quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Unidade 9 - cap. 2 - Divisão do mundo


No meio do século XIX, as potências industriais europeias como a Grã-Bretanha, França, Bélgica, Alemanha e Itália encontravam-se em forte processo de industrialização da Segunda Revolução Industrial. Para alimentar as crescentes industrial eram necessários cada vez mais o abastecimento de matérias-primas e o continente africano e asiático foram vistos por esses países como potenciais fornecedores dos produtos necessários. É desse contexto que surge o colonialismo europeu na África e na Ásia em busca de matérias-primas e estabelecimento de zonas de influência e tais dominações eram garantidas por acordos comerciais ou força militar. 
E como isso era possível? Era preciso justificar a ação europeia sobre esses dois continentes. O argumento imperialista europeu era baseado na ideia de que os supostos "superiores" brancos tinham a "missão" de "civilizar" africanos e asiáticos, trazê-los para a cultura branca europeia. Essa ideia de superioridade é proveniente de uma distorção das ideias de um cientista inglês chamado Charles de Darwin que defendeu no seu livro "A Origem das Espécies" a existências de diferentes raças e espécies de seres vivos. Tal concepção foi aplicada para os grupos humanos também por outras pessoas que não o cientista para defender a ideia de que existem raças superiores e inferiores e é esta suposta diferença que permitiu a ação europeia nesses continentes. Tal ideia ficou conhecida como "darwinismo social".
No final do século XIX, nos anos de 1884 e 1885, as potências europeias se reuniram na Conferência de Berlim para decidir como ocorreria a ocupação no continente africano. Ficou decidido que as potências deveriam combater a escravidão, o livre comércio na bacia do Congo e que o domínio europeu sobre uma região seria reconhecido somente por ocupação de um país. Vocês podem rever o mapa da página 237 para visualizarem que os maiores domínios eram da França e da Grã-Bretanha, mas houve a presença também da Bélgica, de Portugal, da Itália, da Alemanha e da Espanha. 

Colonialismo na Ásia
No lado asiático precisamos ver as ações na Índia, na China e no Japão e, de certa forma, veremos também a relação da Grã-Bretanha com esses países.

No caso da Índia percebemos que a relação da Grã-Bretanha com a região ocorria com a Companhia Inglesa das Índias Orientais desde o século XVI. No século XIX, a companhia foi utilizada como um meio de estabelecer o imperialismo inglês na região ao introduzir em enormes quantidades os tecidos ingleses. Além disso, criou diversos impostos, restringiu a autonomia das autoridades locais e impôs leis que confrontavam os costumes locais. O resultado de tais atitudes com os indianos foi a Revolta dos Cipaios (1857) em função dos vários abusos da Companhia e das crises de abastecimento. Iniciada na cidade de Delhi, a revolta se propagou por todo o país. A violência foi contida somente quando o próprio governo britânico retirou a companhia comercial da colonização e estabeleceu uma administração colonial indireta na Índia, com a participação de governantes locais e maior respeito às tradições locais.

No caso da China havia um forte controle por do governo imperial chinês com relação ao comércio com o exterior, principalmente com relação ao ópio, uma espécie de fumo vendido ilegalmente pelos ingleses no império chinês. O governo reagiu a essa atitude com o confisco e descarte de uma enorme quantidade do produto. A Grã-Bretanha, por sua vez, declarou guerra à China, bombardeou e ocupou cidades chinesas. A Guerra do Ópio durou de 1839-1842 e a segunda de 1856-1860. O desfecho do conflito foi favorável para os ingleses, pois obtiveram a ilha de Hong Kong no litoral chinês e concessões comerciais do governo.

Anos depois, em 1900, houve a Guerra dos Boxers, uma reação da população ao domínio estrangeiro e que tinha como foco a destruição de lojas estrangeiras e ferrovias. A revolta foi contida a partir de uma aliança entre diversas potências (Grã-Bretanha, França, Japão, Rússia, Alemanha e EUA). As consequências foram desfavoráveis para a China que foi obrigada a indenizar os países prejudicados e realizar concessões econômicas. Além disso, o império caiu e em seu lugar foi adotado a República como forma de governo.

No caso do Japão havia um fechamento quase completo do país ao exterior. Os únicos países a comercializarem com os japoneses até o século XIX eram a China e a Holanda. Essa realidade mudaria no século XIX quando os EUA conseguiram a abertura de seus portos para o comércio para seus produtos e, pouco tempo depois, em 1858, os japoneses abriria os portos para todos os países ocidentais.
No final dos anos 1860 o Japão entrou em um período denominado de Renovação Meiji. Este é o nome recebido para o processo de modernização nos moldes ocidentais e a implantação do capitalismo com forte industrialização pela qual o país passou no final do século XIX. 
Assim como as potências europeias, o Japão, por ser uma região escassa de matéria-prima, também teve ações imperialistas sobre os países vizinhos, como a Coreia e a China (Manchúria).

Unid. 9 - Estados Unidos em expansão



 Nesse capítulo estudamos a formação territorial dos Estados Unidos e a posterior política aplicada por esse país em relação aos países vizinhos.

A ocupação dos EUA para o Oeste ficou conhecida como Marcha para o oeste e é definida como uma expansão territorial que ganhou força a partir de 1848, ao mesmo tempo da descoberta de ouro na Califórnia, estado do extremo oeste dos EUA.
Crescimento demográfico: Com o aumento populacional nos EUA foi criado em 1862 a Lei do Povoamento que concedia por 10 dólares um lote de terra a quem quisesse cultiva-la, mas a lei só valia para os novos territórios ocupados. (Vejam o mapa da página 226)

Destino Manifesto: Foi um pensamento usado pelos colonos para justificar o expansionismo territorial e para impor a civilização aos ditos selvagens, os indígenas. 

Ao mesmo tempo da expansão territorial os EUA viviam uma grande diferença entre os estados do Norte e do Sul que existia desde os tempos de colônia, em parte do século XVIII e no século XVII.
Norte e Sul:  O norte defendia a pequena propriedade agrícola e a produção variada contra a escravidão e tenha uma indústria em ascensão. O sul é totalmente o oposto do norte, era escravista, defendia a grande propriedade de monocultora, exportava matéria-prima para o mercado externo e para as indústrias do norte.

A tensão entre o Norte e o Sul aumentaram mais ainda quando o assunto era o trabalho escravo.
 A polêmica escravista: Na região do sul e do norte os negros não tinham participação em nada, além de sofrer grande descriminação principalmente no sul, onde a escravidão era permitida. O sul desejava estender a escravidão para os novos territórios, enquanto o norte desejava ampliar o mercado consumidor de seus produtos, e defendia o trabalho livre e assalariado.

A Guerra de Secessão (1861-1865):  Quando Abraham Lincoln venceu as eleições presidenciais de 1860 alarmou os sulistas, pois ele vera visto como um abolicionista, o que acabou sendo um pretexto para os estados do sul se declarem separados do resto EUA.  A abolição da escravidão foi anunciada em 1863 pelo então presidente o que estimulou a fuga de escravos, fragilizando ainda mais a economia sulista por ser mais dependente do trabalho escravo. Após a guerra a industrialização do norte tomou mais forte impulso.          


Imperialismo norte-americano: A ideia do imperialismo é que uma potência consegue impor  e fortalecer seus interesses sobre outros países. 
Na década de XIX, os Estados Unidos já despontavam como uma promissora potência econômica, comercial e política. Nesse contexto alguns setores da sociedade norte-americana passaram a defender a necessidade de estreitar as relações diplomáticas e comerciais com os demais países da América Latina.

Primeira Conferência Panamericana (1889): O objetivo era ampliar sua influência e o comércio com os países latinos, a proposta foi rejeitada pelos demais participantes, entre eles o Brasil. O insucesso diplomático não fez com que o país freasse seus interesses, e neste mesmo ano os Estados Unidos colocaram em ação sua política imperialista, intervindo militarmente em Cuba.

Caso de Cuba: Cuba ainda se mantinha como colônia da Espanha, produzindo açúcar e tabaco no final do século XIX. (1868-1878).  A colônia havia passado por sua primeira guerra de independência, a Guerra dos Dez Anos. Frustrados em sua primeira tentativa os cubanos iniciaram uma nova revolta contra o domínio espanhol em 1895. Os norte-americanos interessados nos produtos produzido na ilha (açúcar, tabaco e minério de ferro) investiram na guerra, conhecida como Guerra Hispano-Americana, em apoio à Cuba contra a Espanha. Os cubanos saíram vitoriosos e em contrapartida os norte-americanos impuseram um trato. A Espanha reconhecia a independência da Cuba e transformava Porto Rico e Filipinas em colônias norte-americanas. Cuba foi ocupada por tropas norte-americanas que assumiram provisoriamente o poder.

