No capítulo 1 e 2 estávamos discutindo o Absolutismo (concentração do poder em torno do rei) e o Iluminismo, uma corrente filosófica do século XVIII que repensa a questão de como o poder deve ser exercido pelos soberanos. Parte do capítulo 3 é uma exemplificação do que estudamos no capítulo 1.
Jaime I, da dinastia Stuart, pretendia fortalecer os poderes dos reis (o absolutismo) e consolidar a religião criada por Henrique VIII, o Anglicanismo.
A sociedade inglesa estava dividida religiosa (católicos, puritanos = calvinistas e anglicanos) e politicamente, partidário do rei e partidários do fortalecimento do Parlamento. Ao contrário do que acontecia na Europa continental, desde 1215 com a assinatura da Magna Carta, os reis ingleses tinham seus poderes de alguma forma limitado. O Parlamento existe desde essa época, mas tinha um caráter apenas de consulta do monarca e era formado por tempo temporário. Certas atitudes, no entanto, precisavam ser discutidas no Parlamento inglês, como aumentos de impostos e declarações de guerra. Jaime I tenta passar por cima dessa tradição visando diminuir o poder do Parlamento. Porém, o efeito é o inverso. As tensões entre o rei Jaime I e o Parlamento são tão intensos e acabam com a força do monarca, forçando-o a abdicar do trono (sair do poder em favor do seu filho, Carlos I).
Mesmo assim, as tensões continuaram aumentando até explodir uma guerra civil entre os favoráveis ao monarca (os Cavaleiros) de um lado, e os apoiadores do Parlamento do outro (os Cabeças Redondas) a partir do momento que o rei Carlos I ordenou o fim do Parlamento (1649) por não atender seu pedido de novos recursos para os conflitos na Escócia. Esses dois grupos se enfrentavam pelas ruas de Londres aumentando o número de mortos nesse conflito político. No fim dessa guerra civil o rei Carlos I foi capturado e decapitado. Com isso, tem início o breve período republicano na Inglaterra chefiado por Oliver Cromwell.
1651: Ato de Navegação.
Foi um documento elaborado na época da República ainda sobre liderança de Cromwell. Segundo essa ato, todo o comércio feito com a Inglaterra deveria ser transportado em navios ingleses. Isso ajudou muito no desenvolvimento da marinha inglesa, tornando-a a mais poderosas nas águas no século seguinte.
Não pensem que a questão política foi resolvida com a decapitação do rei e a criação da república. As opiniões ainda eram muito radicais em consequência da guerra civil travada poucos anos antes e para tentar controlar a situação Cromwell governou de modo muito autoritário, decretando inclusive o fechamento do Parlamento em 1653. Mais uma vez os ânimos se exaltaram e a república na Inglaterra não durou muito tempo para chegar ao fim após a morte de Cromwell.
1669: fim da república e volta da monarquia com Carlos II da dinastia Stuart.
Revolução Gloriosa
Se antes o problema era o autoritarismo de Cromwell agora com o retorno da monarquia o problema volta a ser as pretensões absolutista de Carlos II e depois de Jaime II. Além disso, ambos os reis eram católicos e pouco simpáticos ao anglicanismo. Apesar de tudo, não havia muito interesse em nenhum dos dois lados em outra guerra civil travada pouco anos antes. Outro conflito daqueles traria desgastes econômicos, políticos e sociais. Esperava-se também que a questão religiosa seria resolvida com a passagem do trono de Jaime II para sua filha protestante Maria Stuart. Porém, o rei teve mais filho e a sucessão deixaria de ser Maria e passaria para seu novo herdeiro...católico.
Para manter a linha de sucessão Guilherme de Orange (da Holanda) e sua mulher Maria Stuart tomam o poder de Jaime II. Nessa época é assinado também a Declaração de Direitos (Bill of Rights). De acordo com esse documento, o Parlamento estabelece limites claro e definidos para autoridade dos reis ingleses e acaba de vez com as pretensões absolutistas porque o sistema de poder passa a ser a monarquia parlamentarista. Isso quer dizer que os reis continuam existindo, mas quem decide os assuntos do país é o Parlamento.
continua...