domingo, 29 de março de 2015

Unidade 1 - capítulo 2: A formação dos Estados Unidos da América

Olá!
Vamos para o capítulo 2, Unidade 1.  

Nesse capítulo vimos a ocupação de colonos ingleses na América do Norte, região que se tornou as 13 colônias e a partir da sua independência, os Estados Unidos da América, em 1776. 

13 Colônias
O início da colonização aconteceu apenas na costa leste do país e ao longo do litoral. No final do século XVI e boa parte do XVII a ocupação foi feita por companhias de comércio. Mas antes é importante nos perguntarmos o que levou ingleses a saírem da Europa e se dirigem para a América. O que motivou essas pessoas? Por que fazer uma aposta tão arriscada? Podemos destacar alguns motivos.

a) perseguições religiosas
Desde o início da Reforma protestante na Europa e o rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica, a Inglaterra passou a abrigar 3 religiões diferentes: os anglicanos, os puritanos (calvinistas) e os católicos. E daí? E daí que os níveis de intolerância religiosa eram muito maiores daqueles que existem na atualidade.

b) problemas políticos
No século XVII, a Inglaterra entrou em crise e em uma disputa política para decidir os rumos do reino. Houve uma feroz guerra civil entre os ingleses para defender o poder nas mãos dos reis ou o poder do Parlamento.

c) cercamento dos campos (enclousures)
Uma das consequências do rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica para a criação da religião Anglicana foi a confiscação das terras da igreja e consequentemente, a retirada de muitas pessoas que dependiam do campo. Essas terras foram destinadas para a produção de lã, produto importante a séculos na Inglaterra. Com isso, diversas pessoas se dirigiam para as cidades porque não havia espaço para elas no campo. Como as cidades não eram capazes de absorver todos a própria coroa britânica passou a incentivar a ida de ingleses para a América.

Essa colonização sempre foi marcada por considerável liberdade política e econômica. Vamos relembrar.

É muito comum explicar a diferenciação entre colônias do Norte e do Sul. Para entender melhor a colonização das 13 colônias é muito útil, porém as oposição feitas não se sustentam quando são realizadas pesquisas históricas. Mas vamos lá.

As colônias do Norte foram formadas praticamente por pequenas propriedades e com mão de obra livre, escrava e servidão temporária. (os colonos trabalhavam por 7 anos para pagar as despesas de viagem). O Sul teve uma colonização um pouco diferente por ser uma região produtora de tabaco e algodão e para produzir são necessários grandes campos e, por isso, a formação de latifúndios. A forma de trabalho era predominantemente de escravos. Será que havia um pacto colonial lá?

Bem, se relembrarmos do comércio triangular realizado entre as colônias do Norte, Sul, portos na África e as Antilhas (América Central) sem a participação da Inglaterra vemos que o Pacto Colonial não funcionava 100%. Lembrem que a Inglaterra, por muitos anos, teve vários problemas próprios para resolver e a colonização das 13 colônias não era uma prioridade. Até que...
Revejam o livro na página 27

Até que chegamos no século XVIII. Para quem não percebeu ainda este século é um momento de grandes transformações no mundo. E o que mudaria para a Inglaterra?

Revolução Industrial
A Inglaterra começou a viver a Revolução Industrial e isso quer dizer que os processos de produção de mercadorias passaram por uma transformação. As manufaturas iniciam um processo de mecanização e a principal produção é a de tecidos a partir da extração da lã. Essa revolução promoveu um grande aumento da produção e, com isso, a Inglaterra tentará vender seus novos produtos para todos os lugares que ela tem trocas comerciais.

Guerra dos Sete Anos (1756-1763)
Foi uma guerra que envolveu a França e a Inglaterra travada na Europa, mas teve consequências na América do Norte através de disputas territoriais entre os colonos franceses e ingleses porque assim como estes, os franceses também ocuparam o norte da América, na região mais ao centro dos Estados Unidos e parte do que hoje é o Canadá. Além disso, uma guerra é sempre custosa e como a coroa britânica não tinha condições de custear todos os gastos, ela passou a aumentar os impostos no reino e na colônia. Outra clara consequência foi o aumento da presença de militares ingleses na colônia.

Curiosidade: A expansão territorial para o interior das 13 colônias ocorreu, em parte, por causa da servidão por contrato, um regime de trabalho comum na ocupação americana. Os colonos viam para a América com tudo pago e trabalhavam até saldar suas dívidas com aqueles que tinha custeado a sua viagem. Ao mesmo tempo esses colonos buscavam fazer algumas economias para quando saldasse suas dívidas pudesse comprar terrenos para a agricultura. Como essa prática se tornou cada vez mais comum, a colonização foi empurrada para dentro do território.

