolerância. É interessante destacar que Voltaire não era contra a existência de monarquias, porém ele era contrário a governos arbitrários e defendia, na verdade, que os governos deveriam ser guiados pela razão. Esse pensador foi um crítico dos privilégios da Igreja e da nobreza e questionava o direito divino dos reis e defendia a participação dos esclarecidos no governo. (Quem seriam os esclarecidos? Percebe que está claro que não é uma participação de todas as pessoas? Percebe como foi possível uma "Declaração do Homem e do Cidadão"?)

A difusão das ideias iluministas
Conforme falei na última aula, mais da metade da população francesa sabia ler e, bem ou mal, as ideias iluministas circulavam por todos os grupos sociais franceses. Contudo, devemos lembrar que a Enciclopédia, organizada por D'Alembert e Diderot, foi uma iniciativa para reunir todo o conhecimento produzido pelos iluministas, assim como todo o conhecimento produzido até então. A primeira publicação data de 1751 e causou grande repercussão, pois tornou-se rapidamente um livro criticado e proibido.

O liberalismo
O liberalismo é um produto das ideias iluministas e podemos dividi-lo em liberalismo político e liberalismo econômico.
O liberalismo políticos nós já estudamos. São as ideias de igualdade e liberdade. E o econômico? Teremos, então, de lembrar do inglês Adam Smith e seu livro A Riqueza das Nações (1776). Se os filósofos fazem a crítica ao Antigo Regime pelo lado político, Smith fará a crítica pelo lado econômico. Para ele a economia deveria viver na livre concorrência e não na tentativa de criar Pactos Coloniais ou na concessão de monopólios para poucos, ou seja, o comércio deveria ser livre e sem obstáculos criados pelo Governo. Logo, deveria valer apenas a lei da oferta e da procura. E o que isto quer dizer? Os preços dos artigos devem ser estabelecidos pela quantidade de produtos disponíveis e pela quantidade de pessoas interessadas e a livre concorrência levaria à redução dos preços.

Despotismo esclarecido
A partir do momento que as ideias iluministas ganham cada vez mais força e circulam por praticamente toda a Europa, os monarcas passam a realizar mudanças nos seus governos mas com o objetivo de manter o seu poder. Como assim? O monarca adota algumas ideias iluministas. (Afinal, as ideias do Iluminismo entram em confronto direto com o Antigo Regime!). Os reis fazem modernizações nos Estados (países) sem reduzir o seu poder e sem permitir a ampla participação da população.

caso de Portugal
Portugal foi um caso conhecido de despotismo feita pelo Marquês de Pombal, no reinado de d. José I (1750-1777). Por exemplo, Pombal retirou dos nobres e clero alguns privilégios e reformulou a educação, expulsando os jesuítas e tornando-a uma obrigação do governo.