domingo, 22 de junho de 2014

Capítulo 9 - Período Napoleônico (1799-1815)

Turma,
com esse capítulo nos fechamos a nossa matéria da AVII.
Capítulo 8 - Revolução Francesa
Capítulo 9 - Período Napoleônico

Gostaria de avisá-los que poderíamos falar muito mais sobre Napoleão e o período que ele esteve no poder, porém não temos tempo. Por isso, coloquei o que era mais importante e o que vocês precisarão nas provas. Além disso, vocês estudarão isso tudo novamente e com mais detalhes, por isso não fico tão preocupado.
Vamos lá.

O governo de Napoleão Bonaparte tem início em 1799 com um golpe de Estado chamado "Golpe do 18 Brumário" contra o governo girondino. Com isso, inicia-se o Consulado.

V- Consulado

     Napoleão reorganiza o Executivo e o governo passaria a ser gerido por 3 cônsules, sendo que ele seria o Primeiro-Cônsul (claro!). Porém, Napoleão tomou outras medidas que buscavam melhorar a economia da França, como a criação do Bando Francês, responsável pela emissão de dinheiro e arrecadação de impostos, a recuperação da infra-estrutura do país para recuperar a atividade comercial. Além disso, Napoleão conseguiu uma trégua com a Inglaterra e as Coligações absolutistas que ficou conhecida como Paz de Amiens (1802). Foi criado também o Código Civil em 1804, trata-se de um conjunto de leis que organizam as relações entre as pessoas em sociedade e que, mais um vez, reforça a igualdade das leis, a igualdade civil, a liberdade individual e religiosa e o direito à propriedade. (No livro de vocês tem um box sobre isso, vale dar uma olhada).
    Porém, não podemos esquecer que Napoleão ao mesmo tempo pretendia dominar toda a Europa, pode-se dizer que foi nesse momento que os ideais da Revolução Francesa atingiu diversas regiões com mais força porque a cada nova conquista, a cada rei derrubado, essas ideias eram espalhadas entre a população diretamente pelos franceses, talvez até mesmo pelo próprio exército francês. (Por que não? As ideias revolucionárias circulavam muito na sociedade francesa, elas eram conhecidas e discutidas por diferentes setores da sociedade.). Com isso, Napoleão formou uma espécie de Império.
     Um Império que não conseguiu incluir a Inglaterra. Tentativas não faltaram. O problema era o seguinte: a Inglaterra é uma ilha e os ingleses além de serem a maior potência mundial, eles também tinham a maior marinha do mundo na época. (Não se esqueçam da Revolução Industrial: novas tecnologias também serão utilizadas nas batalhas e nos armamentos e os ingleses saíram na frente nessa corrida industrial.) A última tentativa francesa foi na Batalha de Trafalgar, em 1805, (batalha naval) na qual a marinha francesa foi praticamente destruída. Excelente militar que era Napoleão percebeu a nítida dificuldade de submeter os ingleses, por isso, pouco tempo depois estabeleceu o Bloqueio Continental (1806).
     O Bloquei Continental estabelecia a proibição entre a Europa continental e a Inglaterra. Napoleão tinha dois objetivos com isso. Um deles era desenvolver as manufaturas francesas que não conseguiam competir com os produtos ingleses e, com isso, evoluir na sua revolução industrial. Por outro lado, a França pretendia privar alguns recursos comerciais dos ingleses. Lembrem-se que a Inglaterra estava envolvida nas formações da Coligações contra a França revolucionária.

Portugal e o Bloqueio Continental
O contexto europeu explica a vinda da Família Real portuguesa para a principal colônia, o Brasil. Portugal tinha uma relação comercial de muitos anos com a Inglaterra e, no século XVIII, os portugueses eram extremamente dependentes dos ingleses. (e muito endividados também!). Do outro lado, estava Napoleão com o maior exército formado até aquele momento da História e com o principal estrategista. O que fazer? Portugal literalmente enrolou ingleses e franceses até onde pode. Optar pela França e aceitar o Bloqueio Continental era o mesmo que deixar as colônias desprotegidas (leia-se: Brasil). Porém, optar pela Inglaterra era o mesmo que ser invadido pela França e ser derrubado do poder. A decisão de Portugal só foi tomada no apagar das luzes de 1807 e quando Napoleão já tinha perdido a paciência e marchava em direção à capital Lisboa. Ficou acertado que a Marinha inglesa escoltaria a família real portuguesa para o Brasil. Essa TRANSFERÊNCIA, NÃO É FUGA DO REI, já estava sendo discutida há algum tempo, por isso que foi possível organizar uma viagem tão grande em tão pouco tempo. A Família Real traz todos os seus criados (ou empregados) e os parentes que viviam na Corte e, com cada um deles, vinha uma diversidade de objetos absurda. Por exemplo, o rei trouxe toda a sua biblioteca!!! (esses livros fazem parte hoje da Biblioteca Nacional).


