sábado, 22 de novembro de 2014

Cap. 17 - Estados Unidos no século XIX

Olá,
com esse post completamos a matéria da av2.

Sobre os Estados Unidos no século XIX temos 2 assuntos para tratar: a "Marcha para o Oeste" e a "Guerra Civil".

A "Marcha para o Oeste" trata da expansão territorial dos Estados Unidos para a região Oeste da América do Norte. Os novos territórios foram obtidos por compra, guerras ou acordos diplomáticos. A Flórida, por exemplo, foi comprada da Espanha, o Alasca passou para os EUA através de um acordo com a Rússia e o Texas foi obtido por conflitos com o México.

E por que ir para o Oeste?
O governo dos Estados Unidos incentivou o deslocamento das pessoas porque era um meio de resolver o desemprego e concentração da população no leste porque havia a possibilidade de obter terras e achar ouro. Muitas vezes esse avanço e ocupação do interior do território foi feito sobre os índios e, assim como no Brasil, vários indígenas foram exterminados para garantir o domínio da região.

Essa expansão nos leva ao outro assunto: a guerra civil.

A partir da expansão territorial surgiu o debate se a escravidão seria aceita ou não nos novos territórios e ao mesmo tempo o país passava por eleições presidenciais nos Estados Unidos. A região Norte do que foi as 13 colônias tornou-se uma região mais rica, industrializada, ligada por ferrovias e com intensas trocas comerciais e por isso, eram contrários a expansão da escravidão. O sul por outro lado era uma região mais agrária com uma forte produção de algodão e forte uso do trabalho escravo. 
Devemos lembrar também que o movimento abolicionista nos Estados Unidos estavam em ampla campanha para o fim da escravidão. Para intensificar tensionar mais a situação Abraham Lincoln vence as eleições para presidente. Linconln era um político contrário ao avanço da escravidão para os novos estados que passaram para domínio dos Estados Unidos.

Os estados do Sul reagiram diante dessa situação na qual o próprio presidente do país era contra a expansão da escravidão e se separam do governo federal e formaram a Confederação de Estados da América. Assim, teve início a Guerra Civil ou a Guerra de Secessão. 

A Guerra Civil (1861-1865) foi um conflito travado entre os estados do Norte (União) e Sul (Confederados) dos Estados Unidos para decidir sobre o futuro da escravidão no país e foi marcado por diversos conflitos. Com o tempo os exércitos do Norte mostraram mais força do que o dos Confederados e à medida que as forças da União avançavam pelo sul, aboliam a escravidão nesses territórios. O Norte tinha mais condições de manter essa luta do que o Sul por ser uma região mais rica e industrializada, por isso, o norte tinham mais recursos para se manter nesse conflito e o sul, aos poucos foi derrotado.
Com o fim do conflito a Constituição dos Estados Unidos de 1776 passou duas transformações. A primeira foi a 13a Emenda que estabelecia o fim da escravidão em todo território dos Estados Unidos e a 14a Emenda que estabelecia a a ampliação dos direitos civis para os negros, como o direito ao voto. 
Apesar da vitória do Norte e o fim da escravidão não podemos pensar que o racismo e discriminação foi extinta automaticamente. Aliás, até hoje os EUA vivem problemas raciais e sociais. É desse contexto o surgimento da Ku Klux Klan, uma organização racista criada para perseguir e matar negros.

Capítulo 16: Período Regencial (1831-1840)

Olá pessoal,
como já diz o título esse post é sobre o Período Regencial.

Vimos que o I Reinado chega ao fim a partir da abdicação do trono de d.Pedro I e sua consequente partida para a Portugal. Seu filho, porém, contava com apenas 5 anos de idade e obviamente não poderia governar o país. Quem faria isso então? A Constituição de 1824 estabelecia que uma regência governaria o Brasil em nome do imperador enquanto o príncipe fosse menor de idade. Veremos que nesses anos a discussão entre centralização e descentralização da administração do país ganhará ainda mais força. (Lembrem-se que a interferência de d.Pedro I em assuntos provinciais causou descontentamento nas províncias)

E quais as correntes políticas podemos identificar nesse momento? Haviam três.
liberais moderados: eram proprietários de terras e escravos, defendiam a manutenção do voto censitário e eram contrários ao retorno de d. Pedro I.
liberais radicais: defendiam a descentralização através da criação da república e do federalismo e a abolição gradual da escravidão.
restauradores: se havia aqueles contrários ao retorno de d. Pedro, havia quem fosse a favor. Esses são os restauradores. Porém, essa corrente não existiu muito tempo porque o primeiro imperador morreu em 1834.

