segunda-feira, 30 de março de 2015

Unidade 2: O fim do Antigo Regime - Capítulo 1 - Revolução Francesa

Olá pessoal
Finalmente chegamos ao último post para a AV1.
Lembrem-se: o conteúdo é toda a 
Unidade 1 cap. 1 O Iluminismo e cap.2 - formação dos Estados Unidos. 
Unidade 2 cap. 1 - Revolução Francesa

Vamos lá!

Logo de cara temos que lembrar algo que vimos no capítulo sobre o Iluminismo. Lembra que quando estávamos estudando esse assunto foi falado que a sociedade era divida em Estados? Havia o Primeiro Estado que correspondia ao clero, o Segundo Estado que abrangia a nobreza e, por fim, o Terceiro Estado, muito mais numeroso e correspondia aos burgueses, camponeses, profissionais liberais, assim como trabalhadores urbanos de diversas atividade. 

E qual o contexto da França nesse final do século XVIII?
O reino vivia em dificuldades. Um deles eram os problemas financeiros provocado pelos altos custos de guerras que a França se envolveu, como a Guerra dos Sete Anos contra a Inglaterra e o apoio à luta dos colonos das 13 colônias que guerreavam pela sua independência. Guerra é custo e nem sempre os países tem condições de bancar todo o dinheiro necessário para manter um conflito armado. Logo, isso promove muitos gastos e óbvio, aumento de impostos. Mas não para por aí.

Antes do conhecidíssimo 14 de julho de 1789 a França viveu anos de colheitas ruins em 1788 e 1787. E daí? E daí que a quantidade de alimentos foi reduzida por causa dessas plantações que renderam menos do que o esperado e, com isso, houve o aumento de preços dos produtos alimentícios. 

Por fim, ainda existia na França resquícios do feudalismo e suas cargas de impostos contraditórias que pesavam principalmente no Terceiro Estado, enquanto o Primeiro e o Segundo Estado usufruíam de várias isenções. 

E como resolver essas questões?

A Assembleia dos Estados Gerais
O rei francês Luís XVI se decidiu por convocar os Estados Gerais, algo que não acontecia desde 1614. E o que é isso? Era uma reunião dos três Estados para debater e estabelecer meios de passar por aquela crise.
Porém, as discordâncias começaram logo no início do encontro no que dizia respeito ao modo de votação dos assuntos que seriam decididos pelos representantes dos Estados. O Primeiro e o Segundo Estado desejavam uma votação por Estado, enquanto o Terceiro Estado defendia a votação individual ("por cabeça"). Afinal, era provável que o Primeiro e o Segundo Estado votassem juntos contra o Terceiro Estado e, assim, formariam sempre 2 x 1. Por outro lado, a votação por representantes dava mais chances para os interesses do 3° Estado, por ser muito maior e por ter representantes do 1° e 2° que votariam juntos com o 3° Estado.
Como a discussão não avançava e diante da posição sempre dúbia do rei Luís XVI o 3° Estado resolveu se separar dos Estados Gerais e fez o que ficou conhecido como Juramento da Sala do Jogo da Péla, nesta sala, os representantes do Terceiro Estado juraram dar uma Constituição para França. Bem, até o momento não se falava muito em acabar com a monarquia, mas sim, em limitar seus poderes. Lembrem que estamos na França, berço do Iluminismo, a efervescência de ideias e o desejo de mudanças estava no ar.
Temos então a

Assembleia Nacional Constituinte
Não era somente o desejo de mudanças. A tensão política era enorme. Ao mesmo tempo que é formada a Assembleia para dar uma Constituição para França o rei organizava forças do Exército para cercar Paris e enquanto isso, a população parisiense se mobilizou para dar apoio ao Terceiro Estado. É nesse momento que chegamos no 14 de julho de 1789. Essa data que marca o início da Revolução Francesa e, além disso, foi escolhida pelos historiadores como o fato histórico que finaliza a História Moderna e inicia-se a História Contemporânea. E por que essa data é tão importante? Porque nesse dia a população de Paris invadiu e destruiu a Bastilha. Um castelo imenso e símbolo do poder absolutista do rei por ser uma prisão (naquele contexto os monarcas podiam decretar a prisão das pessoas. Primeiro elas eram culpadas e depois se provava a inocência delas...ou não). A partir daqui as transformações não param de acontecer.

Reformas sociais e políticas
Dias depois e ainda na Assembleia Nacional Constituinte foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Na prática, a partir da declaração estavam mortas as distinções em estados e garantia aos cidadãos a igualdade perante a lei (algo que não existia até então), a liberdade e a posse de propriedades. 
Em 1790 foi a aprovada a Constituição Civil do Clero que confiscava os bens da Igreja - principalmente terras - e transformou o clero em dependentes do Estado (Governo) da França ao torná-los funcionários públicos.
Ao mesmo tempo, as discussões sobre a Constituição ainda aconteciam. Até que em 1791...

Monarquia Constitucional
...quando a Assembleia estava terminando seus trabalhos na Constituição houve a tentativa de fuga do rei Luís XVI. Esse ato quebrou qualquer tipo de confiança que poderia existir entre o rei e os grupos sociais que desejavam mudanças na França, mas por outro lado, garantiu a aprovação da Constituição da França alguns meses depois. A partir de agora o rei teria que governar de acordo com esse documento. E o que isso quer dizer? Algo difícil entender mesmo. Agora o poder não era apenas do rei, mas também da população através de representantes eleitos. 
A Constituição traz algumas novidades como a divisão dos três poderes, garantia o fim da isenção de impostos para determinados grupos sociais e estabelecia o voto censitário.

