segunda-feira, 29 de junho de 2015

Unidade 5 - capítulo 2 - A Independência e o Primeiro Reinado

Olá olá olá turma
Esse é pra fechar o conteúdo, hein.
Bora!

Queridos alunos,
a nossa história tomou um rumo diferente a partir da Revolução Liberal do Porto (em Portugal) no ano 1820. A ideia desse movimento para Portugal era criar uma monarquia constitucional e, com isso, reduzir os poderes do rei. Por outro lado, para o Brasil, o objetivo desse movimento era torná-lo novamente uma colônia e restabelecer o pacto colonial. Em outras palavras, desfazer a elevação de colônia para reino que vimos e fechar os portos novamente.
Ocorreram debates intensos entre portugueses e brasileiros nas Cortes, em Portugal, para decidir o futuro dos portugueses, assim como do Brasil. Essa disputa se estenderia até a convocação de retorno para Portugal do regente d. Pedro e, assim, possibilitar o projeto de recolonização do Brasil. Diante dessa exigência e motivados pelos ganhos obtidos a partir da abertura dos portos, a elite colonial brasileira se mobilizou para pedir a permanência de d. Pedro. Essa organização deu origem ao que ficou conhecido como o Dia do Fico e pouco tempo depois o regente adotou uma série de medidas que beneficiavam o Brasil como a expulsão das tropas portuguesas, a exigência de aprovação regencial de decretos vindos da corte (o Cumpra-se), assim como a convocação de uma Assembleia Constitucional Nacional.
Quando a notícia chegou em Portugal as Cortes reforçaram a exigência de retorno de d. Pedro e anulação de todas as medidas dele. As novas ordens portuguesas chegaram ao Brasil em setembro e foram recebidas por d. Pedro em 7 de setembro de 1822. Ao recebê-las, o regente declara a separação de Brasil e Portugal.
Lembrem-se que isso não foi um processo pacífico e foram registrados vários conflitos entre aqueles que apoiavam a separação com Portugal e os contrários ao rompimento de laços. Esses confrontos ficaram conhecidos na História do Brasil como "Guerras de Independência".
Após esses confrontos, com vitória para a separação política de Portugal, era necessário elaborar uma Constituição para a nova nação da América.  
A primeira Constituição foi redigida em 1823, mas não foi aceita por d. Pedro por limitar os seus poderes. Por isso, o texto foi desconsiderado, a Assembleia Constituinte foi fechada e uma nova redação do texto foi feita. Em 1824, foi outorgada (imposta) a primeira Constituição do país. Ela estabelecia eleições indiretas, criava o voto censitário e divida os poderes em três, mas com uma novidade. Criou-se o poder Moderador de uso exclusivo do imperador e que concedia o direito de intervenção em todos os demais poderes...(legislativo, executivo e judiciário, só pra lembrar! : P)
O fato da Constituição ter sido imposta criou a primeira desavença entre o Imperador d. Pedro I e parte das elites locais que desejavam ter maior liberdade de decisão e ter menor interferência das decisões e vontades do Rio de Janeiro. Esse descontentamento deu origem à Confederação do Equador que rejeitou a posição de d. Pedro I de anular a Constituição e os estados de Pernambuco, Pará, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí declararam-se separados do Brasil. Em pouco tempo, o movimento foi duramente reprimido pelas tropas brasileiras.
Pouco tempo depois o Brasil envolveu-se na Guerra da Cisplatina (1825) contra o Uruguai que lutava pela sua independência. Este conflito reverteu-se em altos gastos para o Império. No cenário daquele momento desenhava-se um crise econômica por causa dos gastos de guerra e um governo considerado autoritário e centralizar por certos setores da elite. Vemos, então, um gradual tensionamento político entre o Imperador e a população. 
Adicione-se a isso a questão de sucessão em Portugal. Com a morte de d. João VI abriu-se a disputa por quem ocuparia o trono português e se obedecesse às sucessões dinásticas, seria ocupado por d. Pedro, o Imperador do Brasil. Porém, a grande questão é que nossa independência era muito recente e a possibilidade de nova união com Portugal era grande. Logo, o envolvimento do imperador com a questão de sucessão, assim como seus fortes relacionamentos com portugueses, tornou-se mais um motivo de distanciamento entre ele e a elite. 
O auge do tensionamento político ocorreria em abril de 1831 quando houve o enfrentamento da população nas ruas do Rio de Janeiro entre aqueles que exigiam a abdicação do imperador e os favoráveis a continuação de seu reinado. 
Em 7 de abril de 1831 d. Pedro I anuncia sua abdicação em favor de seu filho, d. Pedro II. No entanto, o novo imperador era extremamente jovem e contava com apenas 5 anos. Por isso, teve início na História do Brasil o período da Regência.