Período Liberal
O período liberal é marcado por algumas mudanças em certos assuntos. Por exemplo, nesse período foi formada a Guarda Nacional. Tratava-se de uma força auxiliar ao Exército, mal organizado e mal pago e baseava-se em armar cidadãos considerados confiáveis para lutar em revoltas e com isso, defender os proprietários de terras e escravos.
É desse período também uma mudança significativa: Ato Adicional de 1834.
Tratou-se de uma adição à Constituição de 1824 e estabelecia que as as Assembleias Provinciais ganhariam maior autonomia e poderiam decidir sobre a aprovação ou não leis, cobrança de impostos e contratação e demissão de funcionários. O ato estabelecia também que a regência passaria a ser Una e não Trina e o poder Moderador e o Conselho de Estado não seria utilizados pelo regente.

Ato Adicional em tópicos:
- estabelecia maior autonomia para as províncias
- mudança da regência trina para a una
- o poder Moderador e o Conselho de Estado não seriam utilizados.


Revoltas Regenciais
A maior liberdade para as províncias gerou consequências nessas regiões porque as elites locais passaram a disputar o poder e algumas delas ameaçaram seriamente o mapa do Brasil como conhecemos hoje. Devemos destacar também que algumas dessas revoltas refletiam as dificuldades da vida cotidiana e da realidade local. 

1) Cabanagem (Pará - 1833-1837)
Houve a explosão dessa revolta a partir de divergências entre os dirigentes locais sobre a nomeação do presidente de província e contou com a participação de índios, escravos e mestiços. Os revoltosos chegaram a declarar a separação do Brasil, o que não demorou muito para ser desfeito, pela forte repressão das tropas imperiais.

2) Revolta dos Malês (Bahia - 1835)
Essa revolta foi um fato interessante na nossa história. Trata-se de um levante de escravos muçulmanos. Lembrem-se do Haiti e do pavor - chamado de haitianismo - entre a elite colonial brasileira com relação a um movimento parecido no país. O haitianismo ainda estava muito vivo na memória da nossa sociedade. Os escravos queriam criar um estado islâmico na Bahia e o movimento não foi adiante porque foi delatado e contou com forte repressão imperial.

3) Sabinada (Bahia - 1837)
Liderada por Francisco Sabino Barroso, daí o nome Sabinada. Queria estabelecer uma republica federalista e se separar do Brasil e defendia a libertação dos escravos que participassem do levante. Assim como as demais, o movimento foi desfeito em alguns meses pelas tropas imperiais. 

4) Balaiada (Maranhão - 1838)
Foi uma revolta contra a pobreza local, mas também foi marcada por disputas entre as elites locais. Os seus participantes enalteciam a Constituição e d. Pedro II e foi marcante a presença de escravos.

5) Revolta da Farroupilha (1835-1845)
Essa revolta foi a mais longa e a mais difícil de ser resolvida, tanto é que se estendeu por 10 anos. A revolta, liderada por Bento Gonçalves, teve início principalmente pela questão do charque. O charque é a carne seca e o Rio Grande do Sul vendia esse produto para todo o Sul e o centro-sul do país e o Rio de Janeiro era seu principal comprador. Os gaúchos estavam descontentes porque os impostos cobrados sobre o charque argentino era menor do que os cobrados ao charque brasileiro e como as negociações entre o governo regencial e os gaúchos não avançaram, eclodiu a revolta e por quase 10 anos o Rio Grande do Sul e Santa Catarina não fizeram parte do Brasil. Os conflitos entre os gaúchos e as tropas imperiais chegaram ao fim através de muitas negociações e também por meio da anistia (perdão) aos rebeldes, a integração de oficiais ao Exército brasileiro e ficou acertado ainda que os escravos participantes da revolta seriam libertos, o que nunca aconteceu!

domingo, 2 de novembro de 2014

Independência e Primeiro Reinado

Este NÃO NÃO NÃO é para copiar!
Este post é a explicação do que vocês colocaram no caderno. Naquele temos praticamente os tópicos.