Apesar desse avanço político, a França ainda encontrava-se em meio a crise econômica e ameaçada por uma guerra porque a Prússia e o Império Áustro-Húngaro, ambos de monarquia absolutista, viam os acontecimentos franceses como uma ameaça, um exemplo que não deveria ser seguido, mas sim controlado e exterminado. Vários nobres e cleros se mudam para essas regiões para organizar uma guerra contra os revolucionários. Em razão disso, em 1792, é declarada a guerra contra essas duas monarquias, ao mesmo tempo que a Assembleia Nacional Constituinte torna-se a Assembleia Nacional - uma espécia de Câmara dos Deputados. Temos então o início da 

Convenção Nacional
Os deputados eleitos para formar a Assembleia Nacional declaram extinta a monarquia e teve início a República. Teremos a formação de grupos políticos que defendem algumas ideias em comum (não são partidos ainda, ok? Partidos como conhecemos só no séc. XX). Desses grupos podemos destacar os jacobinos e os girondinos. Os jacobinos são conhecidos como os de esquerda e os girondinos seriam de direita.
(Na página 42 há uma descrição sobre os 2 grupos. Vejam)
Vocês já devem ter percebido que a Revolução Francesa é formada por vários acontecimentos e nomes diferentes.

Em pouco tempo, o período da Convenção foi controlado pelos jacobinos e vimos, então, um dos momentos mais controversos do período revolucionário. Por um lado, há a escrita de uma nova Constituição em 1793 que substituía o voto censitário masculino pelo voto universal masculino, estabelecia o fim da escravidão nas colônias francesas, a criação das escolas primárias e obrigatórias e limitação de preços. Por outro lado, é o período do julgamento de Luís XVI e também do Terror.
O julgamento de Luís XVI deixou bem clara a diferença política entre girondinos e jacobinos. O monarca entrou para História como um traidor, os jacobinos o acusavam de conspirar contra a nova ordem francesa e de se aliar às monarquias absolutistas. Para azar do rei foram descobertas correspondência que, de fato, comprovavam as acusações dos jacobinos que sempre pressionaram que o monarca deveria perder a cabeça, quer dizer, guilhotinado. O que de fato aconteceu. 
(Imagina como as monarquias absolutistas receberam essa notícia? Estamos falando da morte do Absolutismo na França. Ao pé da letra!)
E o Terror? Foi um meio que os jacobinos encontraram para controlar e garantir os avanços que foram conquistados porque a disputa sobre entre os grupos políticos para decidir os rumos da revolução eram constantes e suas conquistas não estavam garantidas. A possibilidade de um retrocesso era forte! 
Formou-se então, em 1793, o Comitê de Salvação Pública. Passou a existir combates intensos aos contra-revolucionários e muitos deles foram declarados inimigos, perseguidos, presos, julgados e guilhotinados. Nesses anos a guilhotina trabalhou bastante! A grande questão foi que as vozes jacobinas que discordavam dessa perseguição desenfreada tiveram o mesmo destino que os contra-revolucionários...GUILHOTINA. Foi por causa disso que o governo jacobino perdeu apoio político e apoio popular, facilitando o Golpe do 9 Termidor que derrubou os jacobinos do poder.
Nesse momento passamos da Convenção para o

Diretório
O golpe contra os jacobinos foi realizado pela burguesia girondina e representou alguns retrocessos pela nova Constituição de 1795 que restabelecia a escravidão, assim como recuperou o voto censitário masculino e deu fim aos comitês revolucionários que serviam para ouvir a população sobre os problemas vividos e ajudar a traçar estratégias para resolver problemas sociais, políticos e econômicos. Por outro lado, aboliu as execuções sumários. 
(Nada na História é inteiramente bom ou ruim, como vocês já devem ter percebido.)

De 1795 até 1799 tivemos vários momentos também muito instáveis, assim como os anos jacobinos. O problema da economia ainda era evidente e isso afetava a vida das pessoas diretamente. São anos de intensas disputas entre os girondinos, monarquistas e sans-cullotes.

Eis que nesse momento começa a surgir um importante nome para a História mundial: Napoleão Bonaparte. Napoleão era um militar francês que mostrou-se um gênio em estratégias e conseguiu diversas vitórias contra as monarquias absolutistas. O seu prestígio no meio militar tornou-se também um prestígio político, sinônimo de apoio, e em razão disso, setores do governo girondino e Napoleão deram o que ficou conhecido como o Golpe do 18 Brumário.



Espero que vocês tenham percebido que a Revolução Francesa (1789-1799) foi um dos principais acontecimentos da História porque ela lançou as bases para a sociedade que vivemos hoje, com a divisão de poderes, eleições regulares, a tentativa de estabelecer a igualdade entre as pessoas e uma vida baseada em direitos iguais para todos e não, uma sociedade de privilégios, como era no Antigo Regime.




domingo, 29 de março de 2015

Unidade 1 - capítulo 2: A formação dos Estados Unidos da América

Olá!
Vamos para o capítulo 2, Unidade 1.  

Nesse capítulo vimos a ocupação de colonos ingleses na América do Norte, região que se tornou as 13 colônias e a partir da sua independência, os Estados Unidos da América, em 1776. 