Fato é que no século XVIII a Inglaterra passou a olhar as 13 colônias de outro modo. Somente no XVIII haverá uma tentativa clara de estabelecer, de fato, um pacto colonial. Basta pensar nos impostos que a metrópole criará, como a Lei do Selo (1765) que estabelecia a obrigação de selar todos os documentos. Em 1770 houve o Massacre de Boston. Houve uma pequena manifestação dispersa a tiros por soldados ingleses ocasionando a morte de colonos. Em 1773 foi estabelecida a Lei do Chá. Nela a Inglaterra concedia a exclusividade (monopólio) comercial do chá para a Companhia de Comércio das Índias Orientais, consequentemente houve o aumento dos preços. Em reação à lei ocorreu o Boston Tea Party. Colonos vestidos de índios jogaram ao mar a carga de chá presente nos navios ingleses atracados no porto de Boston. A Inglaterra, por sua vez, respondeu com as Leis Intoleráveis e estabelecia o fechamento do porto de Boston até que todo o prejuízo fosse quitado pelos próprios colonos.
Nesse panorama devemos perceber que há um prolongado desgaste nas relações entre a colônia e a metrópole e aos poucos surgirá o desejo de independência. O grande problema que havia era a resistência
dos colonos em relação aos novos impostos porque Seus questionamentos partiam do fato de que eles não estavam presentes, nem foram ouvidos na aprovação e criação desses tributos. O argumento dos colonos era baseada numa antiga tradição do Parlamento inglês onde cada membro tinha direito a um voto. ("um homem, um voto"). Novamente precisamos daquele box do capítulo 1, sobre Locke. Sim, o pensamento do filósofo inglês sempre foi muito conhecido por vários colonos porque diversos motivos. Um deles seria a preocupação, principalmente no norte, no aprendizado da leitura. Outro motivo seria a existência de universidades desde o século XVII e, por fim, muitos colonos voltavam para a Inglaterra para estudar. Lá eles travavam maior contato com as ideias de Locke e, certamente, com as ideias iluministas.

Independência dos Estados Unidos

 Em 4 de julho de 1776 o mundo conheceria a Declaração de Independência escrita por Thomas Jefferson e contendo claras influências do Iluminismo e de John Locke, como igualdade, liberdade e a soberania popular. É claro que essa notícia não foi bem recebida na Grã-Bretanha e houve uma forte mobilização para impedir a independência das 13 colônias. Com isso, colonos e ingleses mergulharam em um conflito que se arrastrou de 1776 até 1781, fato que adiaria por alguns anos a redação da Constituição dos Estados Unidos, finalizada apenas em 1787.
     A Constituição também traria influências claras dos ideias iluministas, como a criação de uma república federalista e presidencialista. Quer dizer, as colônias tornaram estados e tinham amplas liberdades para criar leis e impostos, desde que ambos não criassem um conflito com a Constituição americana (federalismo). Além disso, haveria a eleição para presidente através do voto (presidencialismo) e divisão dos três poderes em Judiciário, Executivo e Legislativo, assim como o estabelecimento do voto censitário.
(Olhem o livro na página 15. É importante para a prova!!!)

      É nesse ponto, contudo, que vemos os limites da Independência. Ficou estabelecido que o voto não era universal (para todos), criou-se uma restrição para a participação política através do voto censitário. Por causa dele, todos que desejassem votar deveriam antes comprovar renda. Com isso, ficavam excluídas parcelas consideráveis da população, como pobres e negros. Aliás, os colonos que lutavam sempre tiveram muito cuidado na condução do processo de luta pela independência para que não houvesse a confusão entre liberdade política e liberdade ampla e irrestrita para todos, para que os escravos não se mobilizassem amplamente para dar fim ao escravismo americano. Logo, cabe a pergunta: Para quem era a liberdade com a manutenção da escravidão?
Por outro lado não podemos esquecer que tivemos nesse momento o primeiro exemplo de uma colônia que tornou-se independente da sua metrópole. Era, afinal, um fato histórico inédito até então. Lembrem-se Portugal, Espanha, Holanda e a Inglaterra possuem colônias na América, África e Ásia...
Será que esse exemplo de independência influenciará em algo?

É isso!

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