     Para falar de Independência do Brasil precisamos passar pela Revolução Liberal do Porto de 1820. Naquela altura poucos pensavam em se separar de Portugal e ninguém imaginava que em 1822, apenas 2 anos depois o Brasil romperia seus laços com Portugal. Para explicar essa Revolução precisamos entender a motivação dos portugueses nesse movimento. Bem, a antiga metrópole encontrava-se em uma dupla crise: política e econômica. Política porque o país era governado por ingleses e econômica porque viu seus rendimentos caírem depois da abertura dos portos brasileiros para as nações amigas. 
     Há uma frase muito famosa sobre essa Revolução: "Movimento liberal para Portugal e conservador para o Brasil". E por que? Liberal para Portugal porque exigia o retorno de d. João (o que acontece em 1821) e previa a limitação dos poderes do rei D. João VI ao criarem uma Constituição para o país e conservadora para o Brasil porque pretendia recolonizar a região. Mas o Brasil já não era uma colônia? Não, uma das medidas de D. João VI transformou o Brasil em reino, igual a Portugal, em 1815. Além disso, em 1810, o mesmo príncipe regente formalizou a abertura dos portos através dos Tratados com a Inglaterra.
    No contexto da Revolução são formadas as Cortes em Portugal, justamente para discutir a constituição portuguesa e os rumos para o Brasil. Havia inclusive representantes brasileiros enviados para Portugal. As Cortes tentaram de vários meios fazer a recolonização criando medidas como a subordinação das regiões brasileiras à Lisboa e não ao Rio de Janeiro, a anulação dos Tratados de 1810 com a Inglaterra e o retorno de órgãos de administração que estavam no RJ para Lisboa.
   Começaram, então, a surgir correntes que eram favoráveis ou não à recolonização como o "partido" português, favorável a recolonização e o "partido" brasileiro que preferia manter as situação como estava. Por fim, os liberais radicais que defendiam a separação com Portugal, a formação de uma República e o fim da escravidão. Com a pressão das Cortes em Portugal, d. João VI deixa o Brasil em 1821 e deixa o seu filho, Pedro, governando em seu lugar.
     As Cortes passaram a pressionar pelo retorno do príncipe regente para agilizar a recolonização. No início de 1822, houve o "dia do Fico", ou seja, Pedro ignora a primeira ordem de retorno para Portugal e afirma publicamente que permaneceria no Brasil e declara que as tropas portuguesas contrárias as sua permanência foram consideradas inimigas. Meses depois teve início a discussão sobre a convocação de de uma Assembleia Constituinte. Em setembro as Cortes reagem e anulam os poderes do regente Pedro e exigem o seu retorno imediato. Ao saber disso, o príncipe que se encontrava em São Paulo para obter apoio a separação de Portugal declara o Brasil independente.
     Porém, nem todas as regiões do novo país eram favoráveis a separação de Portugal. Por isso, foram registrados conflitos no Norte e Nordeste que preferiam a ligação com os portugueses e não com o Rio de Janeiro, mas as forças do Brasil conseguiram manter as regiões rebeldes. Assim, tiveram início as discussões sobre a primeira Constituição do Brasil.
     A primeira Constituição escrita pela Assembleia Constituinte foi desconsiderada por d. Pedro I e a assembleia foi desfeita. O país conheceria a nova Constituição somente em 1824 e ela estabelecia a divisão dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) mais o Poder Moderador de uso exclusivo do imperador e podia interferir em diversos assuntos, como dissolver a Câmara dos Deputados e convocar novas eleições. Ficou estabelecido que governo era uma monarquia hereditária constitucional. O voto para eleições para a Câmara e Senado eram indiretos e censitários. Não havia eleições para os presidentes de província, pois eles eram nomeados pelo Imperador. Além disso, havia o Conselho de Estado, composto por nomeações vitalícias pelo próprio d. Pedro.
Nesse mesmo ano explode a Confederação do Equador. A revolta é iniciada pela substituição do presidente de província de Pernambuco pelo imperador. O levante era uma reação à centralização política do imperador, por interferir nos assuntos da província trocando o presidente da província. Logo, reivindicavam a autonomia da província, a criação de uma república e da adoção do federalismo. O movimento foi fortemente reprimido pelas tropas imperiais.