13 Colônias
O início da colonização aconteceu apenas na costa leste do país e ao longo do litoral. No final do século XVI e boa parte do XVII a ocupação foi feita por companhias de comércio. Mas antes é importante nos perguntarmos o que levou ingleses a saírem da Europa e se dirigem para a América. O que motivou essas pessoas? Por que fazer uma aposta tão arriscada? Podemos destacar alguns motivos.

a) perseguições religiosas
Desde o início da Reforma protestante na Europa e o rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica, a Inglaterra passou a abrigar 3 religiões diferentes: os anglicanos, os puritanos (calvinistas) e os católicos. E daí? E daí que os níveis de intolerância religiosa eram muito maiores daqueles que existem na atualidade.

b) problemas políticos
No século XVII, a Inglaterra entrou em crise e em uma disputa política para decidir os rumos do reino. Houve uma feroz guerra civil entre os ingleses para defender o poder nas mãos dos reis ou o poder do Parlamento.

c) cercamento dos campos (enclousures)
Uma das consequências do rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica para a criação da religião Anglicana foi a confiscação das terras da igreja e consequentemente, a retirada de muitas pessoas que dependiam do campo. Essas terras foram destinadas para a produção de lã, produto importante a séculos na Inglaterra. Com isso, diversas pessoas se dirigiam para as cidades porque não havia espaço para elas no campo. Como as cidades não eram capazes de absorver todos a própria coroa britânica passou a incentivar a ida de ingleses para a América.

Essa colonização sempre foi marcada por considerável liberdade política e econômica. Vamos relembrar.

É muito comum explicar a diferenciação entre colônias do Norte e do Sul. Para entender melhor a colonização das 13 colônias é muito útil, porém as oposição feitas não se sustentam quando são realizadas pesquisas históricas. Mas vamos lá.

As colônias do Norte foram formadas praticamente por pequenas propriedades e com mão de obra livre, escrava e servidão temporária. (os colonos trabalhavam por 7 anos para pagar as despesas de viagem). O Sul teve uma colonização um pouco diferente por ser uma região produtora de tabaco e algodão e para produzir são necessários grandes campos e, por isso, a formação de latifúndios. A forma de trabalho era predominantemente de escravos. Será que havia um pacto colonial lá?

Bem, se relembrarmos do comércio triangular realizado entre as colônias do Norte, Sul, portos na África e as Antilhas (América Central) sem a participação da Inglaterra vemos que o Pacto Colonial não funcionava 100%. Lembrem que a Inglaterra, por muitos anos, teve vários problemas próprios para resolver e a colonização das 13 colônias não era uma prioridade. Até que...
Revejam o livro na página 27

Até que chegamos no século XVIII. Para quem não percebeu ainda este século é um momento de grandes transformações no mundo. E o que mudaria para a Inglaterra?

Revolução Industrial
A Inglaterra começou a viver a Revolução Industrial e isso quer dizer que os processos de produção de mercadorias passaram por uma transformação. As manufaturas iniciam um processo de mecanização e a principal produção é a de tecidos a partir da extração da lã. Essa revolução promoveu um grande aumento da produção e, com isso, a Inglaterra tentará vender seus novos produtos para todos os lugares que ela tem trocas comerciais.

Guerra dos Sete Anos (1756-1763)
Foi uma guerra que envolveu a França e a Inglaterra travada na Europa, mas teve consequências na América do Norte através de disputas territoriais entre os colonos franceses e ingleses porque assim como estes, os franceses também ocuparam o norte da América, na região mais ao centro dos Estados Unidos e parte do que hoje é o Canadá. Além disso, uma guerra é sempre custosa e como a coroa britânica não tinha condições de custear todos os gastos, ela passou a aumentar os impostos no reino e na colônia. Outra clara consequência foi o aumento da presença de militares ingleses na colônia.

Curiosidade: A expansão territorial para o interior das 13 colônias ocorreu, em parte, por causa da servidão por contrato, um regime de trabalho comum na ocupação americana. Os colonos viam para a América com tudo pago e trabalhavam até saldar suas dívidas com aqueles que tinha custeado a sua viagem. Ao mesmo tempo esses colonos buscavam fazer algumas economias para quando saldasse suas dívidas pudesse comprar terrenos para a agricultura. Como essa prática se tornou cada vez mais comum, a colonização foi empurrada para dentro do território.

Fato é que no século XVIII a Inglaterra passou a olhar as 13 colônias de outro modo. Somente no XVIII haverá uma tentativa clara de estabelecer, de fato, um pacto colonial. Basta pensar nos impostos que a metrópole criará, como a Lei do Selo (1765) que estabelecia a obrigação de selar todos os documentos. Em 1770 houve o Massacre de Boston. Houve uma pequena manifestação dispersa a tiros por soldados ingleses ocasionando a morte de colonos. Em 1773 foi estabelecida a Lei do Chá. Nela a Inglaterra concedia a exclusividade (monopólio) comercial do chá para a Companhia de Comércio das Índias Orientais, consequentemente houve o aumento dos preços. Em reação à lei ocorreu o Boston Tea Party. Colonos vestidos de índios jogaram ao mar a carga de chá presente nos navios ingleses atracados no porto de Boston. A Inglaterra, por sua vez, respondeu com as Leis Intoleráveis e estabelecia o fechamento do porto de Boston até que todo o prejuízo fosse quitado pelos próprios colonos.
Nesse panorama devemos perceber que há um prolongado desgaste nas relações entre a colônia e a metrópole e aos poucos surgirá o desejo de independência. O grande problema que havia era a resistência
dos colonos em relação aos novos impostos porque Seus questionamentos partiam do fato de que eles não estavam presentes, nem foram ouvidos na aprovação e criação desses tributos. O argumento dos colonos era baseada numa antiga tradição do Parlamento inglês onde cada membro tinha direito a um voto. ("um homem, um voto"). Novamente precisamos daquele box do capítulo 1, sobre Locke. Sim, o pensamento do filósofo inglês sempre foi muito conhecido por vários colonos porque diversos motivos. Um deles seria a preocupação, principalmente no norte, no aprendizado da leitura. Outro motivo seria a existência de universidades desde o século XVII e, por fim, muitos colonos voltavam para a Inglaterra para estudar. Lá eles travavam maior contato com as ideias de Locke e, certamente, com as ideias iluministas.