Emenda platt: A emenda é produto desse mesmo contexto de apoio dos EUA à independência cubana.
Por definição, foi um dispositivo que a previa ajuda militar norte-americana para garantir a independência da ilha em troca de privilégios comerciais, além de prever direito de instalação de bases navais norte-americanos na ilha. As tropas norte-americanas só se retiram de cuba depois das eleições (1903).

 Canal de Panamá: O canal de Panamá seria um canal artificial que ligaria  os oceanos Atlântico e Pacífico.
Seu objetivo era encurtar as viagens marítimas, trazer renda em virtude das taxas cobradas pela travessia. No entanto vieram diversos problemas, chuvas, desmoronamento e doenças tropicais levaram a empresa francesa encarregada não concluir as obras. As atividades seriam retomadas pelos EUA com a imposição de condições ao governo colombiano que detinha o território do Panamá, como essas condições não foram aceitas, os norte-americanos incentivaram a independência do Panamá e concluem a construção do canal que ficaria sob domínio dos EUA até os anos de 1990.

Big Stick:  Em 1903 o presidente norte-americano Theodore Roosevelt propôs uma nova interpretação da chamada Doutrina Monroe conhecida como a ”Americanos  para os norte-americanos”. Em substituição, o chefe de estado anunciou a politica Big Stick. (“grande porrete”) que impunha o controle agressivo e intervencionais aos países latino-americanos. Em decorrência disso, os EUA intervieram na política interna de vários países no início do século XX e participação da derrubada de vários governos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Unid. 8 - Cap. 1 e 2 - Do Império à República

Neste capítulo abordamos os motivos que levaram à queda da Monarquia e a substituição pela República.
Um dos motivos foi a Guerra do Paraguai (1864-1870). O início do conflito, envolvendo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai foi motivado por uma grande disputa pelo controle da região da bacia do Prata, a região platina. O Brasil, por exemplo, desejava garantir o acesso ao seus territórios no interior, mais acessíveis por navegação pelo rio da Prata. O Paraguai, por outro lado, desejava obter uma saída por mar. Havia também a disputa entre Brasil e Uruguai por territórios férteis e dedicados à pastagem no sul do país. Muitos são os motivos para a eclosão do conflito. 
O que nos importa é lembrar que após o ataque paraguaio, o Brasil e a Argentina, formou-se rapidamente a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) para lutar contra o Paraguai. A guerra se prolongaria até 1870 e seria vencida pela coligação de países, com a liderança do Brasil. Porém, a vitória trouxe grandes consequências. Uma delas foi o aumento da dívida externa do país com a Inglaterra porque o governo brasileiro precisou de diversos empréstimos para cobrir os gastos com o conflito. Além disso, a Coroa imperial não cumpriu com promessas feitas ao Exército como indenizações para os feridos na guerra e para órfãos e viúvas, a doação de terras e melhores salários. Fato que criou um distanciamento entre o Exército e a Coroa. Não bastasse isso, a liberdade de escravos obtida a partir da participação no conflito criou uma grande contradição porque alguns negros serviam para lutar pelo país, mas ainda assim existia a escravidão que impedia considerar essas pessoas como cidadãs.
Nesse mesmo contexto ganhou força a campanha abolicionista e o movimento republicano. O questionamento à escravidão teve seus primeiros sinais em 1850 após a aprovação da Lei Eusébio de Queiroz. Afinal, não era possível trazer novos escravos, mas o uso do trabalho escravo era permitida. Nos anos 1860 ganhou força a resistência escrava e também a atuação de clubes abolicionistas que se organizaram para a compra de liberdade de escravos e espalhar ideias pelo fim da escravidão através de jornais, charges e manifestações.
A abolição viria de modo lento e gradual. Porque foram necessárias várias leis até a abolição completa do trabalho escravo. Em 1871 foi aprovada a Lei do Ventre Livre. Estabelecia que todos filhos e filhas de escravas nasceriam livres, mas cabia ao senhor libertá-los após os 7 anos ou se o manteria até os 21 anos trabalhando para ele como forma de indenização.
Em 1885 foi aprovada a Lei dos Sexagenários. Estabelecia a liberdade para todos os escravos com mais de 60 anos, mas estes seriam obrigados a trabalhar mais 3 ou 5 anos para seu senhor como forma de indenização. 
Somente em 1888 foi aprovada a Lei Áurea que estabelecia a liberdade de todos os escravos e não indenizava os proprietários. É importante lembrar que, embora o fim da escravidão tenha sido conduzido pelo próprio governo e fosse um desejo pessoal de D. Pedro II e da princesa Isabel, deve-se reforçar a ideia que a abolição também foi obra dos constantes atos de resistência dos escravos e da campanha abolicionista cada vez mais intensa na década de 1880. Com a assinatura da lei a Coroa perdeu uma importante base de apoio político, aqueles fazendeiros ainda agarrados e dependentes do trabalho escravo, muitos deles abraçaram o republicanismo.

O Republicanismo ganhou força e adeptos a partir de 1870. O "Manifesto Republicano" lançado no mesmo ano criticava o poder Moderador e a vitaliciedade do Senado e defendia a implantação de uma Republica democrática, representativa e do federalismo
O federalismo estabelece a maior liberdade para os estados criarem suas próprias leis e criarem seus próprios impostos. (A Monarquia não aceitava essa ideia). O movimento cresceu muito, principalmente em São Paulo, com amplo apoio da burguesia cafeicultora do Oeste paulista. A implantação da República recebeu o apoio também da classe média, representados por professores, advogados, médicos, dentre outros grupos. Houve também aqueles denominados de "republicanos de 14 de maio", indivíduos que passaram a defender o republicanismo após a assinatura de Lei Áurea.

A Guerra do Paraguai e o distanciamento do Exército, o Movimento Republicano e a abolição da escravidão são três importantes fatores que explicam o porque de um golpe realizado pelo próprio Exército em 15 de novembro de 1889 que derrubou a monarquia e a implantou a República não ter mobilizado ninguém por D. Pedro II.

Unidade 8 - cap. 1 - A economia cafeeira e a mão de obra

Olá,
escrevei sobre o cap. 1, como o título adianta.
Lembrem que o conteúdo da prova é toda a unidade 8, com os capítulos 1, 2 e 3. Como mostrei para vocês no Facebook, a avaliação está mais concentrada no cap. 1 e 2. Colocarei o cap. 2 aqui nesse post mesmo. Ok?

Vamos lá!

A economia cafeeira teve início ainda no século XVIII, mas se desenvolveria plenamente apenas no século XIX muito influenciada pelo crescente consumo do produto e, consequente aumento nos preços, nos Estados Unidos e na Europa. A plantação foi iniciada, principalmente, no Vale do Paraíba (RJ), região de terras extensas com solo e clima favoráveis. Surge ao mesmo tempo uma nova elite e classe política no Brasil, os barões de cafés. Utilizava-se, sobretudo, a mão de obra escrava nos cafezais, fato que deu novo impulso para o tráfico de escravos para o Rio de Janeiro.
A região do Oeste Paulista, região que abrange cidades como Piracicaba, Jundiaí, Campinas, dentre outras, também foi uma zona de expansão do café após 1840 e tornou-se a principal região produtora em razão da acentuada decadência da produção no Rio de Janeiro, no Vale do Paraíba, por causa da dificuldade de obter escravos após a Lei Eusébio de Queiroz de 1850 (proibia a a entrada de novos escravos no Brasil), o uso intensivo do solo e a falta de investimentos para melhoria técnica. 

Também foi constata presença de mão de obra escrava no Oeste paulista. Porém, ao mesmo tempo, a região recebia cada vez mais imigrantes ao longo do século XIX para trabalhar como mão de obra livre e recebendo salário. Existiram dois modelos que recebiam os imigrantes, o sistema de parceria e anos depois o sistema de colonato. O que nos interessa no momento é que a atividade econômica cafeeira introduziu uma nova relação de trabalho no Brasil, ou seja, a assalariada e livre.

Além de incentivar a imigração e introduzir um novo conceito de mão de obra a cafeicultura influenciou também na industrialização e urbanização do país. Porque a riqueza gerada pelo café passou a ser utilizada em diversos setores da economia e na mudança nos espaços urbanos. É dessa época a criação de diversas ferrovias para ligar as áreas produtoras de café no Rio de Janeiro ou São Paulo os portos de cada província. Nesse contexto, diversos bancos chegaram ao país, muitos deles ingleses, e empresários realizaram diversos empreendimentos para a modernização e urbanização do Brasil, principalmente no Sudeste, que tornou-se a região mais importante economicamente. A partir de 1850, investimentos estrangeiros e nacionais foram aplicados para a iluminação pública à gás, a implantação de bondes, do telégrafo e a própria abertura de novos bancos podem ser exemplos de desenvolvimento de algumas cidades brasileira.
Apesar do crescimento econômico e urbano, o Brasil continuou um país de economia agrária e exportadora, na qual a maioria da população continuava trabalhando no meio rural.