Até breve!

domingo, 28 de junho de 2015

Unidade 5 - Capítulo 1 - A corte portuguesa no Brasil

Oi oi oi oi oi
Essa é a primeira parte do conteúdo para a nossa av2. Considero-a mais fácil em relação ao Primeiro Reinado, estudem bem essa parte para garantir algumas questões.
Vamos lá!

Vimos a várias semana atrás o que levou a família rela portuguesa trazer toda a sua corte para o Brasil. Esse fato histórico está inserido no contexto das guerras napoleônicas e a não adesão de Portugal ao Bloqueio Continental, imposição de Napoleão Bonaparte que desejava impedir o comércio entre o continente europeu e a Grã-Bretanha. Em razão disso, a França invadiu Portugal. Porém, já haviam negociações secretas entre ingleses e portugueses para transferir a corte para o Brasil. E foi o que ocorreu em novembro de 1807 quando a família real deixou Lisboa em direção à principal colônia portuguesa com a ajuda e proteção da marinha inglesa.
A corte chegaria em Salvador no início de 1808. Em poucos dias foi decretado, por d. João VI, a abertura dos portos para o comércio com as nações amigas. Na prática, estamos falando da Grã-Bretanha. O que essa medida traz como consequência é o fim do pacto colonial. Quer  dizer que a partir desse momento o suposto monopólio entre colônia e metrópole não existe mais. Já conversamos sobre isso algumas vezes. 
Além disso, ainda em 1808, d. João VI liberação a criação de manufaturas na colônia com o objetivo de aumentar a atividade produtiva e comercial. No entanto, esse desenvolvimento foi limitado pela abertura dos portos que possibilitou a forte entrada de produtos ingleses e, consequentemente, forte concorrência.
Em 1810, foram estabelecidos diversos tratados com a Grã-Bretanha e um deles firmava diferentes impostos alfandegários com os países que o Brasil comercializava. O acordo comercial concedia taxas menores para os produtos ingleses, em segundo lugar para os produtos portugueses e uma taxa maior para os demais países.
Contudo, não foram apenas transformações de teor econômico que ocorreram na colônia. D. João VI adotou várias medidas para adaptar o Rio de Janeiro aos hábitos da corte europeia e para modernizá-la, como a criação da Real Biblioteca (originou a Biblioteca Nacional), o Museu Nacional, a Imprensa Régia (permitiu a impressão e circulação de livros e jornais), o Jardim Botânico, criação do Banco do Brasil, a criação da Casa da Moeda (para a impressão de dinheiro), dentre outras.
Outra grande novidade ocorrida no Brasil aconteceria em 1815, quando d. João VI tornou a colônia em um reino em razão da participação de Portugal no Congresso de Viena. As monarquias conservadoras participantes da reunião não aceitavam a participação dos portugueses enquanto d. João VI estivesse na colônia e não no reino. A solução do rei foi tornar o Brasil um reino, igual a Portugal.

O que nós temos que perceber é que a vinda da família real para o Brasil trouxe muitas mudanças para a nossa história. Depois disso o Rio de Janeiro, e não mais Lisboa, tornou-se a sede da monarquia e o centro de poder e decisões do império português, o pacto colonial foi extinto com a abertura dos portos, deixamos de ser uma colônia após a elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal. Assim como várias medidas transformadoras foram tomadas pelo regente e depois rei d. João VI, como o Jardim Botânico, a Casa da Moeda, o Banco do Brasil, a Real Biblioteca, dentre outras.

Por hora fico por aqui.
Até

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Unidade 4 - Capítulo 2 - Independência na América espanhola

Turma,
esse post fecha a av1: Unidade 4 - capítulos 1 e 2.

Qual o contexto no qual estudamos a independência dos vice-reinos que formavam a América espanhola? Precisamos lembrar que essa história se passa no início do século XIX. Nesse momento temos as ideias iluministas de liberdade e igualdade mais discutidas do que nunca ao longo da Revolução Francesa, a revolução em si e a Independência das 13 Colônias (Estados Unidos) que serviam como um exemplo. Afinal, foi a primeira colônia do mundo a romper relações com a metrópole.
Não podemos esquecer também das invasões napoleônicas que altera todo o poder por toda a Europa, inclusive na Espanha, aonde o rei da dinastia Bourbon é deposto. Aliás, muitos colonos rejeitam o novo rei por não considerá-lo legítimo.