    O Primeiro Reinado (1824-1931) é marcado por uma série de problemas para o Brasil. No contexto internacional, os nossos principais produtos de exportação (algodão, açúcar e o café) encontravam-se em baixa, fato que diminuía a arrecadação de dinheiro do país. O governo imperial era acusado de centralista, exemplo disso foi a Confederação do Equador. Além disso, o Brasil se envolveu em um conflito com o Uruguai e isto desagradou mais ainda a sociedade em geral porque aumentou os gastos militares, o recrutamento para tropas era forçado e vários postos de comando eram ocupados por portugueses ao invés de brasileiros.
     Junte-se a isso tudo, em 1826, morre d. João VI, pai de d. Pedro I e rei de Portugal. Os adeptos da independência viam toda a possibilidade de um restabelecimento de laços com Portugal. A partir daí o sentimento antilusitano torna-se cada vez mais forte e evidente e essa aversão aos portugueses chegaria ao seu ponto máximo na "Noite das Garrafadas". Fato histórico que marca o fim do I Reinado e trata-se de conflitos nas ruas do Rio de Janeiro entre portugueses que apoiavam o imperador e os brasileiros. Desgastado e diante dessa tensa situação, d. Pedro I abdica do trono em nome de seu filho, futuro d. Pedro II e dias de depois retira-se para Portugal para tornar-se rei lá.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Independência do Brasil e Primeiro Reinado (Caderno)

Turma,
copiem isso para o caderno, por favor. Lembrem que conta ponto no trabalho bimestral.


Revolução Liberal do Porto (1820): movimento ocorrido em Portugal, na cidade do Porto, 

- Crise política: porque Portugal era governado por ingleses. O rei, D. João VI encontrava-se no Brasil.
- Crise econômica: o fim do pacto colonial a partir da abertura dos portos brasileiros trouxe problemas para Portugal, pois o mercado brasileiro foi aberto para outros produtos.

"Movimento liberal para Portugal e conservador para o Brasil":
liberal para o Portugal porque exigia o retorno do rei e a formação de uma Constituição para limitar os seus poderes. Conservadora para o Brasil porque defendia a sua recolonização. Em 1808, os portos brasileiros são abertos para outros países e em 1815, o Brasil deixa de ser colônia e torna-se um reino.

- formação das Cortes, em Portugal, para discutir a Constituição e a situação do Brasil. Foram elaboradas as seguintes medidas
   subordinar as regiões do Brasil à Lisboa e não ao Rio de Janeiro
  tentativa de anular os Tratados de 1810 com a Inglaterra (os tratados que estabeleciam a abertura dos portos)
    retorno de órgãos de administração para Portugal

Formação de "partidos
"partido português": representavam setores do comércio e militares
"partido brasileiro": representavam setores dos proprietários rurais, comerciantes e alguns funcionários da monarquia.
"liberais radicais": defendiam a independência, a formação da República e o fim da escravidão.

Podemos afirmar que a decisão de fazer parte um "partido" ou outro dependia dos ganhos obtidos ou não através das mudanças com a vinda da Corte para o Brasil.

Com o retorno de d. João IV para Portugal, quem passou a governar o reino do Brasil, foi seu filho, d. Pedro. A pressão das Cortes pedindo o retorno do príncipe era imensa para possibilitar a recolonização, por isso, d. Pedro declara a sua permanência do Brasil.

- Convocação da Assembleia Constituinte no Brasil

- nova exigência de retorno de d. Pedro para Portugal
- anulação dos poderes de d. Pedro pelas Cortes
- D. Pedro declara a independência em 7 de setembro de 1822.