Em 1850 foram aprovadas duas leis que marcaram a sociedade daquela época. Uma delas foi a Lei de Terras. Estabelecia que a ocupação do terrenos pertencentes à Coroa seria permitido somente através da compra, dificultando assim, o acesso para a grande parte da população. Até essa data o acesso à terra acontecia por ocupação ou por doação da Coroa. Essa lei foi aprovada porque a elite agrária do país via com temor o crescente número de libertos (ex-escravos) e de imigrantes que podiam escapar ao seu controle caso ocupassem novas terras e não dependessem dos grandes senhores.
É de 1850 também a lei que proíbe a entrada de novos escravos no país: a Lei Eusébio de Queiroz. Trazer escravos após essa data era cada vez mais perigoso e arriscado, pois a Marinha britânico atuava fortemente no Atlântico interceptando navios negreiros e retornando os escravizados para o continente africano.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Unid. 7 - Capítulo 2 - O Segundo Reinado

Olá
esse post finaliza o conteúdo para a av2.
Unidade 7: capítulo 1 - Revoltas Regenciais
                  capítulo 2 - Segundo Reinado

Golpe da Maioridade

Em 1840, tem início o Segundo Reinado (1840-1889) no Brasil sob o comando de d. Pedro II. Contudo, o novo governante do país ainda não havia completado os 18 anos previstos pela Constituição de 1824. Por isso, foi preciso derrubar a regência para colocar em seu lugar o jovem imperador. O golpe foi elaborado pelo Partido Liberal (ou Progressista) contra o Partido Conservador (ou Regressista) em razão da aprovação de uma série de medidas centralizadoras aprovadas pelos conservadores ainda em 1837. 
A partir dessa questão é possível perceber o perfil de cada partido nesse momento. Os liberais eram mais favoráveis a manutenção das reformas adotadas em 1834 pelo Ato Adicional que concediam maior autonomia política. Enquanto os conservadores preferiam a centralização política e um poder central forte, até mesmo para conter as revoltas regenciais. Apesar dessas diferenças ambos eram compostos pela elite proprietária de grandes lotes de terras e de escravos, para ambos o poder era um meio de atender a interesses particulares, obter prestígio pessoal e fortalecer a autoridade regional. Além disso, ao longo de todo o Segundo Reinado estabeleceu-se uma política de troca de favores e negociação entre si. 
As eleições durante esse período histórico para compor a Câmara e as Assembleias eram marcadas por violências e fraudes, como roubo de urnas e falsificação de votos. Por exemplo, a primeira eleição realizada no Segundo Reinado ficou conhecida como as "eleições do cacete" em razão da violência contra os eleitores e pelas fraudes colocadas em prática.

Em 1847 foi criado o cargo de presidente do Conselho de Ministro, na verdade, correspondia ao cargo de primeiro-ministro. Logo, tivemos por um tempo a introdução do regime parlamentarista. Essa forma de governo, no entanto, acontecia de modo diferente do esperado porque, ao contrário do que acontecia na Inglaterra, o primeiro-ministro era escolhido pelo próprio Imperador e não pelo partido que formasse maioria na Câmara, cabia a ela apenas confirmar o nome do primeiro-ministro escolhido por d. Pedro II.

Além disso, ainda no início do Segundo Reinado começou o processo de restrição ao trabalho escravo. Desde o início do século XIX, a Inglaterra passou a pressionar Brasil e Portugal para darem fim ao tráfico de escravos entre os portos africanos (Luanda, por exemplo) e os portos brasileiros. Em 1831, o Brasil criou a primeira lei que proibia o tráfico de escravos, mas essa determinação teve pouco efeito prático porque o comércio de pessoas tomava cada vez mais um novo impulso motivado pelo crescimento da produção de café no Brasil. 
Em 1845, o parlamento britânico aprovou o Bill Aberdeen, uma lei que autorizava a Marinha britânica a aprisionar qualquer navio negreiro e julgar os traficantes pelas leis inglesas. A partir disso, a compra de escravos pelos brasileiros passou a ser um negócio cada vez mais caro e arriscado, pois poderia haver o risco de perder dinheiro porque muitos navios deixaram de chegar trazendo novos contingentes de escravizados. Por fim, em 1850, foi aprovada a lei Eusébio de Queirós que determinava a total extinção do tráfico de escravos para o império e, em poucos anos, o comércio da escravidão abolido definitivamente no oceano Atlântico...mas não no Brasil.

Unid. 7 - Capítulo 1 - O Período Regencial (1831-1840)

Hello turma

O período regencial é o momento que corresponde à renúncia de d. Pedro I em 1831 até o início do Segundo Reinado em 1840. Em um primeiro momento o poder era exercido por três regentes, mas uma reforma na Constituição, o Ato Adicional de 1834, transformou a regência trina em Regência Una. Além de mudar o poder, outras medidas foram colocadas em prática como: a) criação da Guarda Nacional. b) a ampliação dos poderes dos juízes de paz. c) a criação das Assembleias Provinciais. Todas essas medidas tinham por objetivo promover a descentralização política e permitir que as diversas regiões tivessem maior liberdade de decisão sobre seus próprios assuntos.

a) a Guarda Nacional era uma força paramilitar, ou seja, são civis que atuam de modo semelhante às Forças Armadas e eram comandadas por fazendeiros que recebiam a patente de coronel para reprimir revoltas locais. Logo, essa organização acabou por fortalecer o poder dos latifundiários (os grandes proprietários de terra).
b) Os juízes de paz eram magistrados, mas não eram profissionais, e controlavam a justiça nos municípios pois eram eles que tinham o poder de julgar e condenar. A escolha desses profissionais era extremamente influenciada pelos fazendeiros que acabavam tendo grande poder de controlar, mesmo que indiretamente, a Justiça
c) as Assembleias Provinciais tinham autonomia para criar leis para os municípios sobre diferentes assuntos e nomear funcionários.

Essas foram as principais medidas do Ato Adicional de 1834.

Esse período também é conhecido por uma série de revolta que ocorreram em diferentes regiões do país, denominadas de Revoltas Regenciais. Fiz um breve resumo sobre cada uma delas, mas aconselho que vocês leiam o livro. Páginas 172 à 177 e o exercício n° 3 da página 178.

1) Cabanagem (Pará - 1833-1837)
Houve a explosão dessa revolta a partir de divergências entre os dirigentes locais sobre a nomeação do presidente de província e a interferência do poder central ao nomear um presidente da província. A revolta contou com a participação de índios, escravos e mestiços. Os revoltosos chegaram a declarar a separação do Brasil, o que não demorou muito para ser desfeito, pela forte repressão das tropas imperiais.

2) Revolta dos Malês (Bahia - 1835)
Essa revolta foi um fato interessante na nossa história. Trata-se de um levante de escravos africanos e afrodescentens muçulmanos. Lembrem-se do Haiti e do pavor - chamado de haitianismo - entre a elite colonial brasileira com relação a um movimento parecido no país. O haitianismo ainda estava muito vivo na memória da nossa sociedade. Os escravos queriam criar uma república islâmica e libertar os escravos e o movimento não foi adiante porque foi delatado e contou com forte repressão imperial.

3) Sabinada (Bahia - 1837)
Liderada por Francisco Sabino Barroso, daí o nome Sabinada. Queria estabelecer uma republica federalista e se separar do Brasil e defendia a libertação dos escravos que participassem do levante. Assim como as demais, o movimento foi desfeito em alguns meses pelas tropas imperiais. 

4) Balaiada (Maranhão - 1838)
Foi uma revolta contra a pobreza local e reivindicavam melhores condições de vida, também foi marcada por disputas entre as elites locais. Os seus participantes enalteciam a Constituição e d. Pedro II e foi marcante a presença de escravos.