Sociedade colonial
 E como era a dividida essa sociedade? A elite colonial era composta pelos chapetones (nascidos na Espanha, mas que viviam na América) e os criollos, os nascidos na própria colônia. Haviam ainda os mestiços, os indígenas e um pequeno número de escravos. No entanto, foram os criollos que conduziram o processo de independência, iniciado em 1810, no México.

Pan-americanismo
Símon Bolivar, um dos principais líderes da independência das colônias que fizeram a sua independência, defendia a união desses novos países com o objetivo de fortalecer as diferentes regiões e fortalecê-la. Tal ideia não se sustentou por muito tempo em razão das rivalidades entre os países e porque cada elite criolla desses países desejava que seus próprios interesses fossem atendidos.

Doutrina Monroe
Por fim, a Doutrina Monroe, conhecida como "América para os americanos". O que isso quer dizer? Os Estados Unidos desejavam reduzir a influência dos países europeus na América e aumentar a sua própria influência e e os seus interesses na região. Afinal, o Brasil e os demais países tem uma ligação muito mais próxima com suas antigas metrópoles e a Inglaterra do que com os Estados Unidos.

Unidade 4 - Capítulo 1 - Levantes coloniais nas Américas

Oi gente!
Seguinte, essa é a primeira parte da matéria.
Nessa parte vimos o Haiti e as Conjurações.

Revolta de São Domingo (Haiti)

São Domingo era a principal colônia francesa, possuía extensas propriedades produtoras de açúcar e café com enorme uso do trabalho escravos. A revolta foi desencadeada no contexto do Iluminismo, da Revolução Francesa que discutem as ideias de liberdade e igualdade e da era Napoleônica. Em 1791, foram registrados os primeiros confrontos entre escravos e seus senhores e nesse momento havia o interesse em aplicar a "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão" em São Domingos restrita apenas à França, reivindicavam a abolição da escravidão, buscavam ter representantes na metrópole (França) e igualdade nos direitos políticos.
Em 1802 houve a intensificação nas lutas porque houve o restabelecimento da escravidão no período do governo de Napoleão Bonaparte, anteriormente abolida no período dos Jacobinos durante a Revolução Francesa. Isso daria início ao desejo de independência e para combater os revoltosos foram enviadas tropas francesas para a ilha. Porém, mesmo assim, em 1804, foi proclamada a República do Haiti.

E no Brasil? O que ocorria?

Tivemos as Conjurações. Elas estão dentro de um contexto de crise do sistema colonial no Brasil marcado pela crise econômica em Portugal e o declínio da mineração, fato que reduzia a arrecadação dos impostos. Não se esqueçam que nesse momento, transição do século XVIII para o XIX, as ideias de liberdade e igualdade passam a circular também nas Américas e tais concepções influenciaram também as conjurações.

Conjuração Mineira (1789)
Nesse contexto de queda de arrecadação de impostos e queda da mineração aumentou o déficit de tributos que deveriam ser coletados. Nesses casos, era decretada a derrama. Essa forma de tributação era cobrada à força para completar o que era devido pelas pessoas.
Diante dessa situação um grupo de pessoas da elite colonial composto por magistrados (juízes), religiosos, negociantes, dentre outros organizaram uma insurreição contra o governo português. 
E quais eram as suas aspirações? O que queriam com esse movimento?
- perdão das dívidas
- instalação de manufaturas
- fundação da universidade de Vila Rica
dentre outros

A ação foi marcada para o dia da decretação da derrama pelo governador. Porém, o levante foi denunciado por um dos próprios conspiradores em troca do perdão de suas dívidas pessoais. O governador suspendeu a derrama e ordenou a prisão de todos os envolvidos. Muitos foram presos ou condenados ao degredo para Angola e o único morto do movimento foi Joaquim da Silva Xavier (Tiradentes) que sofreu o que se chamava d castigo exemplar para servir como exemplos para outros que planejassem ações semelhantes.