Resistência à separação
- guerras contra a independência entre brasileiros e portugueses: regiões do nordeste e norte não aderiram ao movimento de separação. Provocando conflitos no início de 1823.
- indenização paga para Portugal para reconhecer o Brasil independente

Constituição de 1824

- estabelecia a divisão dos três poderes e a criação do Poder Moderador
- adotava o governo monárquico, hereditário e constitucional
- criava a Câmara dos Deputados e o Senado
- estabelecimento do voto censitário
- formação do Conselho de Estado

Confederação do Equador (1824)
- revolta iniciada pela substituição do presidente de província de Pernambuco pelo imperador d. Pedro I.
- adesão de RN, CE, PE, PB, PI e PA
- a revolta foi uma reação à centralização política do imperador
- defendiam a autonomia da província, a criação de uma república e a adoção do federalismo
- reprimidas pelas tropas imperiais

Primeiro Reinado (1824-1831)
Guerra da Cisplatina (Uruguai)
- provoca aumento dos gastos militares
- o recrutamento para fazer parte do Exército é forçado
- portugueses no topo da hierarquia incomodava os oficiais brasileiros

- problemas econômicos: baixa no preço dos produtos agrícolas vendidos pelo Brasil (algodão e café)
- sucessão em Portugal (1826): morre D. João VI. Possibilidade de nova união com Portugal?
- sentimento antilusitano

- conflito entre portugueses e brasileiros no Rio de Janeiro: "A noite das Garrafadas"
- Abdicação do trono de 7 de abril de 1831

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Capítulo 12 - "Brasil: de Colônia a Império"

Fala turma,
esse post é para a AV2.
Nessa prova teremos o capítulo 12 e 13, mas farei apenas UM post para esses 2 capítulos. Peguei tudo de mais importante deles e reduzi em uma publicação só. Por isso, se alguém por acaso pegar o livro achará algumas informações no cap. 13 e não no 12. O cap. 12 é o mais importante.

Bom, começando.

     O assunto que estudamos nas últimas aulas foi a transferência da corte portuguesa para o Brasil. Essa mudança ocorre no contexto das invasões napoleônicas sobre as monarquias absolutistas, dentre elas Portugal porque este reino apresentou certa resistência em aceitar o Bloqueio Continental imposto por Napoleão. Devido a demora do príncipe regente D. João VI em se posicionar entre a Inglaterra e a França, o imperador francês marcha sobre Portugal, fato este que provoca a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil com o apoio da Inglaterra. Com isso, o Brasil, então uma colônia, para a ser o centro político do que restava do Império português.

     Assim que chegou ao Brasil, em 1808, D. João VI decreta a abertura dos portos para as nações amigas (leia-se Inglaterra). Isso quer dizer que a colônia agora tem liberdade para comercializar com outros países e não apenas com Portugal. Logo, é possível dizer que o pacto colonial deixava de existir.
    Em 1810, é assinado o Tratado de Aliança e Comércio entre Portugal e a Inglaterra que estabelecia diferentes taxas alfandegárias para produtos importados. É nesse contexto também que a Inglaterra começa a pressionar o Brasil e Portugal para dar fim ao tráfico de escravos. Assunto que se arrastaria por mais 40 anos.
     Além disso, D. João VI revoga (anula) o Alvará de 1785. Esse alvará estabelecia a proibição da criação de manufaturas na colônia. Portanto, D. João libera a produção colonial. Porém, a medida encontra resistência porque os produtos ingleses faziam forte concorrência aos manufaturados brasileiros. Essa e outras medidas tinham por objetivo modernizar a colônia para melhor atender a família real.
Podemos destacar também:
- a criação da Academia Militar
- a criação das Faculdades de Direito e Medicina
Ambas preocupadas com a formação de pessoas. Apesar de muitos funcionários do reino Português virem com a Família Real era preciso formar alguns colonos nesses assuntos para suprir faltas de profissionais
- a criação do Banco do Brasil
- a criação da Academia de Belas Artes: o objetivo era desenvolver a vida cultural da sede da colônia.
- Museu Nacional. Localizado na Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão e também serviu de residência para a Família real.
- Real Biblioteca: a coleção de livros que deu origem a essa biblioteca se transformou hoje no acervo da Biblioteca Nacional, localizada no Centro do Rio de Janeiro.
- Imprensa Régia: é criado o primeiro jornal na colônia, A Gazeta do Rio de Janeiro e noticiava assuntos do governo.

Porém as mudanças não param por aí.
1815: Brasil torna-se reino unido à Portugal e Algarves.
Trata-se de uma importante decisão política tomada por D. João VI. Com essa medida, o Brasil deixava de ser uma colônia e tornava-se um reino, ou seja, o Brasil passa a ter o mesmo status que Portugal. Essa decisão tem influências do contexto europeu porque em 1815, no Congresso de Viena, ficou estabelecido que, pelo princípio da legitimidade, as antigas monarquias depostas por Napoleão deveriam retornar ao trono. Porém, a sede reconhecida pelos monarcas era Lisboa, e não o Rio de Janeiro. Por isso, D. João VI decide tornar o Brasil um reino, para ter mais voz no Congresso.