Independência dos Estados Unidos

 Em 4 de julho de 1776 o mundo conheceria a Declaração de Independência escrita por Thomas Jefferson e contendo claras influências do Iluminismo e de John Locke, como igualdade, liberdade e a soberania popular. É claro que essa notícia não foi bem recebida na Grã-Bretanha e houve uma forte mobilização para impedir a independência das 13 colônias. Com isso, colonos e ingleses mergulharam em um conflito que se arrastrou de 1776 até 1781, fato que adiaria por alguns anos a redação da Constituição dos Estados Unidos, finalizada apenas em 1787.
     A Constituição também traria influências claras dos ideias iluministas, como a criação de uma república federalista e presidencialista. Quer dizer, as colônias tornaram estados e tinham amplas liberdades para criar leis e impostos, desde que ambos não criassem um conflito com a Constituição americana (federalismo). Além disso, haveria a eleição para presidente através do voto (presidencialismo) e divisão dos três poderes em Judiciário, Executivo e Legislativo, assim como o estabelecimento do voto censitário.
(Olhem o livro na página 15. É importante para a prova!!!)

      É nesse ponto, contudo, que vemos os limites da Independência. Ficou estabelecido que o voto não era universal (para todos), criou-se uma restrição para a participação política através do voto censitário. Por causa dele, todos que desejassem votar deveriam antes comprovar renda. Com isso, ficavam excluídas parcelas consideráveis da população, como pobres e negros. Aliás, os colonos que lutavam sempre tiveram muito cuidado na condução do processo de luta pela independência para que não houvesse a confusão entre liberdade política e liberdade ampla e irrestrita para todos, para que os escravos não se mobilizassem amplamente para dar fim ao escravismo americano. Logo, cabe a pergunta: Para quem era a liberdade com a manutenção da escravidão?
Por outro lado não podemos esquecer que tivemos nesse momento o primeiro exemplo de uma colônia que tornou-se independente da sua metrópole. Era, afinal, um fato histórico inédito até então. Lembrem-se Portugal, Espanha, Holanda e a Inglaterra possuem colônias na América, África e Ásia...
Será que esse exemplo de independência influenciará em algo?

É isso!

sábado, 28 de março de 2015

Unidade 1 - capítulo 1 - Iluminismo

Olá turma
Demorou mas chegou o primeiro post de vocês.
Lembrem-se que o conteúdo da prova é a Unidade 1 (capítulos 1 e 2) e a Unidade 2 (capítulo 1)
Esse é sobre Iluminismo (capítulo 1)
Vamos lá!

Antes de chegar lá, lembra que as aulas sobre esse tema começaram com o mesmo assunto? O Antigo Regime. Conforme estudamos, vimos que o movimento filosófico iluminismo era extremamente crítico ao Antigo Regime sustentado por uma monarquia absolutista e pela sociedade estamental. Por um lado, os poderes eram concentrados em um rei e justificados por um direito divino, por outro, a sociedade era dividida em Estados, o Primeiro, Segundo e Terceiro Estado. (Depois de estudar Revolução Francesa todos tem que saber quais são esses estados :P)

A reação contra o Absolutismo
Novas ideias políticas começam a surgir ainda no século XVII, na Inglaterra. Lembra do John Lennon? Quer dizer, John Locke!!! O filósofo inglês escreverá ideias que tornaram-se críticas ao tipo de governo que existia. Para começar havia o questionamento ao direito divino dos reis. Defenderia ainda, que os homens nascem livres e iguais - aqui ele fez referência aos Estados, cada pessoa pertencia a um estado e de acordo com o seu nascimento. Considerava que cabe ao governo garantir os direitos das pessoas e, por fim, (e mais difícil) o poder político é legítimo (sinônimo: verdadeiro ou justo) quando for um reflexo da vontade popular. Ou seja, quando esse poder reflete o poder e o desejo do povo. (Talvez o box da página 15, sobre o Locke, nos ajude a entender isso melhor. Releiam-o porque precisaremos dele na prova!)

É importante lembrar que Locke produziu seus escritos também dentro de um contexto revolucionário dentro da própria Inglaterra, conhecida como Revolução Gloriosa (1688). Trata-se de uma espécie de Revolução Francesa, mas para os ingleses e que ocorreu praticamente 100 anos antes do movimento que mudou o mundo. A revolução dos ingleses retirou totalmente o poder do rei inglês e ampliou os poderes do Parlamento britânico. Além disso, houve a Declaração de Direitos (1689) que garantia uma série de liberdades aos cidadãos.

E por que falar do Locke, um inglês e ainda por cima no século XVII se o Iluminismo que estudamos é um movimento francês do século XVIII? ???
Bem, a influência de John Locke é mais do que evidente nos escritos dos filósofos franceses. Chegaremos lá

A filosofia das Luzes
O Iluminismo ou a Ilustração é movimento que reúne filósofos do século XVIII com alguns pensamentos em comum. Antes de tudo são pessoas que, através da razão, tentam defender a tolerância e, para alguns, a igualdade. Alguns pensadores defenderão também a igualdade jurídica (ou seja, ser julgado pelas mesmas leis), a liberdade de expressão (muitos livros dos iluministas não tinha permissão para circular por causa da censura), a defesa da propriedade e, novamente, a tolerância religiosa.