No caso desse movimento temos substituído o termo "Inconfidência" por "Conjuração". Inconfidente era o termo utilizado na época, no século XVIII e XIX, para denominar esse levante para passar a imagem de "traidores do rei". Por outro lado, o termo "conjuração", como vimos em sala, são aqueles que conspiram contra uma autoridade. A diferença é que ao contrário de "inconfidência" o termo "conjurado" não tem um juízo de valor (um julgamento) que condena o movimento .

Conjuração Baiana ou Conjuração dos Alfaiates (1798)
Esse movimento possuí uma característica muito mais popular do que a Conjuração Mineira, seja a partir do perfil social dos seus participantes ou de suas reivindicações, como o fim da escravidão (não defendida pelos conjurados de Minas), a liberação comercial, redução dos preços de alimentos e a proclamação da república.
Assim, como na conjuração mineira havia forte presença das ideias de liberdade e igualdade. No entanto, esse levante teve o mesmo desfecho que a conjuração mineira. Seus adeptos foram presos, alguns escravos foram açoitados, outros participantes foram degredados e, por fim, alguns sofreram o castigo exemplar.

A repressão nesse movimento foi mais implacável pelo medo que as elites coloniais tinham de que movimentos semelhantes (uma revolta de escravos) ao do Haiti acontecessem no Brasil.

É isso!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Unidade 3 - Capítulo 2 - A Era de Napoleão

Oi turma,
Revolução Industrial e a Era de Napoleão são os nossos conteúdos para a av2.
A Unidade 3 é bem mais fácil do que as outras 2 anteriores. Acredito que a prova será melhor também :)

Vamos sair da Inglaterra e sua Revolução Industrial e voltamos para a França, país que vivia os momentos finais da Revolução Francesa. Sairemos do XVIII e estudaremos os primeiros anos do século XIX: Era de Napoleão (1799-1815)

Napoleão Bonaparte começou a despontar como um bom militar ainda nos primeiros anos de Revolução Francesa quando travou batalhas contra as monarquias absolutistas como a Prússia e a Áustria. O constante sucesso nas batalhas desde 1793, deu a ele, prestígio entre militares e políticos. Em 1798, Bonaparte parte para expedição no Egito com o objetivo de cortar a comunicação da Inglaterra com a Índia, sua colônia, através do Egito. A dificuldade nesse campanha faz que o Napoleão volte para Paris. Pouco tempo depois seria articulado o Golpe do 18 Brumário que o levaria ao poder.

O golpe deu fim ao Diretório e iniciou-se o Consulado que seria formado por 3 cônsules e o principal deles seria Napoleão Bonaparte. Porém, rapidamente o militar tornou-se o único cônsule.
A partir disso, Napoleão tomou uma série de medidas para desenvolver a França, como a criação do Banco da França (em 1800) que criaria a moeda francesa chamado de franco e garantiria a cobrança regular de impostos para equilibrar as contas do país. Ainda durante o Consulado, Bonaparte garantiria as conquistas sociais obtidas durante a Revolução Francesa como a igualdade perante à lei, abolição de privilégios para clero e nobreza, igualdade de impostos, direito à propriedade privada, dentre outros. Por fim, o governo de Napoleão fez grandes investimentos em obras de infra-estrutura, como portos, pontes e estradas para melhorar a circulação das mercadorias francesas, dar maior crescimento econômico e alavancar a industrialização. Entenda como entrar também na Revolução Industrial.

Nesse meio tempo, em 1804, os deputados da Assembleia Nacional votaram pela criação do Império, confirmado pouco tempo depois por uma consulta popular (plebiscito). Por isso, a França deixou de ser uma República e tornou-se Império e seu imperador seria Napoleão I.
Ao mesmo tempo que Napoleão Bonaparte busca desenvolver as indústrias francesas, a Inglaterra já estava nesse processo a mais tempo e conseguia comercializar com suas colônias e os países vizinhos europeus. A rivalidade que surgirá entre França e Inglaterra é, principalmente, motiva por disputa por mercados consumidores. 
Ainda nesse contexto Napoleão Bonaparte levaria o exército francês para praticamente toda a Europa Ocidental, derrubaria as monarquias absolutistas, estabeleceria regimes políticos constitucionais e aboliria privilégios nobres e cleros. Isso quer dizer que o militar francês espalhou pelo uso da força militar os ideias da Revolução Francesa de liberdade e alguma igualdade. Apesar disso, não podemos acreditar que os povos dos países invadidos vissem isso com bons olhos porque os exércitos entravam para ficar e é nesse momento que começa a se desenvolver com mais força o sentimento de nacionalismo nas regiões invadidas. 
A expansão dos domínios franceses foi barrada apenas na Inglaterra, na Batalha de Trafalgar, em 1805.
(Revejam o mapa da página 71 - Império Napoleônico em 1812)

