esse post finaliza o conteúdo para a av2.
Unidade 7: capítulo 1 - Revoltas Regenciais
capítulo 2 - Segundo Reinado
Golpe da Maioridade
Em 1840, tem início o Segundo Reinado (1840-1889) no Brasil sob o comando de d. Pedro II. Contudo, o novo governante do país ainda não havia completado os 18 anos previstos pela Constituição de 1824. Por isso, foi preciso derrubar a regência para colocar em seu lugar o jovem imperador. O golpe foi elaborado pelo Partido Liberal (ou Progressista) contra o Partido Conservador (ou Regressista) em razão da aprovação de uma série de medidas centralizadoras aprovadas pelos conservadores ainda em 1837.
A partir dessa questão é possível perceber o perfil de cada partido nesse momento. Os liberais eram mais favoráveis a manutenção das reformas adotadas em 1834 pelo Ato Adicional que concediam maior autonomia política. Enquanto os conservadores preferiam a centralização política e um poder central forte, até mesmo para conter as revoltas regenciais. Apesar dessas diferenças ambos eram compostos pela elite proprietária de grandes lotes de terras e de escravos, para ambos o poder era um meio de atender a interesses particulares, obter prestígio pessoal e fortalecer a autoridade regional. Além disso, ao longo de todo o Segundo Reinado estabeleceu-se uma política de troca de favores e negociação entre si.
As eleições durante esse período histórico para compor a Câmara e as Assembleias eram marcadas por violências e fraudes, como roubo de urnas e falsificação de votos. Por exemplo, a primeira eleição realizada no Segundo Reinado ficou conhecida como as "eleições do cacete" em razão da violência contra os eleitores e pelas fraudes colocadas em prática.
Em 1847 foi criado o cargo de presidente do Conselho de Ministro, na verdade, correspondia ao cargo de primeiro-ministro. Logo, tivemos por um tempo a introdução do regime parlamentarista. Essa forma de governo, no entanto, acontecia de modo diferente do esperado porque, ao contrário do que acontecia na Inglaterra, o primeiro-ministro era escolhido pelo próprio Imperador e não pelo partido que formasse maioria na Câmara, cabia a ela apenas confirmar o nome do primeiro-ministro escolhido por d. Pedro II.
Além disso, ainda no início do Segundo Reinado começou o processo de restrição ao trabalho escravo. Desde o início do século XIX, a Inglaterra passou a pressionar Brasil e Portugal para darem fim ao tráfico de escravos entre os portos africanos (Luanda, por exemplo) e os portos brasileiros. Em 1831, o Brasil criou a primeira lei que proibia o tráfico de escravos, mas essa determinação teve pouco efeito prático porque o comércio de pessoas tomava cada vez mais um novo impulso motivado pelo crescimento da produção de café no Brasil.
Em 1845, o parlamento britânico aprovou o Bill Aberdeen, uma lei que autorizava a Marinha britânica a aprisionar qualquer navio negreiro e julgar os traficantes pelas leis inglesas. A partir disso, a compra de escravos pelos brasileiros passou a ser um negócio cada vez mais caro e arriscado, pois poderia haver o risco de perder dinheiro porque muitos navios deixaram de chegar trazendo novos contingentes de escravizados. Por fim, em 1850, foi aprovada a lei Eusébio de Queirós que determinava a total extinção do tráfico de escravos para o império e, em poucos anos, o comércio da escravidão abolido definitivamente no oceano Atlântico...mas não no Brasil.