Um livro foi muito vendido não faz muito tempo sobre esse assunto, chamado 1808 de Laurentino Gomes. É melhor não ler. Ali é apresentada uma visão de História muito rasa, simplista e ultrapassada. Quando vi os livros consultados percebi que o autor usou obras da História já ultrapassadas e que nós historiadores não usamos mais. Novos livros com explicações mais sofisticadas e mais complexas já foram escritos e explicam melhor esse acontecimento que pertence tanto à história europeia quanto à nossa própria história. Além disso, o autor (Laurentino Gomes) não é historiador e não teve a preocupação de fazer uma pesquisa mais cuidadosa e também não se preocupou com a sua escrita, pois ela está cheia de juízos de valor. Por exemplo, ele reforça a ideia de "rei fujão", algo que atualmente um historiador  não poder fazer JAMAIS e, além disso, não consegue perceber a mentalidade da época, nem perceber o que estava em jogo naquela situação. Enfim, faltou leitura e pesquisa consistente para esse livro.


Com a transferência da Corte, o príncipe regente D. João VI, perde o reino mas não perde a coroa (nem a cabeça!). O que isso quer dizer? O reino de Portugal poderia ser recuperado depois e, mesmo com a saída de Portugal, ainda assim ele era o regente do reino e não corria riscos de vida. Por fim, se Napoleão pretendia enfraquecer Portugal ou Inglaterra, ele obteve justamente o efeito contrário. Pois, com a vinda da Família Real a aliança entre Brasil, Portugal e Inglaterra se fortaleceu muito.

Retomando
     Uma vez dominada toda a Europa, faltava a Rússia. Aliás, mais um que desafiou o Bloqueio Continental. Napoleão reuniu simplesmente 420.000 soldados para invadir a Rússia (número assombroso para a época). Porém, o experiente militar francês ignorou o inverno russo e encontrou dificuldades na Rússia com a tática da "terra arrasada" empregada pelos russos. O exército russo pouco resistia ao exército napoleônico e recuou até a capital, mas a cada cidade perdida, os próprios russos destruíam tudo. Casas de poderiam servir de alojamento para os franceses, estragavam a comida deixada para trás, contaminavam a água nos poços. Tudo para dificultar o abastecimento do enorme exército francês. Ao chegar na capital, o exército russo combateu o exército francês já cansado da longa viagem, com dificuldade de abastecimento e sofrendo com as baixíssimas temperaturas do inverno russo. Com isso, o exército francês foi empurrado para fora da Rússia e sofreu a sua maior derrota.
     Com o exército enfraquecido, é formada mais uma Coligação contra a França e, finalmente, conseguem derrotar os franceses. Napoleão é enviado exilado para Elba, no sul da França e Luís XVIII, irmão de Luís XVI (o rei decapitado na 2a fase da revolução) é posto no poder. Napoleão consegue fugir da ilha de Elba e se direciona para Paris. Um exército foi destacado para prendê-lo novamente, porém, os enviados passaram para o lado de Bonaparte. Ao se aproximar de Paris, o rei Luís XVIII foge da cidade e, com isso tem início o Governo de 100 Dias de Napoleão (1815) (porque durou 100 dias esse novo governo).
A derrota definitiva de Napoleão aconteceu na Batalha de Waterloo e, com isso, ele é enviado novamente para o exílio, mas a ilha de Santa Helena, no meio do Atlântico (para evitar fugas!)

Congresso de Viena (1815)
Foi um Congresso realizado entre as monarquias absolutistas, na cidade de Viena, na Áustria, com o objetivo de reagir às ideias liberais francesas e, com isso, restaurar o Antigo Regime (=aquilo que existia antes da Revolução Francesa ficou conhecido como Antigo Regime. Foi o que estudamos no capítulo 1.) Quais foram as decisões desse congresso?

Princípio da Legitimidade: estabelecia que os reis (ou a sua dinastia) derrubados do poder pelo avanço francês deveriam voltar ao poder
Princípio da Restauração: a divisão política da Europa, quer dizer, as fronteiras entre os países, voltaria ao que era antes da Revolução Francesa.
Princípio do Equilíbrio Europeu: manutenção do Absolutismo como a melhor forma de governo

formação da Santa Aliança: pacto militar entre os países absolutistas para reprimir movimentos liberais, ou seja, movimentos que tivessem influência dos ideias da Revolução Francesa.


Ufa. Acabou.

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