5) Revolta da Farroupilha (1835-1845)
Essa revolta foi a mais longa e a mais difícil de ser resolvida, tanto é que se estendeu por 10 anos. A revolta, liderada por Bento Gonçalves, teve início principalmente pela questão do charque. O charque é a carne seca e o Rio Grande do Sul vendia esse produto para todo o Sul e o centro-sul do país e o Rio de Janeiro era seu principal comprador. Os gaúchos estavam descontentes porque os impostos cobrados sobre o charque argentino era menor do que os cobrados ao charque brasileiro e como as negociações entre o governo regencial e os gaúchos não avançaram, eclodiu a revolta e por quase 10 anos o Rio Grande do Sul e Santa Catarina não fizeram parte do Brasil. Os conflitos entre os gaúchos e as tropas imperiais chegaram ao fim através de muitas negociações e também por meio da anistia (perdão) aos rebeldes, a integração de oficiais ao Exército brasileiro e ficou acertado ainda que os escravos participantes da revolta seriam libertos, o que nunca aconteceu!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Unidade 6 - Cap. 2 - Sociedade e ciência no século XIX

Oi gente,
esse post finaliza o nosso conteúdo de av1.
Lembrem que é toda a Unidade 6, beleza?

Nesse capítulo veremos as consequências da industrialização e o surgimento de ideias preocupadas em refletir sobre as questões sociais surgidas em função do forte desenvolvimento industrial.
E quais foram as consequências da industrialização?
- A forte adoção do liberalismo econômico, ou seja, a liberdade de comércio e de produção sem intervenção do Estado em assuntos econômicos. 
- A crescente utilização de máquinas na agricultura (mecanização) e a consequente liberação de mão de obra do campo para a cidade, provocando o que conhecemos como êxodo rural. Muitas dessas pessoas seriam utilizadas como força de trabalho das fábricas. 
- forte crescimento das cidades: pouco preparadas para receber a enorme quantidade de pessoas proveniente do campo
- pouca interferência do Estado na relação entre empregadores e empregados, facilitando a existência das enormes jornadas de trabalho, baixos salários e condições insalubres. 

Devemos lembrar também que diante desse contexto os trabalhadores se organizaram em um movimento denominado de cartista por causa de suas condições de vida e trabalho. Por exemplo, a decretação de greves e a formação de sindicatos eram proibidas por lei. Além disso, os trabalhadores não tinham direito de voto. Logo, como a participação deles era restringida no meio político, as reivindicações e organizações dos trabalhadores por melhorias no trabalho teriam que acontecer fora do espaço político. Durante as décadas de 1820 e 1830 o movimento cartista realizou uma série de reivindicações ao Parlamento britânico e conseguiu algumas vitórias como a revogação (anulação) de leis que impedia a organização dos trabalhadores e também a proibição do trabalho feminino e infantil nas minas e a restrição de 8h de trabalho para as crianças.

Esse é o momento da Segunda Revolução Industrial. Esse fato histórico está ocorrendo ao mesmo tempo em diversos países, como a Alemanha, a Bélgica, os Estados Unidos, a Holanda, dentre outros. Nessa etapa da revolução surgiram novas formas de energia: o petróleo e a eletricidade. Agora as máquinas são movidas não mais por carvão, são utilizados derivados do combustível fóssil e a energia elétrica. Ao longo do XIX surgiram várias invenções que mudariam a produção e o cotidiano das pessoas, como a criação das ferrovias, a conversão do ferro em aço, a invenção do telégrafo e do telefone.

O crescimento industrial era notável, assim como a concorrência entre elas. Por isso a livre concorrência e livre mercado deu lugar à concentração de capital e monopolização de mercados através dos oligopólios. Este fenômeno econômico acontece da seguinte maneira: um número reduzido de empresas oferecem uma grande quantidade de serviços e produtos para uma grande massa de consumidores. E qual o objetivo disso? Controlar a oferta de mercadorias, assim como os preços e, consequentemente limitar a concorrência entre as empresas vendedoras. (Vejam o livro página 160) 

Os pensadores sociais

No ambiente de forte liberalismo surgiram pensadores que buscavam realizar a distribuição de riqueza e criar sociedades igualitárias. Dois deles foram Friedrich Engels e Karl Marx. Ambos eram estudiosos das relações de trabalho existente no capitalismo industrial e elaboraram um teoria que visava a superação do capitalismo, ou seja, a substituição do capitalismo pelo socialismo científico. Na teoria desenvolvida por ambos existe necessariamente uma luta de classes na sociedade e, no caso que estamos estudando, falamos de uma luta entre burgueses, que detém os meios de produção, e os proletários que vendem a sua força de trabalho. Além disso, os dois pensadores propunham, através do socialismo, o fim da propriedade privada e dos meios de produção.
O anarquismo também surgirá uma alternativa ao pensamento liberal e como um meio de eliminar as desigualdades. Os anarquistas propõe o fim do Estado, de toda autoridade que exista e o fim da propriedade privada, sugerindo em seu lugar, o autogoverno e a livre associação produtiva.

Mas não foram apenas estes os movimentos que existiram.
Em meados do século XIX as mulheres começam a se organizar exigindo o direito de voto. Esse movimento, iniciado nos Estados Unidos e estendendo-se por vários países, inclusive o Brasil, ficou conhecido como sufragistas e se estendeu por parte do século XX.
Lembrem-se que a sociedade esperava que a mulher se dedicasse apenas aos assuntos domésticos como cuidar da casa e dos filhos enquanto os homens cuidavam dos assuntos públicos, como a política.

continua... 

Unidade 6 - A Europa do século XIX - Cap. 1 - A Europa em ebulição

Oi turma
essa é a primeira parte do conteúdo da av1.
Escrevei apenas o estará na prova. Tudo bem?

Após estudar o Primeiro Império no Brasil, voltamos para a Europa em 1815 na Congresso de Viena para conhecer os acontecimentos seguintes às ações napoleônicas. E por que falo isso?
    Porque o Congresso de Viena realizado naquele mesmo ano foi uma reunião dos reinos absolutistas para fazer a restauração política. Uma tentativa fazer sobreviver aquele mundo que existia antes da Revolução Francesa inicia em 1789. As ideias revolucionárias francesas começaram a circular por toda a Europa e de modo muito mais intenso após as invasões napoleônicas aos reinos vizinhos. Não se esqueçam que as ideias de Revolução Francesa são pensamentos que entram em confronto direto com o Absolutismo e o Antigo Regime, ou seja, do poder ilimitado dos reis e uma sociedade dividida em ordens e sem direitos individuais. 
Apesar do desejo das monarquias absolutistas de retornar ao absolutismo clássico houve a convivência com as novidades implantadas a partir da Rev. Francesa, como a adoção de Constituições que limitavam os poderes dos reis em alguns reinos, alguns direitos sociais e políticos aos cidadãos.

Durante o 2° bimestre estudamos a transição do século XVIII para o XIX. A partir de agora entraremos definitivamente no século XIX. Um momento que surgem várias novas ideias, dentre elas o liberalismo. E o que quer dizer liberalismo? É uma ideia que defende a autonomia (a separação) entre o indivíduo e o Estado. Podemos dividir o liberalismo em dois:

liberalismo político: aborda, por exemplo, as representações políticas e formações democráticas, como a formação de partidos, as eleições e a eleição para o Congresso. (conversamos sobre isso durante as aulas de Revolução Francesa)
liberalismo econômico: defende o direito da propriedade privada e prega a liberdade econômica = livre comercialização entre os países, livre produção de mercadorias, fim de barreiras protecionistas para a livre concorrência e ausência de qualquer intervenção ou regulamentação na produção de mercadorias pelo Estado.

O liberalismo é uma das ideias que surgem ao longo do XIX. Outra ideia muito importante que ganhará força no XIX será o nacionalismo.
Elaboramos em sala uma breve definição sobre nação e nacionalismo. Chegamos a conclusão que a nação comporta um grupo de pessoas que compartilham o mesmo território, com referências culturais e um passado em comum. O nacionalismo, por sua vez, é a afirmação do sentimento de pertencer a um determinado país e ao mesmo definir aqueles que não fazem parte da nação. (Vejam a página 147)

Estudamos isso na prática através da unificação da Itália e da Alemanha. Até o século XIX ambos os países eram formados por diversos reinos diferentes e em cada um deles um desses territórios teve grande importância para unificação dos países, como o Piemonte na Itália e a Prússia na Alemanha. Em meados de 1870 a unificação de ambos sobre um mesmo território com a mesma língua, leis e moeda estava concluída. E qual o objetivo da unificação de ambos? O desenvolvimento industrial e econômico. Até então a fragmentação política dificultava o desenvolvimento econômico das regiões em função da diversidade de leis e impostos até então existentes. 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Unidade 5 - capítulo 2 - A Independência e o Primeiro Reinado

Olá olá olá turma
Esse é pra fechar o conteúdo, hein.
Bora!

