sábado, 22 de novembro de 2014

Cap. 17 - Estados Unidos no século XIX

Olá,
com esse post completamos a matéria da av2.

Sobre os Estados Unidos no século XIX temos 2 assuntos para tratar: a "Marcha para o Oeste" e a "Guerra Civil".

A "Marcha para o Oeste" trata da expansão territorial dos Estados Unidos para a região Oeste da América do Norte. Os novos territórios foram obtidos por compra, guerras ou acordos diplomáticos. A Flórida, por exemplo, foi comprada da Espanha, o Alasca passou para os EUA através de um acordo com a Rússia e o Texas foi obtido por conflitos com o México.

E por que ir para o Oeste?
O governo dos Estados Unidos incentivou o deslocamento das pessoas porque era um meio de resolver o desemprego e concentração da população no leste porque havia a possibilidade de obter terras e achar ouro. Muitas vezes esse avanço e ocupação do interior do território foi feito sobre os índios e, assim como no Brasil, vários indígenas foram exterminados para garantir o domínio da região.

Essa expansão nos leva ao outro assunto: a guerra civil.

A partir da expansão territorial surgiu o debate se a escravidão seria aceita ou não nos novos territórios e ao mesmo tempo o país passava por eleições presidenciais nos Estados Unidos. A região Norte do que foi as 13 colônias tornou-se uma região mais rica, industrializada, ligada por ferrovias e com intensas trocas comerciais e por isso, eram contrários a expansão da escravidão. O sul por outro lado era uma região mais agrária com uma forte produção de algodão e forte uso do trabalho escravo. 
Devemos lembrar também que o movimento abolicionista nos Estados Unidos estavam em ampla campanha para o fim da escravidão. Para intensificar tensionar mais a situação Abraham Lincoln vence as eleições para presidente. Linconln era um político contrário ao avanço da escravidão para os novos estados que passaram para domínio dos Estados Unidos.

Os estados do Sul reagiram diante dessa situação na qual o próprio presidente do país era contra a expansão da escravidão e se separam do governo federal e formaram a Confederação de Estados da América. Assim, teve início a Guerra Civil ou a Guerra de Secessão. 

A Guerra Civil (1861-1865) foi um conflito travado entre os estados do Norte (União) e Sul (Confederados) dos Estados Unidos para decidir sobre o futuro da escravidão no país e foi marcado por diversos conflitos. Com o tempo os exércitos do Norte mostraram mais força do que o dos Confederados e à medida que as forças da União avançavam pelo sul, aboliam a escravidão nesses territórios. O Norte tinha mais condições de manter essa luta do que o Sul por ser uma região mais rica e industrializada, por isso, o norte tinham mais recursos para se manter nesse conflito e o sul, aos poucos foi derrotado.
Com o fim do conflito a Constituição dos Estados Unidos de 1776 passou duas transformações. A primeira foi a 13a Emenda que estabelecia o fim da escravidão em todo território dos Estados Unidos e a 14a Emenda que estabelecia a a ampliação dos direitos civis para os negros, como o direito ao voto. 
Apesar da vitória do Norte e o fim da escravidão não podemos pensar que o racismo e discriminação foi extinta automaticamente. Aliás, até hoje os EUA vivem problemas raciais e sociais. É desse contexto o surgimento da Ku Klux Klan, uma organização racista criada para perseguir e matar negros.

Capítulo 16: Período Regencial (1831-1840)

Olá pessoal,
como já diz o título esse post é sobre o Período Regencial.

Vimos que o I Reinado chega ao fim a partir da abdicação do trono de d.Pedro I e sua consequente partida para a Portugal. Seu filho, porém, contava com apenas 5 anos de idade e obviamente não poderia governar o país. Quem faria isso então? A Constituição de 1824 estabelecia que uma regência governaria o Brasil em nome do imperador enquanto o príncipe fosse menor de idade. Veremos que nesses anos a discussão entre centralização e descentralização da administração do país ganhará ainda mais força. (Lembrem-se que a interferência de d.Pedro I em assuntos provinciais causou descontentamento nas províncias)

E quais as correntes políticas podemos identificar nesse momento? Haviam três.
liberais moderados: eram proprietários de terras e escravos, defendiam a manutenção do voto censitário e eram contrários ao retorno de d. Pedro I.
liberais radicais: defendiam a descentralização através da criação da república e do federalismo e a abolição gradual da escravidão.
restauradores: se havia aqueles contrários ao retorno de d. Pedro, havia quem fosse a favor. Esses são os restauradores. Porém, essa corrente não existiu muito tempo porque o primeiro imperador morreu em 1834.