Mas, afinal, que são eles?

Os filósofos iluministas
Existem outros, mas estudamos apenas três: Jean Jacques Rousseau, Montesquieu e Voltaire.

Rousseau (1712-1778) nasceu em Genebra, na Suíça. Um dos seus livros mais conhecidos é Do Contrato Social (1762) e é nessa obra que o autor defende a ideia de que o governo deve representar a vontade da maioria da população e não, o interesse de alguns.
Para ele, a sociedade deve buscar a igualdade e o soberano deve governar de acordo com a vontade geral e zelar pelo bem comum; pelo bem de todos. Apesar de acreditar na democracia por considerá-la como o único modelo de governo que fosse capaz de sobrepor a vontade de todos, (a vontade da maioria) aos interesses individuais de cada um, Rousseau defendia também que os indivíduos deveriam participar ativamente das questões de governo. Para ele, a democracia representativa não funcionava porque, na sua opinião, não havia soberania, não havia, de fato, a representação da vontade da população através de representantes
(De modo geral, inúmeros países vivem hoje em um regime democrático representativo, ou seja, a população elege seus representantes para governarem por nós e pelos nossos interesses....pelo menos na teoria. Os governantes representam o povo).

Montesquieu (1689-1755) escreveu o Espírito das Leis (1748). Nessa obra encontramos a defesa da divisão dos poderes políticos com o objetivo de evitar abusos por parte de cada um e não concentrar poderes em apenas uma pessoa. Assim, nasce a defesa da divisão do poderes em Legislativo, Executivo e Judiciário (esse aqui todo mundo deve saber...)

Voltaire
Responsável pelo Tratado sobre a tolerância (1763). Foi um defensor da liberdade de pensamento e da tolerância. É interessante destacar que Voltaire não era contra a existência de monarquias, porém ele era contrário a governos arbitrários e defendia, na verdade, que os governos deveriam ser guiados pela razão. Esse pensador foi um crítico dos privilégios da Igreja e da nobreza e questionava o direito divino dos reis e defendia a participação dos esclarecidos no governo. (Quem seriam os esclarecidos? Percebe que está claro que não é uma participação de todas as pessoas? Percebe como foi possível uma "Declaração do Homem e do Cidadão"?)

A difusão das ideias iluministas
Conforme falei na última aula, mais da metade da população francesa sabia ler e, bem ou mal, as ideias iluministas circulavam por todos os grupos sociais franceses. Contudo, devemos lembrar que a Enciclopédia, organizada por D'Alembert e Diderot, foi uma iniciativa para reunir todo o conhecimento produzido pelos iluministas, assim como todo o conhecimento produzido até então. A primeira publicação data de 1751 e causou grande repercussão, pois tornou-se rapidamente um livro criticado e proibido.

O liberalismo
O liberalismo é um produto das ideias iluministas e podemos dividi-lo em liberalismo político e liberalismo econômico.
O liberalismo políticos nós já estudamos. São as ideias de igualdade e liberdade. E o econômico? Teremos, então, de lembrar do inglês Adam Smith e seu livro A Riqueza das Nações (1776). Se os filósofos fazem a crítica ao Antigo Regime pelo lado político, Smith fará a crítica pelo lado econômico. Para ele a economia deveria viver na livre concorrência e não na tentativa de criar Pactos Coloniais ou na concessão de monopólios para poucos, ou seja, o comércio deveria ser livre e sem obstáculos criados pelo Governo. Logo, deveria valer apenas a lei da oferta e da procura. E o que isto quer dizer? Os preços dos artigos devem ser estabelecidos pela quantidade de produtos disponíveis e pela quantidade de pessoas interessadas e a livre concorrência levaria à redução dos preços.

Despotismo esclarecido
A partir do momento que as ideias iluministas ganham cada vez mais força e circulam por praticamente toda a Europa, os monarcas passam a realizar mudanças nos seus governos mas com o objetivo de manter o seu poder. Como assim? O monarca adota algumas ideias iluministas. (Afinal, as ideias do Iluminismo entram em confronto direto com o Antigo Regime!). Os reis fazem modernizações nos Estados (países) sem reduzir o seu poder e sem permitir a ampla participação da população.

caso de Portugal
Portugal foi um caso conhecido de despotismo feita pelo Marquês de Pombal, no reinado de d. José I (1750-1777). Por exemplo, Pombal retirou dos nobres e clero alguns privilégios e reformulou a educação, expulsando os jesuítas e tornando-a uma obrigação do governo.

sábado, 22 de novembro de 2014

Cap. 17 - Estados Unidos no século XIX

Olá,
com esse post completamos a matéria da av2.

Sobre os Estados Unidos no século XIX temos 2 assuntos para tratar: a "Marcha para o Oeste" e a "Guerra Civil".

A "Marcha para o Oeste" trata da expansão territorial dos Estados Unidos para a região Oeste da América do Norte. Os novos territórios foram obtidos por compra, guerras ou acordos diplomáticos. A Flórida, por exemplo, foi comprada da Espanha, o Alasca passou para os EUA através de um acordo com a Rússia e o Texas foi obtido por conflitos com o México.

E por que ir para o Oeste?
O governo dos Estados Unidos incentivou o deslocamento das pessoas porque era um meio de resolver o desemprego e concentração da população no leste porque havia a possibilidade de obter terras e achar ouro. Muitas vezes esse avanço e ocupação do interior do território foi feito sobre os índios e, assim como no Brasil, vários indígenas foram exterminados para garantir o domínio da região.

Essa expansão nos leva ao outro assunto: a guerra civil.