Entre 1816 e 1817 esteve presente no Brasil a Missão Artística Francesa. A Corte portuguesa patrocinou a vinda de alguns artistas franceses para representar o cotidiano da corte e da colônia no Brasil.

Revolução Pernambucana (1817)
Essa revolta se iniciou em Pernambuco, mas acabou se espalhando para Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Influenciados pelas ideias do Iluminismo, como igualdade de direitos e certa liberdade religiosa, os revoltosos pretendiam se separar do Brasil e criar uma República. Eles criticavam também os aumentos de impostos para custear o conflito envolvendo o Brasil e o Uruguai (naquela época chamado de Cisplatina) em uma região (o Nordeste) que passava por dificuldades econômicas porque o algodão e o açúcar encontravam-se em decadência. 
Embora esse levante tenha se espalhado por outros estados, a sua duração foi curta. Apenas 3 meses após o início da repressão das tropas portuguesas e brasileiras.

domingo, 24 de agosto de 2014

Capítulo 11: "A crise do sistema colonial no Brasil"

Turma,
esse post fecha o conteúdo para a AVI.
Cap. 10 - A independência da América Latina
Cap. 11 - A crise do sistema colonial no Brasil

O primeiro aspecto que destaquei foi o "Despotismo esclarecido". 
Despotismo esclarecido marca a entrada de ideias Iluministas em algumas monarquias absolutistas. No caso de Portugal, isso ocorreu no reinado de D. José I (1750-1777) através de uma série de medidas tomadas pelo marquês de Pombal, um dos protegidos do rei português. O objetivo dessas medidas era empreender reformas que modernizassem o reino. 
Algumas dessas medidas:

Política Indigenista = uma das principais medidas de Pombal
Diretório dos Índios: são medidas adotadas para absorver os índios no que os portugueses consideravam a civilização.
- substitui a Língua Geral pelo português (a Língua Geral era baseada na língua Tupi)
- transformar as aldeias em vilas governadas por português.
- permitir e incentivar o casamento entre colonos e indígenas.
- estímulo ao abandono dos costumes indígenas pelos costumes portugueses.


- criação do Erário Régio = criação de um banco do reino.
- criação da Imprensa Régia = criação da imprensa para livros e jornais.
- fim da diferenciação de "cristãos-velhos" e "cristãos novos". 
       essa diferenciação existia desde o século XV, quando o judeus foram obrigados a se converterem ao catolicismo. Esses novos convertidos receberam o nome de "cristãos novos".
- expulsão dos jesuítas do Brasil e colônias portuguesas
- o Tribunal da Inquisição foi convertido em tribunal régio (do rei)
- o ensino tornou-se laico (= sem defender ou incentivar qualquer religião)
- transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro

E para o Brasil?

O Brasil nesse momento vivia o ciclo econômico da mineração que já entrava em decadência.
Surgem impostos como as 100 @ sobre a mineração e em caso de não atingir essa quantia, seria decretada a derrama = confisco dos bens dos produtores.
É por causa de uma iminente decretação da derrama que eclode a Conjuração Mineira.

Conjuração Mineira (1789)
É um movimento pensado e comandado pela elite local, queriam se separar de Portugal e a criar uma república. Isso seria feito pela eliminação do governador local.
Esse movimento foi influenciado pela Independência dos Estados Unidos e pelas ideias Iluministas.
Não houve êxito porque um dos conspiradores delatou o movimento.
Vocês verão em muitos lugares que o pobre Tiradentes sofreu castigos mais severos. Porém, recentemente uma nova visão da História defende que ele também tinha posses.

Resumo em tópicos
- movimento pensado pela elite colonial da região
- influências: Independência dos Estados Unidos e do Iluminismo
- Separar de Portugal
- implantar um governo republicano
- discute sobre a abolição da escravidão, mas não é uma reivindicação do grupo.
- Tiradentes sofreu um castigo exemplar para que outros colonos não conspirassem contra o rei. Ao contrário da explicação comum, Tiradentes era uma pessoa de posses.