Período Liberal
O período liberal é marcado por algumas mudanças em certos assuntos. Por exemplo, nesse período foi formada a Guarda Nacional. Tratava-se de uma força auxiliar ao Exército, mal organizado e mal pago e baseava-se em armar cidadãos considerados confiáveis para lutar em revoltas e com isso, defender os proprietários de terras e escravos.
É desse período também uma mudança significativa: Ato Adicional de 1834.
Tratou-se de uma adição à Constituição de 1824 e estabelecia que as as Assembleias Provinciais ganhariam maior autonomia e poderiam decidir sobre a aprovação ou não leis, cobrança de impostos e contratação e demissão de funcionários. O ato estabelecia também que a regência passaria a ser Una e não Trina e o poder Moderador e o Conselho de Estado não seria utilizados pelo regente.

Ato Adicional em tópicos:
- estabelecia maior autonomia para as províncias
- mudança da regência trina para a una
- o poder Moderador e o Conselho de Estado não seriam utilizados.


Revoltas Regenciais
A maior liberdade para as províncias gerou consequências nessas regiões porque as elites locais passaram a disputar o poder e algumas delas ameaçaram seriamente o mapa do Brasil como conhecemos hoje. Devemos destacar também que algumas dessas revoltas refletiam as dificuldades da vida cotidiana e da realidade local. 

1) Cabanagem (Pará - 1833-1837)
Houve a explosão dessa revolta a partir de divergências entre os dirigentes locais sobre a nomeação do presidente de província e contou com a participação de índios, escravos e mestiços. Os revoltosos chegaram a declarar a separação do Brasil, o que não demorou muito para ser desfeito, pela forte repressão das tropas imperiais.

2) Revolta dos Malês (Bahia - 1835)
Essa revolta foi um fato interessante na nossa história. Trata-se de um levante de escravos muçulmanos. Lembrem-se do Haiti e do pavor - chamado de haitianismo - entre a elite colonial brasileira com relação a um movimento parecido no país. O haitianismo ainda estava muito vivo na memória da nossa sociedade. Os escravos queriam criar um estado islâmico na Bahia e o movimento não foi adiante porque foi delatado e contou com forte repressão imperial.

3) Sabinada (Bahia - 1837)
Liderada por Francisco Sabino Barroso, daí o nome Sabinada. Queria estabelecer uma republica federalista e se separar do Brasil e defendia a libertação dos escravos que participassem do levante. Assim como as demais, o movimento foi desfeito em alguns meses pelas tropas imperiais. 

4) Balaiada (Maranhão - 1838)
Foi uma revolta contra a pobreza local, mas também foi marcada por disputas entre as elites locais. Os seus participantes enalteciam a Constituição e d. Pedro II e foi marcante a presença de escravos.

5) Revolta da Farroupilha (1835-1845)
Essa revolta foi a mais longa e a mais difícil de ser resolvida, tanto é que se estendeu por 10 anos. A revolta, liderada por Bento Gonçalves, teve início principalmente pela questão do charque. O charque é a carne seca e o Rio Grande do Sul vendia esse produto para todo o Sul e o centro-sul do país e o Rio de Janeiro era seu principal comprador. Os gaúchos estavam descontentes porque os impostos cobrados sobre o charque argentino era menor do que os cobrados ao charque brasileiro e como as negociações entre o governo regencial e os gaúchos não avançaram, eclodiu a revolta e por quase 10 anos o Rio Grande do Sul e Santa Catarina não fizeram parte do Brasil. Os conflitos entre os gaúchos e as tropas imperiais chegaram ao fim através de muitas negociações e também por meio da anistia (perdão) aos rebeldes, a integração de oficiais ao Exército brasileiro e ficou acertado ainda que os escravos participantes da revolta seriam libertos, o que nunca aconteceu!

domingo, 2 de novembro de 2014

Independência e Primeiro Reinado

Este NÃO NÃO NÃO é para copiar!
Este post é a explicação do que vocês colocaram no caderno. Naquele temos praticamente os tópicos.