A partir da expansão territorial surgiu o debate se a escravidão seria aceita ou não nos novos territórios e ao mesmo tempo o país passava por eleições presidenciais nos Estados Unidos. A região Norte do que foi as 13 colônias tornou-se uma região mais rica, industrializada, ligada por ferrovias e com intensas trocas comerciais e por isso, eram contrários a expansão da escravidão. O sul por outro lado era uma região mais agrária com uma forte produção de algodão e forte uso do trabalho escravo. 
Devemos lembrar também que o movimento abolicionista nos Estados Unidos estavam em ampla campanha para o fim da escravidão. Para intensificar tensionar mais a situação Abraham Lincoln vence as eleições para presidente. Linconln era um político contrário ao avanço da escravidão para os novos estados que passaram para domínio dos Estados Unidos.

Os estados do Sul reagiram diante dessa situação na qual o próprio presidente do país era contra a expansão da escravidão e se separam do governo federal e formaram a Confederação de Estados da América. Assim, teve início a Guerra Civil ou a Guerra de Secessão. 

A Guerra Civil (1861-1865) foi um conflito travado entre os estados do Norte (União) e Sul (Confederados) dos Estados Unidos para decidir sobre o futuro da escravidão no país e foi marcado por diversos conflitos. Com o tempo os exércitos do Norte mostraram mais força do que o dos Confederados e à medida que as forças da União avançavam pelo sul, aboliam a escravidão nesses territórios. O Norte tinha mais condições de manter essa luta do que o Sul por ser uma região mais rica e industrializada, por isso, o norte tinham mais recursos para se manter nesse conflito e o sul, aos poucos foi derrotado.
Com o fim do conflito a Constituição dos Estados Unidos de 1776 passou duas transformações. A primeira foi a 13a Emenda que estabelecia o fim da escravidão em todo território dos Estados Unidos e a 14a Emenda que estabelecia a a ampliação dos direitos civis para os negros, como o direito ao voto. 
Apesar da vitória do Norte e o fim da escravidão não podemos pensar que o racismo e discriminação foi extinta automaticamente. Aliás, até hoje os EUA vivem problemas raciais e sociais. É desse contexto o surgimento da Ku Klux Klan, uma organização racista criada para perseguir e matar negros.

Capítulo 16: Período Regencial (1831-1840)

Olá pessoal,
como já diz o título esse post é sobre o Período Regencial.

Vimos que o I Reinado chega ao fim a partir da abdicação do trono de d.Pedro I e sua consequente partida para a Portugal. Seu filho, porém, contava com apenas 5 anos de idade e obviamente não poderia governar o país. Quem faria isso então? A Constituição de 1824 estabelecia que uma regência governaria o Brasil em nome do imperador enquanto o príncipe fosse menor de idade. Veremos que nesses anos a discussão entre centralização e descentralização da administração do país ganhará ainda mais força. (Lembrem-se que a interferência de d.Pedro I em assuntos provinciais causou descontentamento nas províncias)

E quais as correntes políticas podemos identificar nesse momento? Haviam três.
liberais moderados: eram proprietários de terras e escravos, defendiam a manutenção do voto censitário e eram contrários ao retorno de d. Pedro I.
liberais radicais: defendiam a descentralização através da criação da república e do federalismo e a abolição gradual da escravidão.
restauradores: se havia aqueles contrários ao retorno de d. Pedro, havia quem fosse a favor. Esses são os restauradores. Porém, essa corrente não existiu muito tempo porque o primeiro imperador morreu em 1834.

Período Liberal
O período liberal é marcado por algumas mudanças em certos assuntos. Por exemplo, nesse período foi formada a Guarda Nacional. Tratava-se de uma força auxiliar ao Exército, mal organizado e mal pago e baseava-se em armar cidadãos considerados confiáveis para lutar em revoltas e com isso, defender os proprietários de terras e escravos.
É desse período também uma mudança significativa: Ato Adicional de 1834.
Tratou-se de uma adição à Constituição de 1824 e estabelecia que as as Assembleias Provinciais ganhariam maior autonomia e poderiam decidir sobre a aprovação ou não leis, cobrança de impostos e contratação e demissão de funcionários. O ato estabelecia também que a regência passaria a ser Una e não Trina e o poder Moderador e o Conselho de Estado não seria utilizados pelo regente.

Ato Adicional em tópicos:
- estabelecia maior autonomia para as províncias
- mudança da regência trina para a una
- o poder Moderador e o Conselho de Estado não seriam utilizados.


Revoltas Regenciais
A maior liberdade para as províncias gerou consequências nessas regiões porque as elites locais passaram a disputar o poder e algumas delas ameaçaram seriamente o mapa do Brasil como conhecemos hoje. Devemos destacar também que algumas dessas revoltas refletiam as dificuldades da vida cotidiana e da realidade local. 

1) Cabanagem (Pará - 1833-1837)
Houve a explosão dessa revolta a partir de divergências entre os dirigentes locais sobre a nomeação do presidente de província e contou com a participação de índios, escravos e mestiços. Os revoltosos chegaram a declarar a separação do Brasil, o que não demorou muito para ser desfeito, pela forte repressão das tropas imperiais.

2) Revolta dos Malês (Bahia - 1835)
Essa revolta foi um fato interessante na nossa história. Trata-se de um levante de escravos muçulmanos. Lembrem-se do Haiti e do pavor - chamado de haitianismo - entre a elite colonial brasileira com relação a um movimento parecido no país. O haitianismo ainda estava muito vivo na memória da nossa sociedade. Os escravos queriam criar um estado islâmico na Bahia e o movimento não foi adiante porque foi delatado e contou com forte repressão imperial.