Queridos alunos,
a nossa história tomou um rumo diferente a partir da Revolução Liberal do Porto (em Portugal) no ano 1820. A ideia desse movimento para Portugal era criar uma monarquia constitucional e, com isso, reduzir os poderes do rei. Por outro lado, para o Brasil, o objetivo desse movimento era torná-lo novamente uma colônia e restabelecer o pacto colonial. Em outras palavras, desfazer a elevação de colônia para reino que vimos e fechar os portos novamente.
Ocorreram debates intensos entre portugueses e brasileiros nas Cortes, em Portugal, para decidir o futuro dos portugueses, assim como do Brasil. Essa disputa se estenderia até a convocação de retorno para Portugal do regente d. Pedro e, assim, possibilitar o projeto de recolonização do Brasil. Diante dessa exigência e motivados pelos ganhos obtidos a partir da abertura dos portos, a elite colonial brasileira se mobilizou para pedir a permanência de d. Pedro. Essa organização deu origem ao que ficou conhecido como o Dia do Fico e pouco tempo depois o regente adotou uma série de medidas que beneficiavam o Brasil como a expulsão das tropas portuguesas, a exigência de aprovação regencial de decretos vindos da corte (o Cumpra-se), assim como a convocação de uma Assembleia Constitucional Nacional.
Quando a notícia chegou em Portugal as Cortes reforçaram a exigência de retorno de d. Pedro e anulação de todas as medidas dele. As novas ordens portuguesas chegaram ao Brasil em setembro e foram recebidas por d. Pedro em 7 de setembro de 1822. Ao recebê-las, o regente declara a separação de Brasil e Portugal.
Lembrem-se que isso não foi um processo pacífico e foram registrados vários conflitos entre aqueles que apoiavam a separação com Portugal e os contrários ao rompimento de laços. Esses confrontos ficaram conhecidos na História do Brasil como "Guerras de Independência".
Após esses confrontos, com vitória para a separação política de Portugal, era necessário elaborar uma Constituição para a nova nação da América.  
A primeira Constituição foi redigida em 1823, mas não foi aceita por d. Pedro por limitar os seus poderes. Por isso, o texto foi desconsiderado, a Assembleia Constituinte foi fechada e uma nova redação do texto foi feita. Em 1824, foi outorgada (imposta) a primeira Constituição do país. Ela estabelecia eleições indiretas, criava o voto censitário e divida os poderes em três, mas com uma novidade. Criou-se o poder Moderador de uso exclusivo do imperador e que concedia o direito de intervenção em todos os demais poderes...(legislativo, executivo e judiciário, só pra lembrar! : P)
O fato da Constituição ter sido imposta criou a primeira desavença entre o Imperador d. Pedro I e parte das elites locais que desejavam ter maior liberdade de decisão e ter menor interferência das decisões e vontades do Rio de Janeiro. Esse descontentamento deu origem à Confederação do Equador que rejeitou a posição de d. Pedro I de anular a Constituição e os estados de Pernambuco, Pará, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí declararam-se separados do Brasil. Em pouco tempo, o movimento foi duramente reprimido pelas tropas brasileiras.
Pouco tempo depois o Brasil envolveu-se na Guerra da Cisplatina (1825) contra o Uruguai que lutava pela sua independência. Este conflito reverteu-se em altos gastos para o Império. No cenário daquele momento desenhava-se um crise econômica por causa dos gastos de guerra e um governo considerado autoritário e centralizar por certos setores da elite. Vemos, então, um gradual tensionamento político entre o Imperador e a população. 
Adicione-se a isso a questão de sucessão em Portugal. Com a morte de d. João VI abriu-se a disputa por quem ocuparia o trono português e se obedecesse às sucessões dinásticas, seria ocupado por d. Pedro, o Imperador do Brasil. Porém, a grande questão é que nossa independência era muito recente e a possibilidade de nova união com Portugal era grande. Logo, o envolvimento do imperador com a questão de sucessão, assim como seus fortes relacionamentos com portugueses, tornou-se mais um motivo de distanciamento entre ele e a elite. 
O auge do tensionamento político ocorreria em abril de 1831 quando houve o enfrentamento da população nas ruas do Rio de Janeiro entre aqueles que exigiam a abdicação do imperador e os favoráveis a continuação de seu reinado. 
Em 7 de abril de 1831 d. Pedro I anuncia sua abdicação em favor de seu filho, d. Pedro II. No entanto, o novo imperador era extremamente jovem e contava com apenas 5 anos. Por isso, teve início na História do Brasil o período da Regência.

Até breve!

domingo, 28 de junho de 2015

Unidade 5 - Capítulo 1 - A corte portuguesa no Brasil

Oi oi oi oi oi
Essa é a primeira parte do conteúdo para a nossa av2. Considero-a mais fácil em relação ao Primeiro Reinado, estudem bem essa parte para garantir algumas questões.
Vamos lá!

Vimos a várias semana atrás o que levou a família rela portuguesa trazer toda a sua corte para o Brasil. Esse fato histórico está inserido no contexto das guerras napoleônicas e a não adesão de Portugal ao Bloqueio Continental, imposição de Napoleão Bonaparte que desejava impedir o comércio entre o continente europeu e a Grã-Bretanha. Em razão disso, a França invadiu Portugal. Porém, já haviam negociações secretas entre ingleses e portugueses para transferir a corte para o Brasil. E foi o que ocorreu em novembro de 1807 quando a família real deixou Lisboa em direção à principal colônia portuguesa com a ajuda e proteção da marinha inglesa.
A corte chegaria em Salvador no início de 1808. Em poucos dias foi decretado, por d. João VI, a abertura dos portos para o comércio com as nações amigas. Na prática, estamos falando da Grã-Bretanha. O que essa medida traz como consequência é o fim do pacto colonial. Quer  dizer que a partir desse momento o suposto monopólio entre colônia e metrópole não existe mais. Já conversamos sobre isso algumas vezes. 
Além disso, ainda em 1808, d. João VI liberação a criação de manufaturas na colônia com o objetivo de aumentar a atividade produtiva e comercial. No entanto, esse desenvolvimento foi limitado pela abertura dos portos que possibilitou a forte entrada de produtos ingleses e, consequentemente, forte concorrência.
Em 1810, foram estabelecidos diversos tratados com a Grã-Bretanha e um deles firmava diferentes impostos alfandegários com os países que o Brasil comercializava. O acordo comercial concedia taxas menores para os produtos ingleses, em segundo lugar para os produtos portugueses e uma taxa maior para os demais países.
Contudo, não foram apenas transformações de teor econômico que ocorreram na colônia. D. João VI adotou várias medidas para adaptar o Rio de Janeiro aos hábitos da corte europeia e para modernizá-la, como a criação da Real Biblioteca (originou a Biblioteca Nacional), o Museu Nacional, a Imprensa Régia (permitiu a impressão e circulação de livros e jornais), o Jardim Botânico, criação do Banco do Brasil, a criação da Casa da Moeda (para a impressão de dinheiro), dentre outras.
Outra grande novidade ocorrida no Brasil aconteceria em 1815, quando d. João VI tornou a colônia em um reino em razão da participação de Portugal no Congresso de Viena. As monarquias conservadoras participantes da reunião não aceitavam a participação dos portugueses enquanto d. João VI estivesse na colônia e não no reino. A solução do rei foi tornar o Brasil um reino, igual a Portugal.

O que nós temos que perceber é que a vinda da família real para o Brasil trouxe muitas mudanças para a nossa história. Depois disso o Rio de Janeiro, e não mais Lisboa, tornou-se a sede da monarquia e o centro de poder e decisões do império português, o pacto colonial foi extinto com a abertura dos portos, deixamos de ser uma colônia após a elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal. Assim como várias medidas transformadoras foram tomadas pelo regente e depois rei d. João VI, como o Jardim Botânico, a Casa da Moeda, o Banco do Brasil, a Real Biblioteca, dentre outras.

Por hora fico por aqui.
Até

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Unidade 4 - Capítulo 2 - Independência na América espanhola

Turma,
esse post fecha a av1: Unidade 4 - capítulos 1 e 2.

Qual o contexto no qual estudamos a independência dos vice-reinos que formavam a América espanhola? Precisamos lembrar que essa história se passa no início do século XIX. Nesse momento temos as ideias iluministas de liberdade e igualdade mais discutidas do que nunca ao longo da Revolução Francesa, a revolução em si e a Independência das 13 Colônias (Estados Unidos) que serviam como um exemplo. Afinal, foi a primeira colônia do mundo a romper relações com a metrópole.
Não podemos esquecer também das invasões napoleônicas que altera todo o poder por toda a Europa, inclusive na Espanha, aonde o rei da dinastia Bourbon é deposto. Aliás, muitos colonos rejeitam o novo rei por não considerá-lo legítimo.