Nesse momento ficou claro para Napoleão que derrotar a Inglaterra não seria simples. Por isso, foi elaborado o Bloqueio Continental (1806) para tentar sufocar a economia inglesa. O bloqueio determinava a proibição do comércio entre o continente europeu e a Inglaterra. Essa medida traria vários consequências para vários países. Portugal, por exemplo, precisou escolher entre cortar relações com a Inglaterra e deixar o Brasil sem qualquer proteção contra os ingleses e poderia perder sua principal colônia ou manter as relações comerciais com a Inglaterra e ter o seu território invadido pelo exército francês. O príncipe regente português adiou o quanto pode a decisão, mas acabou optando pela Inglaterra e transferiu a corte para o Brasil e Portugal caiu sob domínio francês. 
A Espanha também foi invadida, o rei foi depostos e em seu lugar Napoleão colocou seu irmão Francisco. Porém, na América, houve desdobramentos (consequências) políticas já que a grande maioria das colônias eram espanholas e não reconheciam o novo rei. Uma boa justificativa para buscar a independência.
A Rússia seguiria o mesmo caminho e romperia com o Bloqueio Continental e também precisou enfrentar o exército francês. Contudo, a campanha militar contra os russos em 1812 foi muito mais complexa em razão da enormidade do território russo e da entrada do extremamente rigorosos inverno russo. A derrota francesa foi desastrosa e debilitou as forças militares do país, encorando as monarquias absolutistas como o Império austríaco, a Prússia, a Rússia e a Inglaterra formarem uma coligação contra a França, fato geraria mais uma derrota, a retirada de Napoleão Bonaparte do poder e sua prisão. Em seu lugar, foi posto Luís XVIII, irmão de Luís XVI, o rei guilhotinado.
Bonaparte escreveria mais um breve capítulo dessa história com o Governo dos Cem Dias (1815) ao fugir da ilha de Elba (sul da França) e voltar para Paris com exército ao seu lado. No entanto, a Batalha de Waterloo colocaria fim definitivo ao seu governo. 

Congresso de Viena (1815)
Reúne as monarquias absolutistas (Império austríaco, a Prússia, a Rússia) mais a Inglaterra e estabelece:
- retorno das dinastias depostas pelo avanço dos exércitos franceses
- retorno do absolutismo
- restabelecimento das fronteiras europeias ao traçado original anterior às invasões
- criação da Santa Aliança para combater movimentos parecidos com o da Revolução Francesa.

Unidade 3 - Transformações em marcha - Capítulo 1 - Revolução Industrial

Turma,
essa é a primeira parte do conteúdo. Esse capítulo não é complicado.
O livro também é uma boa opção.

Naquela aula sobre a Revolução Industrial montamos um quadro comparativo entre a produção de mercadorias no artesanato e nas manufaturas. Revejam o caderno porque refazer aquilo aqui não ficará bom.

De modo geral, o que vimos no artesanato é que o artesão tem o controle de todas as etapas das produção, é dono das ferramentas e do próprio produto, o trabalho é extremamente manual, desenvolvido em ambiente doméstico e há o controle do ritmo de trabalho. A produção é baixa, o preço é estabelecido pelo artesão e a venda das mercadorias é feita diretamente por ele.

Na manufatura há algumas mudanças. 
A mão de obra dos artesãos é contratada, eles recebem a matéria-prima para o trabalho, o tempo de trabalho não é mais controlado por ele e a produtividade é determinada por outros. A produção é feita em etapas, por diferentes pessoas e o produto final, assim como o preço, são estabelecidos pelo proprietário.

O que vimos nesse capítulo é o processo de industrialização das atividades de produção de um produto. A indústria é responsável por transformar a matéria-prima em mercadoria e a industrialização é justamente o desenvolvimento econômico baseada na produção industrial. Acrescentaria também que é a aplicação de máquinas no processo produtivo. (Ver box "Explore" - página 58)

Nesse momento, quando pensamos em Revolução Industrial devemos pensar na Grã-Bretanha. (Escreverei Inglaterra a partir daqui) e no século XVIII. Agora já lembramos de onde e de quando estamos falando.