     Para falar de Independência do Brasil precisamos passar pela Revolução Liberal do Porto de 1820. Naquela altura poucos pensavam em se separar de Portugal e ninguém imaginava que em 1822, apenas 2 anos depois o Brasil romperia seus laços com Portugal. Para explicar essa Revolução precisamos entender a motivação dos portugueses nesse movimento. Bem, a antiga metrópole encontrava-se em uma dupla crise: política e econômica. Política porque o país era governado por ingleses e econômica porque viu seus rendimentos caírem depois da abertura dos portos brasileiros para as nações amigas. 
     Há uma frase muito famosa sobre essa Revolução: "Movimento liberal para Portugal e conservador para o Brasil". E por que? Liberal para Portugal porque exigia o retorno de d. João (o que acontece em 1821) e previa a limitação dos poderes do rei D. João VI ao criarem uma Constituição para o país e conservadora para o Brasil porque pretendia recolonizar a região. Mas o Brasil já não era uma colônia? Não, uma das medidas de D. João VI transformou o Brasil em reino, igual a Portugal, em 1815. Além disso, em 1810, o mesmo príncipe regente formalizou a abertura dos portos através dos Tratados com a Inglaterra.
    No contexto da Revolução são formadas as Cortes em Portugal, justamente para discutir a constituição portuguesa e os rumos para o Brasil. Havia inclusive representantes brasileiros enviados para Portugal. As Cortes tentaram de vários meios fazer a recolonização criando medidas como a subordinação das regiões brasileiras à Lisboa e não ao Rio de Janeiro, a anulação dos Tratados de 1810 com a Inglaterra e o retorno de órgãos de administração que estavam no RJ para Lisboa.
   Começaram, então, a surgir correntes que eram favoráveis ou não à recolonização como o "partido" português, favorável a recolonização e o "partido" brasileiro que preferia manter as situação como estava. Por fim, os liberais radicais que defendiam a separação com Portugal, a formação de uma República e o fim da escravidão. Com a pressão das Cortes em Portugal, d. João VI deixa o Brasil em 1821 e deixa o seu filho, Pedro, governando em seu lugar.
     As Cortes passaram a pressionar pelo retorno do príncipe regente para agilizar a recolonização. No início de 1822, houve o "dia do Fico", ou seja, Pedro ignora a primeira ordem de retorno para Portugal e afirma publicamente que permaneceria no Brasil e declara que as tropas portuguesas contrárias as sua permanência foram consideradas inimigas. Meses depois teve início a discussão sobre a convocação de de uma Assembleia Constituinte. Em setembro as Cortes reagem e anulam os poderes do regente Pedro e exigem o seu retorno imediato. Ao saber disso, o príncipe que se encontrava em São Paulo para obter apoio a separação de Portugal declara o Brasil independente.
     Porém, nem todas as regiões do novo país eram favoráveis a separação de Portugal. Por isso, foram registrados conflitos no Norte e Nordeste que preferiam a ligação com os portugueses e não com o Rio de Janeiro, mas as forças do Brasil conseguiram manter as regiões rebeldes. Assim, tiveram início as discussões sobre a primeira Constituição do Brasil.
     A primeira Constituição escrita pela Assembleia Constituinte foi desconsiderada por d. Pedro I e a assembleia foi desfeita. O país conheceria a nova Constituição somente em 1824 e ela estabelecia a divisão dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) mais o Poder Moderador de uso exclusivo do imperador e podia interferir em diversos assuntos, como dissolver a Câmara dos Deputados e convocar novas eleições. Ficou estabelecido que governo era uma monarquia hereditária constitucional. O voto para eleições para a Câmara e Senado eram indiretos e censitários. Não havia eleições para os presidentes de província, pois eles eram nomeados pelo Imperador. Além disso, havia o Conselho de Estado, composto por nomeações vitalícias pelo próprio d. Pedro.
Nesse mesmo ano explode a Confederação do Equador. A revolta é iniciada pela substituição do presidente de província de Pernambuco pelo imperador. O levante era uma reação à centralização política do imperador, por interferir nos assuntos da província trocando o presidente da província. Logo, reivindicavam a autonomia da província, a criação de uma república e da adoção do federalismo. O movimento foi fortemente reprimido pelas tropas imperiais.

    O Primeiro Reinado (1824-1931) é marcado por uma série de problemas para o Brasil. No contexto internacional, os nossos principais produtos de exportação (algodão, açúcar e o café) encontravam-se em baixa, fato que diminuía a arrecadação de dinheiro do país. O governo imperial era acusado de centralista, exemplo disso foi a Confederação do Equador. Além disso, o Brasil se envolveu em um conflito com o Uruguai e isto desagradou mais ainda a sociedade em geral porque aumentou os gastos militares, o recrutamento para tropas era forçado e vários postos de comando eram ocupados por portugueses ao invés de brasileiros.
     Junte-se a isso tudo, em 1826, morre d. João VI, pai de d. Pedro I e rei de Portugal. Os adeptos da independência viam toda a possibilidade de um restabelecimento de laços com Portugal. A partir daí o sentimento antilusitano torna-se cada vez mais forte e evidente e essa aversão aos portugueses chegaria ao seu ponto máximo na "Noite das Garrafadas". Fato histórico que marca o fim do I Reinado e trata-se de conflitos nas ruas do Rio de Janeiro entre portugueses que apoiavam o imperador e os brasileiros. Desgastado e diante dessa tensa situação, d. Pedro I abdica do trono em nome de seu filho, futuro d. Pedro II e dias de depois retira-se para Portugal para tornar-se rei lá.