3) Sabinada (Bahia - 1837)
Liderada por Francisco Sabino Barroso, daí o nome Sabinada. Queria estabelecer uma republica federalista e se separar do Brasil e defendia a libertação dos escravos que participassem do levante. Assim como as demais, o movimento foi desfeito em alguns meses pelas tropas imperiais. 

4) Balaiada (Maranhão - 1838)
Foi uma revolta contra a pobreza local, mas também foi marcada por disputas entre as elites locais. Os seus participantes enalteciam a Constituição e d. Pedro II e foi marcante a presença de escravos.

5) Revolta da Farroupilha (1835-1845)
Essa revolta foi a mais longa e a mais difícil de ser resolvida, tanto é que se estendeu por 10 anos. A revolta, liderada por Bento Gonçalves, teve início principalmente pela questão do charque. O charque é a carne seca e o Rio Grande do Sul vendia esse produto para todo o Sul e o centro-sul do país e o Rio de Janeiro era seu principal comprador. Os gaúchos estavam descontentes porque os impostos cobrados sobre o charque argentino era menor do que os cobrados ao charque brasileiro e como as negociações entre o governo regencial e os gaúchos não avançaram, eclodiu a revolta e por quase 10 anos o Rio Grande do Sul e Santa Catarina não fizeram parte do Brasil. Os conflitos entre os gaúchos e as tropas imperiais chegaram ao fim através de muitas negociações e também por meio da anistia (perdão) aos rebeldes, a integração de oficiais ao Exército brasileiro e ficou acertado ainda que os escravos participantes da revolta seriam libertos, o que nunca aconteceu!

domingo, 2 de novembro de 2014

Independência e Primeiro Reinado

Este NÃO NÃO NÃO é para copiar!
Este post é a explicação do que vocês colocaram no caderno. Naquele temos praticamente os tópicos.

     Para falar de Independência do Brasil precisamos passar pela Revolução Liberal do Porto de 1820. Naquela altura poucos pensavam em se separar de Portugal e ninguém imaginava que em 1822, apenas 2 anos depois o Brasil romperia seus laços com Portugal. Para explicar essa Revolução precisamos entender a motivação dos portugueses nesse movimento. Bem, a antiga metrópole encontrava-se em uma dupla crise: política e econômica. Política porque o país era governado por ingleses e econômica porque viu seus rendimentos caírem depois da abertura dos portos brasileiros para as nações amigas. 
     Há uma frase muito famosa sobre essa Revolução: "Movimento liberal para Portugal e conservador para o Brasil". E por que? Liberal para Portugal porque exigia o retorno de d. João (o que acontece em 1821) e previa a limitação dos poderes do rei D. João VI ao criarem uma Constituição para o país e conservadora para o Brasil porque pretendia recolonizar a região. Mas o Brasil já não era uma colônia? Não, uma das medidas de D. João VI transformou o Brasil em reino, igual a Portugal, em 1815. Além disso, em 1810, o mesmo príncipe regente formalizou a abertura dos portos através dos Tratados com a Inglaterra.
    No contexto da Revolução são formadas as Cortes em Portugal, justamente para discutir a constituição portuguesa e os rumos para o Brasil. Havia inclusive representantes brasileiros enviados para Portugal. As Cortes tentaram de vários meios fazer a recolonização criando medidas como a subordinação das regiões brasileiras à Lisboa e não ao Rio de Janeiro, a anulação dos Tratados de 1810 com a Inglaterra e o retorno de órgãos de administração que estavam no RJ para Lisboa.
   Começaram, então, a surgir correntes que eram favoráveis ou não à recolonização como o "partido" português, favorável a recolonização e o "partido" brasileiro que preferia manter as situação como estava. Por fim, os liberais radicais que defendiam a separação com Portugal, a formação de uma República e o fim da escravidão. Com a pressão das Cortes em Portugal, d. João VI deixa o Brasil em 1821 e deixa o seu filho, Pedro, governando em seu lugar.
     As Cortes passaram a pressionar pelo retorno do príncipe regente para agilizar a recolonização. No início de 1822, houve o "dia do Fico", ou seja, Pedro ignora a primeira ordem de retorno para Portugal e afirma publicamente que permaneceria no Brasil e declara que as tropas portuguesas contrárias as sua permanência foram consideradas inimigas. Meses depois teve início a discussão sobre a convocação de de uma Assembleia Constituinte. Em setembro as Cortes reagem e anulam os poderes do regente Pedro e exigem o seu retorno imediato. Ao saber disso, o príncipe que se encontrava em São Paulo para obter apoio a separação de Portugal declara o Brasil independente.
     Porém, nem todas as regiões do novo país eram favoráveis a separação de Portugal. Por isso, foram registrados conflitos no Norte e Nordeste que preferiam a ligação com os portugueses e não com o Rio de Janeiro, mas as forças do Brasil conseguiram manter as regiões rebeldes. Assim, tiveram início as discussões sobre a primeira Constituição do Brasil.
     A primeira Constituição escrita pela Assembleia Constituinte foi desconsiderada por d. Pedro I e a assembleia foi desfeita. O país conheceria a nova Constituição somente em 1824 e ela estabelecia a divisão dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) mais o Poder Moderador de uso exclusivo do imperador e podia interferir em diversos assuntos, como dissolver a Câmara dos Deputados e convocar novas eleições. Ficou estabelecido que governo era uma monarquia hereditária constitucional. O voto para eleições para a Câmara e Senado eram indiretos e censitários. Não havia eleições para os presidentes de província, pois eles eram nomeados pelo Imperador. Além disso, havia o Conselho de Estado, composto por nomeações vitalícias pelo próprio d. Pedro.
Nesse mesmo ano explode a Confederação do Equador. A revolta é iniciada pela substituição do presidente de província de Pernambuco pelo imperador. O levante era uma reação à centralização política do imperador, por interferir nos assuntos da província trocando o presidente da província. Logo, reivindicavam a autonomia da província, a criação de uma república e da adoção do federalismo. O movimento foi fortemente reprimido pelas tropas imperiais.