Conjuração Baiana (1798)
Ao contrário da Conjuração Mineira esse movimento é marcado pela forte participação popular e possuía fortes influências da Independência dos EUA, a Revolução Francesa e a Independência do Haiti. Também tinham o desejo de se separar de Portugal e adotar a República e, além disso, abolir a escravidão.

Resumo em tópicos
- movimento pensado pela população (por isso participação popular) - como libertos (ex-escravos), escravos e pessoas comuns.
- Influências: Independência dos Estados Unidos e do Haiti e Revolução Francesa
- Separar de Portugal
- Adotar a República
- abolir a escravidão

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Capítulo 10 - Independência da América (caderno)

Turma,
essas são os slides para o caderno.

Independência da América Espanhola
Século XIX

Por que fazer a independência?

Estados Unidos da América como exemplo
Em 1776, os EUA tornaram independentes em relação à Inglaterra.

Influência de ideias Iluministas e da Revolução Francesa
Ambos os movimentos possuem ideias de liberdade política para decidir os rumos de maneira autônoma e também de liberdade individual

Espanha dominada por Napoleão Bonaparte
Os colonos argumentavam que não deviam obediência à Napoleão e sim, ao rei espanhol. Lembrem-se que Napoleão invadiu diversos países, dentre eles a Espanha.

Nacionalismo: começa a se desenvolver o sentimento de pertencer a um determinado país.


Independência do Haiti
Ocorrida em 1804. Foi a primeira colônia (depois dos EUA) a fazer sua independência.

Fato histórico relacionado com a Revolução Francesa
O período jacobino estabeleceu o fim da escravidão nas colônias francesas. Porém, na fase seguinte da revolução (dos girondinos) foi restabelecida o escravismo. Por isso, há um levante de escravos na colônia e é proclamada a independência do Haiti.

Haitianismo: ficou conhecido como o medo das elites coloniais, inclusive o Brasil, da possibilidade de haver um levante de escravos. No Haiti, isso resultou na morte de vários colonizadores.

Independência da América Espanhola
Divisão social nas colônias
chapetones: espanhóis naturais
criollos: filhos de espanhóis nascidos na América

Hipótese sobre a independência: os criollos eram excluídos da política da colônia e por isso, fizeram a independência.
Nova visão: Na verdade, os criollos estavam presentes em diversos cargos da administração colonial, exceto o cargo de vice-rei (maior representante da autoridade do rei na colônia) que sempre foi ocupado exclusivamente por espanhóis. A independência das colônias espanholas é melhor explicada pelo nacionalismo, pelo exemplo que os Estados Unidos exerceram sobre as demais colônias, pelas influências das ideias do Iluminismo e da Revolução Francesa e pela recusa de obediência à Napoleão que ocupou a Espanha.

Vice-reino da Prata
Dividido entre o Argentina, Paraguai e Uruguai. 
Formaram as Províncias Unidas do Rio da Prata.

Vice-reino da Nova Granada e Venezuela
Dividido entre a Venezuela, Colômbia e Equador
Formaram a República da Grã-Colombia

Porém, essas uniões não duraram muito tempo.

Pan-americanismo
Ideia de um dos libertadores da América e defendia que os países independentes deveriam se unir para formar apenas um país na América do Sul. Porém, a ideia não foi mantida pelos próprios criollos. Foram eles que conduziram a independência das colônias e os seus interesses políticos e econômicos só seriam atendidos se eles mantivessem o poder. Ou seja, era mais interessante para eles formarem diversos países nos quais eles ocupariam o poder político do que formar um grande país que poderia atender (ou não) aos seus interesses.

Importante: Os criollos participaram da independência de todas as colônias na América. O único caso diferente é do Haiti. Conforme estudada, a independência do país foi feita pelos escravos

Sobre os novos países 
- todos adotaram a República como forma de governo
- manutenção da economia agrária para a exportação e substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado.
- fim da mita e da encomienda (não precisa escrever em itálico!! E não para copiar esse aviso!!!!!!)
A mita era uma forma de usar a mão de obra indígena. Alguns índios eram obrigados a trabalhar temporariamente nas minas.
Na encomienda, o colonizador era responsável por uma tribo inteira na questão da mão de obra e comprometia-se também a convertê-los para o catolicismo.