Neste capítulo abordamos os motivos que levaram à queda da Monarquia e a substituição pela República.
Um dos motivos foi a Guerra do Paraguai (1864-1870). O início do conflito, envolvendo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai foi motivado por uma grande disputa pelo controle da região da bacia do Prata, a região platina. O Brasil, por exemplo, desejava garantir o acesso ao seus territórios no interior, mais acessíveis por navegação pelo rio da Prata. O Paraguai, por outro lado, desejava obter uma saída por mar. Havia também a disputa entre Brasil e Uruguai por territórios férteis e dedicados à pastagem no sul do país. Muitos são os motivos para a eclosão do conflito.
O que nos importa é lembrar que após o ataque paraguaio, o Brasil e a Argentina, formou-se rapidamente a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) para lutar contra o Paraguai. A guerra se prolongaria até 1870 e seria vencida pela coligação de países, com a liderança do Brasil. Porém, a vitória trouxe grandes consequências. Uma delas foi o aumento da dívida externa do país com a Inglaterra porque o governo brasileiro precisou de diversos empréstimos para cobrir os gastos com o conflito. Além disso, a Coroa imperial não cumpriu com promessas feitas ao Exército como indenizações para os feridos na guerra e para órfãos e viúvas, a doação de terras e melhores salários. Fato que criou um distanciamento entre o Exército e a Coroa. Não bastasse isso, a liberdade de escravos obtida a partir da participação no conflito criou uma grande contradição porque alguns negros serviam para lutar pelo país, mas ainda assim existia a escravidão que impedia considerar essas pessoas como cidadãs.
Nesse mesmo contexto ganhou força a campanha abolicionista e o movimento republicano. O questionamento à escravidão teve seus primeiros sinais em 1850 após a aprovação da Lei Eusébio de Queiroz. Afinal, não era possível trazer novos escravos, mas o uso do trabalho escravo era permitida. Nos anos 1860 ganhou força a resistência escrava e também a atuação de clubes abolicionistas que se organizaram para a compra de liberdade de escravos e espalhar ideias pelo fim da escravidão através de jornais, charges e manifestações.
A abolição viria de modo lento e gradual. Porque foram necessárias várias leis até a abolição completa do trabalho escravo. Em 1871 foi aprovada a Lei do Ventre Livre. Estabelecia que todos filhos e filhas de escravas nasceriam livres, mas cabia ao senhor libertá-los após os 7 anos ou se o manteria até os 21 anos trabalhando para ele como forma de indenização.
Em 1885 foi aprovada a Lei dos Sexagenários. Estabelecia a liberdade para todos os escravos com mais de 60 anos, mas estes seriam obrigados a trabalhar mais 3 ou 5 anos para seu senhor como forma de indenização.
Somente em 1888 foi aprovada a Lei Áurea que estabelecia a liberdade de todos os escravos e não indenizava os proprietários. É importante lembrar que, embora o fim da escravidão tenha sido conduzido pelo próprio governo e fosse um desejo pessoal de D. Pedro II e da princesa Isabel, deve-se reforçar a ideia que a abolição também foi obra dos constantes atos de resistência dos escravos e da campanha abolicionista cada vez mais intensa na década de 1880. Com a assinatura da lei a Coroa perdeu uma importante base de apoio político, aqueles fazendeiros ainda agarrados e dependentes do trabalho escravo, muitos deles abraçaram o republicanismo.
O Republicanismo ganhou força e adeptos a partir de 1870. O "Manifesto Republicano" lançado no mesmo ano criticava o poder Moderador e a vitaliciedade do Senado e defendia a implantação de uma Republica democrática, representativa e do federalismo.
O federalismo estabelece a maior liberdade para os estados criarem suas próprias leis e criarem seus próprios impostos. (A Monarquia não aceitava essa ideia). O movimento cresceu muito, principalmente em São Paulo, com amplo apoio da burguesia cafeicultora do Oeste paulista. A implantação da República recebeu o apoio também da classe média, representados por professores, advogados, médicos, dentre outros grupos. Houve também aqueles denominados de "republicanos de 14 de maio", indivíduos que passaram a defender o republicanismo após a assinatura de Lei Áurea.
A Guerra do Paraguai e o distanciamento do Exército, o Movimento Republicano e a abolição da escravidão são três importantes fatores que explicam o porque de um golpe realizado pelo próprio Exército em 15 de novembro de 1889 que derrubou a monarquia e a implantou a República não ter mobilizado ninguém por D. Pedro II.
Nenhum comentário:
Postar um comentário