Porque a Inglaterra foi o primeiro país a dar a largada na Revolução Industrial? Existiram algumas condições para isso.

1) "Rainha dos Mares": Por ser uma ilha, a Grã-Bretanha precisava obrigatoriamente desenvolver a sua navegação para realizar trocas comerciais seja na Europa, seja nas colônias que possuía. 

2) Ambiente político favorável: Enquanto a França viveu um conturbado processo revolucionário no final do século XVIII, a Inglaterra já havia resolvido suas questões políticas no século XVII, com a Revolução Gloriosa, ao limitar extremamente a poder do rei inglês.

3) Questão cultural: A religião puritana (calvinista) incentiva o trabalho e o lucro.

4) Grupos sociais empreendedores: Burguesia e nobreza. 

Além dessas condições havia a disponibilidade de mão de obra e de matéria-prima.
cercamento dos campos: (Isso não é novidade porque já vimos isso algumas vezes.) 
A Inglaterra tinha uma longa tradição no comércio de lã e criação de ovelhas. Os cercamentos dos campos transformam a produção na zona rural porque aqueles campos que eram de uso comum entre os camponeses tornam-se propriedade privada de alguém. Portanto, não haveria terra para todos e os nobres também não usariam todos os camponeses nos seus campos. Por isso, muitos saíram dos campos para as cidades, aumentando a disponibilidade de mão de obra para as manufaturas e outros foram para as 13 Colônias.
Além disso, havia a disponibilidade de ferro e carvão na própria Inglaterra. O ferro usado para as máquinas e o carvão para movê-las.

Esse processo de industrialização promovido pela Revolução Industrial trouxe consequências como a evidente transformação da produção, o consequente aumento de produção e redução de custos porque com a introdução de algumas máquinas era possível produzir mais e com menos trabalhadores.
Houve também o desenvolvimento mais evidente do capitalismo, denominado nesse momento de capitalismo industrial, baseado na acumulação de capital e na livre concorrência entre os produtores. 
Novos protagonistas entram em cena, como o operário (ou proletário) que vende a sua força de trabalho em troca de um salário, ele não detém nenhum meio de produção (como as ferramentas, máquinas e matéria-prima) ao contrário do que havia nos modo de produção artesanal e um pouco nas manufaturas. Por fim, não é ele quem determina o ritmo de trabalho, nem as horas trabalhadas. Como os direitos trabalhistas eram inexistentes nesse momento as jornadas de trabalho poderiam atingir 10, 12, 14 ou até mesmo 16 horas. A decisão da quantidade de horas trabalhadas ficava a critério dos proprietários, conhecidos como os burgueses. As poucas fábricas existentes eram locais pouco espaçosos e os acidentes de trabalhos constantes. O uso do trabalho infantil e feminino era comum para reduzir os salários e aumentar os lucros.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Unidade 2: O fim do Antigo Regime - Capítulo 1 - Revolução Francesa

Olá pessoal
Finalmente chegamos ao último post para a AV1.
Lembrem-se: o conteúdo é toda a 
Unidade 1 cap. 1 O Iluminismo e cap.2 - formação dos Estados Unidos. 
Unidade 2 cap. 1 - Revolução Francesa

Vamos lá!

Logo de cara temos que lembrar algo que vimos no capítulo sobre o Iluminismo. Lembra que quando estávamos estudando esse assunto foi falado que a sociedade era divida em Estados? Havia o Primeiro Estado que correspondia ao clero, o Segundo Estado que abrangia a nobreza e, por fim, o Terceiro Estado, muito mais numeroso e correspondia aos burgueses, camponeses, profissionais liberais, assim como trabalhadores urbanos de diversas atividade. 

E qual o contexto da França nesse final do século XVIII?
O reino vivia em dificuldades. Um deles eram os problemas financeiros provocado pelos altos custos de guerras que a França se envolveu, como a Guerra dos Sete Anos contra a Inglaterra e o apoio à luta dos colonos das 13 colônias que guerreavam pela sua independência. Guerra é custo e nem sempre os países tem condições de bancar todo o dinheiro necessário para manter um conflito armado. Logo, isso promove muitos gastos e óbvio, aumento de impostos. Mas não para por aí.

Antes do conhecidíssimo 14 de julho de 1789 a França viveu anos de colheitas ruins em 1788 e 1787. E daí? E daí que a quantidade de alimentos foi reduzida por causa dessas plantações que renderam menos do que o esperado e, com isso, houve o aumento de preços dos produtos alimentícios. 