Sociedade colonial
 E como era a dividida essa sociedade? A elite colonial era composta pelos chapetones (nascidos na Espanha, mas que viviam na América) e os criollos, os nascidos na própria colônia. Haviam ainda os mestiços, os indígenas e um pequeno número de escravos. No entanto, foram os criollos que conduziram o processo de independência, iniciado em 1810, no México.

Pan-americanismo
Símon Bolivar, um dos principais líderes da independência das colônias que fizeram a sua independência, defendia a união desses novos países com o objetivo de fortalecer as diferentes regiões e fortalecê-la. Tal ideia não se sustentou por muito tempo em razão das rivalidades entre os países e porque cada elite criolla desses países desejava que seus próprios interesses fossem atendidos.

Doutrina Monroe
Por fim, a Doutrina Monroe, conhecida como "América para os americanos". O que isso quer dizer? Os Estados Unidos desejavam reduzir a influência dos países europeus na América e aumentar a sua própria influência e e os seus interesses na região. Afinal, o Brasil e os demais países tem uma ligação muito mais próxima com suas antigas metrópoles e a Inglaterra do que com os Estados Unidos.

Unidade 4 - Capítulo 1 - Levantes coloniais nas Américas

Oi gente!
Seguinte, essa é a primeira parte da matéria.
Nessa parte vimos o Haiti e as Conjurações.

Revolta de São Domingo (Haiti)

São Domingo era a principal colônia francesa, possuía extensas propriedades produtoras de açúcar e café com enorme uso do trabalho escravos. A revolta foi desencadeada no contexto do Iluminismo, da Revolução Francesa que discutem as ideias de liberdade e igualdade e da era Napoleônica. Em 1791, foram registrados os primeiros confrontos entre escravos e seus senhores e nesse momento havia o interesse em aplicar a "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão" em São Domingos restrita apenas à França, reivindicavam a abolição da escravidão, buscavam ter representantes na metrópole (França) e igualdade nos direitos políticos.
Em 1802 houve a intensificação nas lutas porque houve o restabelecimento da escravidão no período do governo de Napoleão Bonaparte, anteriormente abolida no período dos Jacobinos durante a Revolução Francesa. Isso daria início ao desejo de independência e para combater os revoltosos foram enviadas tropas francesas para a ilha. Porém, mesmo assim, em 1804, foi proclamada a República do Haiti.

E no Brasil? O que ocorria?

Tivemos as Conjurações. Elas estão dentro de um contexto de crise do sistema colonial no Brasil marcado pela crise econômica em Portugal e o declínio da mineração, fato que reduzia a arrecadação dos impostos. Não se esqueçam que nesse momento, transição do século XVIII para o XIX, as ideias de liberdade e igualdade passam a circular também nas Américas e tais concepções influenciaram também as conjurações.

Conjuração Mineira (1789)
Nesse contexto de queda de arrecadação de impostos e queda da mineração aumentou o déficit de tributos que deveriam ser coletados. Nesses casos, era decretada a derrama. Essa forma de tributação era cobrada à força para completar o que era devido pelas pessoas.
Diante dessa situação um grupo de pessoas da elite colonial composto por magistrados (juízes), religiosos, negociantes, dentre outros organizaram uma insurreição contra o governo português. 
E quais eram as suas aspirações? O que queriam com esse movimento?
- perdão das dívidas
- instalação de manufaturas
- fundação da universidade de Vila Rica
dentre outros

A ação foi marcada para o dia da decretação da derrama pelo governador. Porém, o levante foi denunciado por um dos próprios conspiradores em troca do perdão de suas dívidas pessoais. O governador suspendeu a derrama e ordenou a prisão de todos os envolvidos. Muitos foram presos ou condenados ao degredo para Angola e o único morto do movimento foi Joaquim da Silva Xavier (Tiradentes) que sofreu o que se chamava d castigo exemplar para servir como exemplos para outros que planejassem ações semelhantes.

No caso desse movimento temos substituído o termo "Inconfidência" por "Conjuração". Inconfidente era o termo utilizado na época, no século XVIII e XIX, para denominar esse levante para passar a imagem de "traidores do rei". Por outro lado, o termo "conjuração", como vimos em sala, são aqueles que conspiram contra uma autoridade. A diferença é que ao contrário de "inconfidência" o termo "conjurado" não tem um juízo de valor (um julgamento) que condena o movimento .

Conjuração Baiana ou Conjuração dos Alfaiates (1798)
Esse movimento possuí uma característica muito mais popular do que a Conjuração Mineira, seja a partir do perfil social dos seus participantes ou de suas reivindicações, como o fim da escravidão (não defendida pelos conjurados de Minas), a liberação comercial, redução dos preços de alimentos e a proclamação da república.
Assim, como na conjuração mineira havia forte presença das ideias de liberdade e igualdade. No entanto, esse levante teve o mesmo desfecho que a conjuração mineira. Seus adeptos foram presos, alguns escravos foram açoitados, outros participantes foram degredados e, por fim, alguns sofreram o castigo exemplar.

A repressão nesse movimento foi mais implacável pelo medo que as elites coloniais tinham de que movimentos semelhantes (uma revolta de escravos) ao do Haiti acontecessem no Brasil.

É isso!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Unidade 3 - Capítulo 2 - A Era de Napoleão

Oi turma,
Revolução Industrial e a Era de Napoleão são os nossos conteúdos para a av2.
A Unidade 3 é bem mais fácil do que as outras 2 anteriores. Acredito que a prova será melhor também :)

Vamos sair da Inglaterra e sua Revolução Industrial e voltamos para a França, país que vivia os momentos finais da Revolução Francesa. Sairemos do XVIII e estudaremos os primeiros anos do século XIX: Era de Napoleão (1799-1815)

Napoleão Bonaparte começou a despontar como um bom militar ainda nos primeiros anos de Revolução Francesa quando travou batalhas contra as monarquias absolutistas como a Prússia e a Áustria. O constante sucesso nas batalhas desde 1793, deu a ele, prestígio entre militares e políticos. Em 1798, Bonaparte parte para expedição no Egito com o objetivo de cortar a comunicação da Inglaterra com a Índia, sua colônia, através do Egito. A dificuldade nesse campanha faz que o Napoleão volte para Paris. Pouco tempo depois seria articulado o Golpe do 18 Brumário que o levaria ao poder.

O golpe deu fim ao Diretório e iniciou-se o Consulado que seria formado por 3 cônsules e o principal deles seria Napoleão Bonaparte. Porém, rapidamente o militar tornou-se o único cônsule.
A partir disso, Napoleão tomou uma série de medidas para desenvolver a França, como a criação do Banco da França (em 1800) que criaria a moeda francesa chamado de franco e garantiria a cobrança regular de impostos para equilibrar as contas do país. Ainda durante o Consulado, Bonaparte garantiria as conquistas sociais obtidas durante a Revolução Francesa como a igualdade perante à lei, abolição de privilégios para clero e nobreza, igualdade de impostos, direito à propriedade privada, dentre outros. Por fim, o governo de Napoleão fez grandes investimentos em obras de infra-estrutura, como portos, pontes e estradas para melhorar a circulação das mercadorias francesas, dar maior crescimento econômico e alavancar a industrialização. Entenda como entrar também na Revolução Industrial.