    O Primeiro Reinado (1824-1931) é marcado por uma série de problemas para o Brasil. No contexto internacional, os nossos principais produtos de exportação (algodão, açúcar e o café) encontravam-se em baixa, fato que diminuía a arrecadação de dinheiro do país. O governo imperial era acusado de centralista, exemplo disso foi a Confederação do Equador. Além disso, o Brasil se envolveu em um conflito com o Uruguai e isto desagradou mais ainda a sociedade em geral porque aumentou os gastos militares, o recrutamento para tropas era forçado e vários postos de comando eram ocupados por portugueses ao invés de brasileiros.
     Junte-se a isso tudo, em 1826, morre d. João VI, pai de d. Pedro I e rei de Portugal. Os adeptos da independência viam toda a possibilidade de um restabelecimento de laços com Portugal. A partir daí o sentimento antilusitano torna-se cada vez mais forte e evidente e essa aversão aos portugueses chegaria ao seu ponto máximo na "Noite das Garrafadas". Fato histórico que marca o fim do I Reinado e trata-se de conflitos nas ruas do Rio de Janeiro entre portugueses que apoiavam o imperador e os brasileiros. Desgastado e diante dessa tensa situação, d. Pedro I abdica do trono em nome de seu filho, futuro d. Pedro II e dias de depois retira-se para Portugal para tornar-se rei lá.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Independência do Brasil e Primeiro Reinado (Caderno)

Turma,
copiem isso para o caderno, por favor. Lembrem que conta ponto no trabalho bimestral.


Revolução Liberal do Porto (1820): movimento ocorrido em Portugal, na cidade do Porto, 

- Crise política: porque Portugal era governado por ingleses. O rei, D. João VI encontrava-se no Brasil.
- Crise econômica: o fim do pacto colonial a partir da abertura dos portos brasileiros trouxe problemas para Portugal, pois o mercado brasileiro foi aberto para outros produtos.

"Movimento liberal para Portugal e conservador para o Brasil":
liberal para o Portugal porque exigia o retorno do rei e a formação de uma Constituição para limitar os seus poderes. Conservadora para o Brasil porque defendia a sua recolonização. Em 1808, os portos brasileiros são abertos para outros países e em 1815, o Brasil deixa de ser colônia e torna-se um reino.

- formação das Cortes, em Portugal, para discutir a Constituição e a situação do Brasil. Foram elaboradas as seguintes medidas
   subordinar as regiões do Brasil à Lisboa e não ao Rio de Janeiro
  tentativa de anular os Tratados de 1810 com a Inglaterra (os tratados que estabeleciam a abertura dos portos)
    retorno de órgãos de administração para Portugal

Formação de "partidos
"partido português": representavam setores do comércio e militares
"partido brasileiro": representavam setores dos proprietários rurais, comerciantes e alguns funcionários da monarquia.
"liberais radicais": defendiam a independência, a formação da República e o fim da escravidão.

Podemos afirmar que a decisão de fazer parte um "partido" ou outro dependia dos ganhos obtidos ou não através das mudanças com a vinda da Corte para o Brasil.

Com o retorno de d. João IV para Portugal, quem passou a governar o reino do Brasil, foi seu filho, d. Pedro. A pressão das Cortes pedindo o retorno do príncipe era imensa para possibilitar a recolonização, por isso, d. Pedro declara a sua permanência do Brasil.

- Convocação da Assembleia Constituinte no Brasil

- nova exigência de retorno de d. Pedro para Portugal
- anulação dos poderes de d. Pedro pelas Cortes
- D. Pedro declara a independência em 7 de setembro de 1822.

Resistência à separação
- guerras contra a independência entre brasileiros e portugueses: regiões do nordeste e norte não aderiram ao movimento de separação. Provocando conflitos no início de 1823.
- indenização paga para Portugal para reconhecer o Brasil independente

Constituição de 1824

- estabelecia a divisão dos três poderes e a criação do Poder Moderador
- adotava o governo monárquico, hereditário e constitucional
- criava a Câmara dos Deputados e o Senado
- estabelecimento do voto censitário
- formação do Conselho de Estado

Confederação do Equador (1824)
- revolta iniciada pela substituição do presidente de província de Pernambuco pelo imperador d. Pedro I.
- adesão de RN, CE, PE, PB, PI e PA
- a revolta foi uma reação à centralização política do imperador
- defendiam a autonomia da província, a criação de uma república e a adoção do federalismo
- reprimidas pelas tropas imperiais

Primeiro Reinado (1824-1831)
Guerra da Cisplatina (Uruguai)
- provoca aumento dos gastos militares
- o recrutamento para fazer parte do Exército é forçado
- portugueses no topo da hierarquia incomodava os oficiais brasileiros

- problemas econômicos: baixa no preço dos produtos agrícolas vendidos pelo Brasil (algodão e café)
- sucessão em Portugal (1826): morre D. João VI. Possibilidade de nova união com Portugal?
- sentimento antilusitano

- conflito entre portugueses e brasileiros no Rio de Janeiro: "A noite das Garrafadas"
- Abdicação do trono de 7 de abril de 1831