Por fim, ainda existia na França resquícios do feudalismo e suas cargas de impostos contraditórias que pesavam principalmente no Terceiro Estado, enquanto o Primeiro e o Segundo Estado usufruíam de várias isenções. 

E como resolver essas questões?

A Assembleia dos Estados Gerais
O rei francês Luís XVI se decidiu por convocar os Estados Gerais, algo que não acontecia desde 1614. E o que é isso? Era uma reunião dos três Estados para debater e estabelecer meios de passar por aquela crise.
Porém, as discordâncias começaram logo no início do encontro no que dizia respeito ao modo de votação dos assuntos que seriam decididos pelos representantes dos Estados. O Primeiro e o Segundo Estado desejavam uma votação por Estado, enquanto o Terceiro Estado defendia a votação individual ("por cabeça"). Afinal, era provável que o Primeiro e o Segundo Estado votassem juntos contra o Terceiro Estado e, assim, formariam sempre 2 x 1. Por outro lado, a votação por representantes dava mais chances para os interesses do 3° Estado, por ser muito maior e por ter representantes do 1° e 2° que votariam juntos com o 3° Estado.
Como a discussão não avançava e diante da posição sempre dúbia do rei Luís XVI o 3° Estado resolveu se separar dos Estados Gerais e fez o que ficou conhecido como Juramento da Sala do Jogo da Péla, nesta sala, os representantes do Terceiro Estado juraram dar uma Constituição para França. Bem, até o momento não se falava muito em acabar com a monarquia, mas sim, em limitar seus poderes. Lembrem que estamos na França, berço do Iluminismo, a efervescência de ideias e o desejo de mudanças estava no ar.
Temos então a

Assembleia Nacional Constituinte
Não era somente o desejo de mudanças. A tensão política era enorme. Ao mesmo tempo que é formada a Assembleia para dar uma Constituição para França o rei organizava forças do Exército para cercar Paris e enquanto isso, a população parisiense se mobilizou para dar apoio ao Terceiro Estado. É nesse momento que chegamos no 14 de julho de 1789. Essa data que marca o início da Revolução Francesa e, além disso, foi escolhida pelos historiadores como o fato histórico que finaliza a História Moderna e inicia-se a História Contemporânea. E por que essa data é tão importante? Porque nesse dia a população de Paris invadiu e destruiu a Bastilha. Um castelo imenso e símbolo do poder absolutista do rei por ser uma prisão (naquele contexto os monarcas podiam decretar a prisão das pessoas. Primeiro elas eram culpadas e depois se provava a inocência delas...ou não). A partir daqui as transformações não param de acontecer.

Reformas sociais e políticas
Dias depois e ainda na Assembleia Nacional Constituinte foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Na prática, a partir da declaração estavam mortas as distinções em estados e garantia aos cidadãos a igualdade perante a lei (algo que não existia até então), a liberdade e a posse de propriedades. 
Em 1790 foi a aprovada a Constituição Civil do Clero que confiscava os bens da Igreja - principalmente terras - e transformou o clero em dependentes do Estado (Governo) da França ao torná-los funcionários públicos.
Ao mesmo tempo, as discussões sobre a Constituição ainda aconteciam. Até que em 1791...

Monarquia Constitucional
...quando a Assembleia estava terminando seus trabalhos na Constituição houve a tentativa de fuga do rei Luís XVI. Esse ato quebrou qualquer tipo de confiança que poderia existir entre o rei e os grupos sociais que desejavam mudanças na França, mas por outro lado, garantiu a aprovação da Constituição da França alguns meses depois. A partir de agora o rei teria que governar de acordo com esse documento. E o que isso quer dizer? Algo difícil entender mesmo. Agora o poder não era apenas do rei, mas também da população através de representantes eleitos. 
A Constituição traz algumas novidades como a divisão dos três poderes, garantia o fim da isenção de impostos para determinados grupos sociais e estabelecia o voto censitário.