Nesse meio tempo, em 1804, os deputados da Assembleia Nacional votaram pela criação do Império, confirmado pouco tempo depois por uma consulta popular (plebiscito). Por isso, a França deixou de ser uma República e tornou-se Império e seu imperador seria Napoleão I.
Ao mesmo tempo que Napoleão Bonaparte busca desenvolver as indústrias francesas, a Inglaterra já estava nesse processo a mais tempo e conseguia comercializar com suas colônias e os países vizinhos europeus. A rivalidade que surgirá entre França e Inglaterra é, principalmente, motiva por disputa por mercados consumidores. 
Ainda nesse contexto Napoleão Bonaparte levaria o exército francês para praticamente toda a Europa Ocidental, derrubaria as monarquias absolutistas, estabeleceria regimes políticos constitucionais e aboliria privilégios nobres e cleros. Isso quer dizer que o militar francês espalhou pelo uso da força militar os ideias da Revolução Francesa de liberdade e alguma igualdade. Apesar disso, não podemos acreditar que os povos dos países invadidos vissem isso com bons olhos porque os exércitos entravam para ficar e é nesse momento que começa a se desenvolver com mais força o sentimento de nacionalismo nas regiões invadidas. 
A expansão dos domínios franceses foi barrada apenas na Inglaterra, na Batalha de Trafalgar, em 1805.
(Revejam o mapa da página 71 - Império Napoleônico em 1812)

Nesse momento ficou claro para Napoleão que derrotar a Inglaterra não seria simples. Por isso, foi elaborado o Bloqueio Continental (1806) para tentar sufocar a economia inglesa. O bloqueio determinava a proibição do comércio entre o continente europeu e a Inglaterra. Essa medida traria vários consequências para vários países. Portugal, por exemplo, precisou escolher entre cortar relações com a Inglaterra e deixar o Brasil sem qualquer proteção contra os ingleses e poderia perder sua principal colônia ou manter as relações comerciais com a Inglaterra e ter o seu território invadido pelo exército francês. O príncipe regente português adiou o quanto pode a decisão, mas acabou optando pela Inglaterra e transferiu a corte para o Brasil e Portugal caiu sob domínio francês. 
A Espanha também foi invadida, o rei foi depostos e em seu lugar Napoleão colocou seu irmão Francisco. Porém, na América, houve desdobramentos (consequências) políticas já que a grande maioria das colônias eram espanholas e não reconheciam o novo rei. Uma boa justificativa para buscar a independência.
A Rússia seguiria o mesmo caminho e romperia com o Bloqueio Continental e também precisou enfrentar o exército francês. Contudo, a campanha militar contra os russos em 1812 foi muito mais complexa em razão da enormidade do território russo e da entrada do extremamente rigorosos inverno russo. A derrota francesa foi desastrosa e debilitou as forças militares do país, encorando as monarquias absolutistas como o Império austríaco, a Prússia, a Rússia e a Inglaterra formarem uma coligação contra a França, fato geraria mais uma derrota, a retirada de Napoleão Bonaparte do poder e sua prisão. Em seu lugar, foi posto Luís XVIII, irmão de Luís XVI, o rei guilhotinado.
Bonaparte escreveria mais um breve capítulo dessa história com o Governo dos Cem Dias (1815) ao fugir da ilha de Elba (sul da França) e voltar para Paris com exército ao seu lado. No entanto, a Batalha de Waterloo colocaria fim definitivo ao seu governo. 

Congresso de Viena (1815)
Reúne as monarquias absolutistas (Império austríaco, a Prússia, a Rússia) mais a Inglaterra e estabelece:
- retorno das dinastias depostas pelo avanço dos exércitos franceses
- retorno do absolutismo
- restabelecimento das fronteiras europeias ao traçado original anterior às invasões
- criação da Santa Aliança para combater movimentos parecidos com o da Revolução Francesa.

Unidade 3 - Transformações em marcha - Capítulo 1 - Revolução Industrial

Turma,
essa é a primeira parte do conteúdo. Esse capítulo não é complicado.
O livro também é uma boa opção.

Naquela aula sobre a Revolução Industrial montamos um quadro comparativo entre a produção de mercadorias no artesanato e nas manufaturas. Revejam o caderno porque refazer aquilo aqui não ficará bom.

De modo geral, o que vimos no artesanato é que o artesão tem o controle de todas as etapas das produção, é dono das ferramentas e do próprio produto, o trabalho é extremamente manual, desenvolvido em ambiente doméstico e há o controle do ritmo de trabalho. A produção é baixa, o preço é estabelecido pelo artesão e a venda das mercadorias é feita diretamente por ele.

Na manufatura há algumas mudanças. 
A mão de obra dos artesãos é contratada, eles recebem a matéria-prima para o trabalho, o tempo de trabalho não é mais controlado por ele e a produtividade é determinada por outros. A produção é feita em etapas, por diferentes pessoas e o produto final, assim como o preço, são estabelecidos pelo proprietário.

O que vimos nesse capítulo é o processo de industrialização das atividades de produção de um produto. A indústria é responsável por transformar a matéria-prima em mercadoria e a industrialização é justamente o desenvolvimento econômico baseada na produção industrial. Acrescentaria também que é a aplicação de máquinas no processo produtivo. (Ver box "Explore" - página 58)

Nesse momento, quando pensamos em Revolução Industrial devemos pensar na Grã-Bretanha. (Escreverei Inglaterra a partir daqui) e no século XVIII. Agora já lembramos de onde e de quando estamos falando.

Porque a Inglaterra foi o primeiro país a dar a largada na Revolução Industrial? Existiram algumas condições para isso.

1) "Rainha dos Mares": Por ser uma ilha, a Grã-Bretanha precisava obrigatoriamente desenvolver a sua navegação para realizar trocas comerciais seja na Europa, seja nas colônias que possuía. 

2) Ambiente político favorável: Enquanto a França viveu um conturbado processo revolucionário no final do século XVIII, a Inglaterra já havia resolvido suas questões políticas no século XVII, com a Revolução Gloriosa, ao limitar extremamente a poder do rei inglês.

3) Questão cultural: A religião puritana (calvinista) incentiva o trabalho e o lucro.

4) Grupos sociais empreendedores: Burguesia e nobreza. 

Além dessas condições havia a disponibilidade de mão de obra e de matéria-prima.
cercamento dos campos: (Isso não é novidade porque já vimos isso algumas vezes.) 
A Inglaterra tinha uma longa tradição no comércio de lã e criação de ovelhas. Os cercamentos dos campos transformam a produção na zona rural porque aqueles campos que eram de uso comum entre os camponeses tornam-se propriedade privada de alguém. Portanto, não haveria terra para todos e os nobres também não usariam todos os camponeses nos seus campos. Por isso, muitos saíram dos campos para as cidades, aumentando a disponibilidade de mão de obra para as manufaturas e outros foram para as 13 Colônias.
Além disso, havia a disponibilidade de ferro e carvão na própria Inglaterra. O ferro usado para as máquinas e o carvão para movê-las.

Esse processo de industrialização promovido pela Revolução Industrial trouxe consequências como a evidente transformação da produção, o consequente aumento de produção e redução de custos porque com a introdução de algumas máquinas era possível produzir mais e com menos trabalhadores.
Houve também o desenvolvimento mais evidente do capitalismo, denominado nesse momento de capitalismo industrial, baseado na acumulação de capital e na livre concorrência entre os produtores. 
Novos protagonistas entram em cena, como o operário (ou proletário) que vende a sua força de trabalho em troca de um salário, ele não detém nenhum meio de produção (como as ferramentas, máquinas e matéria-prima) ao contrário do que havia nos modo de produção artesanal e um pouco nas manufaturas. Por fim, não é ele quem determina o ritmo de trabalho, nem as horas trabalhadas. Como os direitos trabalhistas eram inexistentes nesse momento as jornadas de trabalho poderiam atingir 10, 12, 14 ou até mesmo 16 horas. A decisão da quantidade de horas trabalhadas ficava a critério dos proprietários, conhecidos como os burgueses. As poucas fábricas existentes eram locais pouco espaçosos e os acidentes de trabalhos constantes. O uso do trabalho infantil e feminino era comum para reduzir os salários e aumentar os lucros.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Unidade 2: O fim do Antigo Regime - Capítulo 1 - Revolução Francesa

Olá pessoal
Finalmente chegamos ao último post para a AV1.
Lembrem-se: o conteúdo é toda a 
Unidade 1 cap. 1 O Iluminismo e cap.2 - formação dos Estados Unidos. 
Unidade 2 cap. 1 - Revolução Francesa

Vamos lá!

Logo de cara temos que lembrar algo que vimos no capítulo sobre o Iluminismo. Lembra que quando estávamos estudando esse assunto foi falado que a sociedade era divida em Estados? Havia o Primeiro Estado que correspondia ao clero, o Segundo Estado que abrangia a nobreza e, por fim, o Terceiro Estado, muito mais numeroso e correspondia aos burgueses, camponeses, profissionais liberais, assim como trabalhadores urbanos de diversas atividade. 

E qual o contexto da França nesse final do século XVIII?
O reino vivia em dificuldades. Um deles eram os problemas financeiros provocado pelos altos custos de guerras que a França se envolveu, como a Guerra dos Sete Anos contra a Inglaterra e o apoio à luta dos colonos das 13 colônias que guerreavam pela sua independência. Guerra é custo e nem sempre os países tem condições de bancar todo o dinheiro necessário para manter um conflito armado. Logo, isso promove muitos gastos e óbvio, aumento de impostos. Mas não para por aí.

Antes do conhecidíssimo 14 de julho de 1789 a França viveu anos de colheitas ruins em 1788 e 1787. E daí? E daí que a quantidade de alimentos foi reduzida por causa dessas plantações que renderam menos do que o esperado e, com isso, houve o aumento de preços dos produtos alimentícios. 