Apesar desse avanço político, a França ainda encontrava-se em meio a crise econômica e ameaçada por uma guerra porque a Prússia e o Império Áustro-Húngaro, ambos de monarquia absolutista, viam os acontecimentos franceses como uma ameaça, um exemplo que não deveria ser seguido, mas sim controlado e exterminado. Vários nobres e cleros se mudam para essas regiões para organizar uma guerra contra os revolucionários. Em razão disso, em 1792, é declarada a guerra contra essas duas monarquias, ao mesmo tempo que a Assembleia Nacional Constituinte torna-se a Assembleia Nacional - uma espécia de Câmara dos Deputados. Temos então o início da 

Convenção Nacional
Os deputados eleitos para formar a Assembleia Nacional declaram extinta a monarquia e teve início a República. Teremos a formação de grupos políticos que defendem algumas ideias em comum (não são partidos ainda, ok? Partidos como conhecemos só no séc. XX). Desses grupos podemos destacar os jacobinos e os girondinos. Os jacobinos são conhecidos como os de esquerda e os girondinos seriam de direita.
(Na página 42 há uma descrição sobre os 2 grupos. Vejam)
Vocês já devem ter percebido que a Revolução Francesa é formada por vários acontecimentos e nomes diferentes.

Em pouco tempo, o período da Convenção foi controlado pelos jacobinos e vimos, então, um dos momentos mais controversos do período revolucionário. Por um lado, há a escrita de uma nova Constituição em 1793 que substituía o voto censitário masculino pelo voto universal masculino, estabelecia o fim da escravidão nas colônias francesas, a criação das escolas primárias e obrigatórias e limitação de preços. Por outro lado, é o período do julgamento de Luís XVI e também do Terror.
O julgamento de Luís XVI deixou bem clara a diferença política entre girondinos e jacobinos. O monarca entrou para História como um traidor, os jacobinos o acusavam de conspirar contra a nova ordem francesa e de se aliar às monarquias absolutistas. Para azar do rei foram descobertas correspondência que, de fato, comprovavam as acusações dos jacobinos que sempre pressionaram que o monarca deveria perder a cabeça, quer dizer, guilhotinado. O que de fato aconteceu. 
(Imagina como as monarquias absolutistas receberam essa notícia? Estamos falando da morte do Absolutismo na França. Ao pé da letra!)
E o Terror? Foi um meio que os jacobinos encontraram para controlar e garantir os avanços que foram conquistados porque a disputa sobre entre os grupos políticos para decidir os rumos da revolução eram constantes e suas conquistas não estavam garantidas. A possibilidade de um retrocesso era forte! 
Formou-se então, em 1793, o Comitê de Salvação Pública. Passou a existir combates intensos aos contra-revolucionários e muitos deles foram declarados inimigos, perseguidos, presos, julgados e guilhotinados. Nesses anos a guilhotina trabalhou bastante! A grande questão foi que as vozes jacobinas que discordavam dessa perseguição desenfreada tiveram o mesmo destino que os contra-revolucionários...GUILHOTINA. Foi por causa disso que o governo jacobino perdeu apoio político e apoio popular, facilitando o Golpe do 9 Termidor que derrubou os jacobinos do poder.
Nesse momento passamos da Convenção para o

Diretório
O golpe contra os jacobinos foi realizado pela burguesia girondina e representou alguns retrocessos pela nova Constituição de 1795 que restabelecia a escravidão, assim como recuperou o voto censitário masculino e deu fim aos comitês revolucionários que serviam para ouvir a população sobre os problemas vividos e ajudar a traçar estratégias para resolver problemas sociais, políticos e econômicos. Por outro lado, aboliu as execuções sumários. 
(Nada na História é inteiramente bom ou ruim, como vocês já devem ter percebido.)

De 1795 até 1799 tivemos vários momentos também muito instáveis, assim como os anos jacobinos. O problema da economia ainda era evidente e isso afetava a vida das pessoas diretamente. São anos de intensas disputas entre os girondinos, monarquistas e sans-cullotes.

Eis que nesse momento começa a surgir um importante nome para a História mundial: Napoleão Bonaparte. Napoleão era um militar francês que mostrou-se um gênio em estratégias e conseguiu diversas vitórias contra as monarquias absolutistas. O seu prestígio no meio militar tornou-se também um prestígio político, sinônimo de apoio, e em razão disso, setores do governo girondino e Napoleão deram o que ficou conhecido como o Golpe do 18 Brumário.



Espero que vocês tenham percebido que a Revolução Francesa (1789-1799) foi um dos principais acontecimentos da História porque ela lançou as bases para a sociedade que vivemos hoje, com a divisão de poderes, eleições regulares, a tentativa de estabelecer a igualdade entre as pessoas e uma vida baseada em direitos iguais para todos e não, uma sociedade de privilégios, como era no Antigo Regime.