Por fim, ainda existia na França resquícios do feudalismo e suas cargas de impostos contraditórias que pesavam principalmente no Terceiro Estado, enquanto o Primeiro e o Segundo Estado usufruíam de várias isenções. 

E como resolver essas questões?

A Assembleia dos Estados Gerais
O rei francês Luís XVI se decidiu por convocar os Estados Gerais, algo que não acontecia desde 1614. E o que é isso? Era uma reunião dos três Estados para debater e estabelecer meios de passar por aquela crise.
Porém, as discordâncias começaram logo no início do encontro no que dizia respeito ao modo de votação dos assuntos que seriam decididos pelos representantes dos Estados. O Primeiro e o Segundo Estado desejavam uma votação por Estado, enquanto o Terceiro Estado defendia a votação individual ("por cabeça"). Afinal, era provável que o Primeiro e o Segundo Estado votassem juntos contra o Terceiro Estado e, assim, formariam sempre 2 x 1. Por outro lado, a votação por representantes dava mais chances para os interesses do 3° Estado, por ser muito maior e por ter representantes do 1° e 2° que votariam juntos com o 3° Estado.
Como a discussão não avançava e diante da posição sempre dúbia do rei Luís XVI o 3° Estado resolveu se separar dos Estados Gerais e fez o que ficou conhecido como Juramento da Sala do Jogo da Péla, nesta sala, os representantes do Terceiro Estado juraram dar uma Constituição para França. Bem, até o momento não se falava muito em acabar com a monarquia, mas sim, em limitar seus poderes. Lembrem que estamos na França, berço do Iluminismo, a efervescência de ideias e o desejo de mudanças estava no ar.
Temos então a

Assembleia Nacional Constituinte
Não era somente o desejo de mudanças. A tensão política era enorme. Ao mesmo tempo que é formada a Assembleia para dar uma Constituição para França o rei organizava forças do Exército para cercar Paris e enquanto isso, a população parisiense se mobilizou para dar apoio ao Terceiro Estado. É nesse momento que chegamos no 14 de julho de 1789. Essa data que marca o início da Revolução Francesa e, além disso, foi escolhida pelos historiadores como o fato histórico que finaliza a História Moderna e inicia-se a História Contemporânea. E por que essa data é tão importante? Porque nesse dia a população de Paris invadiu e destruiu a Bastilha. Um castelo imenso e símbolo do poder absolutista do rei por ser uma prisão (naquele contexto os monarcas podiam decretar a prisão das pessoas. Primeiro elas eram culpadas e depois se provava a inocência delas...ou não). A partir daqui as transformações não param de acontecer.

Reformas sociais e políticas
Dias depois e ainda na Assembleia Nacional Constituinte foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Na prática, a partir da declaração estavam mortas as distinções em estados e garantia aos cidadãos a igualdade perante a lei (algo que não existia até então), a liberdade e a posse de propriedades. 
Em 1790 foi a aprovada a Constituição Civil do Clero que confiscava os bens da Igreja - principalmente terras - e transformou o clero em dependentes do Estado (Governo) da França ao torná-los funcionários públicos.
Ao mesmo tempo, as discussões sobre a Constituição ainda aconteciam. Até que em 1791...

Monarquia Constitucional
...quando a Assembleia estava terminando seus trabalhos na Constituição houve a tentativa de fuga do rei Luís XVI. Esse ato quebrou qualquer tipo de confiança que poderia existir entre o rei e os grupos sociais que desejavam mudanças na França, mas por outro lado, garantiu a aprovação da Constituição da França alguns meses depois. A partir de agora o rei teria que governar de acordo com esse documento. E o que isso quer dizer? Algo difícil entender mesmo. Agora o poder não era apenas do rei, mas também da população através de representantes eleitos. 
A Constituição traz algumas novidades como a divisão dos três poderes, garantia o fim da isenção de impostos para determinados grupos sociais e estabelecia o voto censitário.

Apesar desse avanço político, a França ainda encontrava-se em meio a crise econômica e ameaçada por uma guerra porque a Prússia e o Império Áustro-Húngaro, ambos de monarquia absolutista, viam os acontecimentos franceses como uma ameaça, um exemplo que não deveria ser seguido, mas sim controlado e exterminado. Vários nobres e cleros se mudam para essas regiões para organizar uma guerra contra os revolucionários. Em razão disso, em 1792, é declarada a guerra contra essas duas monarquias, ao mesmo tempo que a Assembleia Nacional Constituinte torna-se a Assembleia Nacional - uma espécia de Câmara dos Deputados. Temos então o início da 

Convenção Nacional
Os deputados eleitos para formar a Assembleia Nacional declaram extinta a monarquia e teve início a República. Teremos a formação de grupos políticos que defendem algumas ideias em comum (não são partidos ainda, ok? Partidos como conhecemos só no séc. XX). Desses grupos podemos destacar os jacobinos e os girondinos. Os jacobinos são conhecidos como os de esquerda e os girondinos seriam de direita.
(Na página 42 há uma descrição sobre os 2 grupos. Vejam)
Vocês já devem ter percebido que a Revolução Francesa é formada por vários acontecimentos e nomes diferentes.

Em pouco tempo, o período da Convenção foi controlado pelos jacobinos e vimos, então, um dos momentos mais controversos do período revolucionário. Por um lado, há a escrita de uma nova Constituição em 1793 que substituía o voto censitário masculino pelo voto universal masculino, estabelecia o fim da escravidão nas colônias francesas, a criação das escolas primárias e obrigatórias e limitação de preços. Por outro lado, é o período do julgamento de Luís XVI e também do Terror.
O julgamento de Luís XVI deixou bem clara a diferença política entre girondinos e jacobinos. O monarca entrou para História como um traidor, os jacobinos o acusavam de conspirar contra a nova ordem francesa e de se aliar às monarquias absolutistas. Para azar do rei foram descobertas correspondência que, de fato, comprovavam as acusações dos jacobinos que sempre pressionaram que o monarca deveria perder a cabeça, quer dizer, guilhotinado. O que de fato aconteceu. 
(Imagina como as monarquias absolutistas receberam essa notícia? Estamos falando da morte do Absolutismo na França. Ao pé da letra!)
E o Terror? Foi um meio que os jacobinos encontraram para controlar e garantir os avanços que foram conquistados porque a disputa sobre entre os grupos políticos para decidir os rumos da revolução eram constantes e suas conquistas não estavam garantidas. A possibilidade de um retrocesso era forte! 
Formou-se então, em 1793, o Comitê de Salvação Pública. Passou a existir combates intensos aos contra-revolucionários e muitos deles foram declarados inimigos, perseguidos, presos, julgados e guilhotinados. Nesses anos a guilhotina trabalhou bastante! A grande questão foi que as vozes jacobinas que discordavam dessa perseguição desenfreada tiveram o mesmo destino que os contra-revolucionários...GUILHOTINA. Foi por causa disso que o governo jacobino perdeu apoio político e apoio popular, facilitando o Golpe do 9 Termidor que derrubou os jacobinos do poder.
Nesse momento passamos da Convenção para o

Diretório
O golpe contra os jacobinos foi realizado pela burguesia girondina e representou alguns retrocessos pela nova Constituição de 1795 que restabelecia a escravidão, assim como recuperou o voto censitário masculino e deu fim aos comitês revolucionários que serviam para ouvir a população sobre os problemas vividos e ajudar a traçar estratégias para resolver problemas sociais, políticos e econômicos. Por outro lado, aboliu as execuções sumários. 
(Nada na História é inteiramente bom ou ruim, como vocês já devem ter percebido.)

De 1795 até 1799 tivemos vários momentos também muito instáveis, assim como os anos jacobinos. O problema da economia ainda era evidente e isso afetava a vida das pessoas diretamente. São anos de intensas disputas entre os girondinos, monarquistas e sans-cullotes.

Eis que nesse momento começa a surgir um importante nome para a História mundial: Napoleão Bonaparte. Napoleão era um militar francês que mostrou-se um gênio em estratégias e conseguiu diversas vitórias contra as monarquias absolutistas. O seu prestígio no meio militar tornou-se também um prestígio político, sinônimo de apoio, e em razão disso, setores do governo girondino e Napoleão deram o que ficou conhecido como o Golpe do 18 Brumário.



Espero que vocês tenham percebido que a Revolução Francesa (1789-1799) foi um dos principais acontecimentos da História porque ela lançou as bases para a sociedade que vivemos hoje, com a divisão de poderes, eleições regulares, a tentativa de estabelecer a igualdade entre as pessoas e uma vida baseada em direitos iguais para todos e não, uma sociedade de privilégios, como era no Antigo Regime.